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O Solilóquio do Rei Leopoldo

Uma Defesa da Sua Autoridade no Congo

de Mark Twain
Editor: Quetzal Editores, outubro de 2018 ‧
15,50€
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O Solilóquio do Rei Leopoldo é um pequeno livro publicado em 1905 por Mark Twain. Trata-se de um texto de sátira política, um monólogo do rei Leopoldo II, da Bélgica, que discursa para se defender das acusações de atrocidades cometidas entre 1885 e 1908 no chamado «Estado Livre do Congo», um grande território cuja administração foi exercida pessoalmente pelo rei belga - e não pela Coroa ou pelo Estado. Leopoldo II submeteu a população local a condições de vida e de trabalho degradantes e a uma repressão violenta e desumana, com o objetivo de aumentar os lucros da extração de diamantes, borracha e marfim. A partir de 1900 começaram a surgir denúncias sobre os crimes e o horror vividos no Estado Livre do Congo - e em 1899 é publicado O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, um retrato desse universo pavoroso.

Em 1904, Roger Casement (a personagem de O Sonho do Celta, de Mario Vargas Llosa), cônsul britânico no Congo, elabora um relatório sobre as atrocidades e a desumanidade da administração do rei Leopoldo - que levaria o Parlamento belga a anexar o território, retirando-o ao rei. E, nos Estados Unidos da América, Mark Twain associa-se a uma campanha internacional contra Leopoldo II. Por isso, o seu texto não é apenas um panfleto político: é também uma denúncia vigorosa, sarcástica e burlesca do colonialismo e do racismo.

O Solilóquio do Rei Leopoldo

Uma Defesa da Sua Autoridade no Congo

de Mark Twain

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897225376
Editor: Quetzal Editores
Data de Lançamento: outubro de 2018
Idioma: Português
Dimensões: 134 x 207 x 16 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 128
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897225376
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

A Ironia como Acusação

JM

Neste texto curto e feroz, Mark Twain dá voz ao rei Leopoldo II da Bélgica para expor, com ironia devastadora, a hipocrisia e a brutalidade do regime colonial no Congo. O monólogo funciona como uma confissão involuntária: quanto mais o rei tenta justificar-se, mais se revela. A força do livro está na forma direta como desmonta a propaganda e a moral falsa, sem recorrer a discurso pesado. Twain escreve com humor ácido, mas o que fica é desconforto — a consciência de que a violência é real, sistemática e deliberadamente escondida. Curto, incisivo e politicamente corajoso, é um exemplo claro de literatura como intervenção.

Um documento histórico sobre direitos humanos

JM

O Solilóquio do Rei Leopoldo de Mark Twain é uma obra satírica e mordaz que expõe a verdadeira face de Leopoldo II da Bélgica como um carniceiro impiedoso e assassino psicopata. Através de um monólogo fictício do próprio monarca, Twain destrói a fachada de "civilização" e "progresso" que Leopoldo usou para justificar um dos maiores genocídios da história. A escrita de Twain é impiedosa e incisiva, revelando a ganância pessoal desenfreada de Leopoldo, que, sem o menor pudor ou empatia, transformou o Congo num campo de horrores, onde as suas vítimas, forçadas à escravatura, eram obrigadas a extrair borracha das árvores seringueiras, a um nível impossível para qualquer ser humano. Quando os congoleses não conseguiam cumprir as exigências desumanas, Leopoldo II castigava-os com a morte ou com o decepamento das mãos, como uma forma de punir aqueles que não conseguiam satisfazer a sua ganância. Em contraste com outras potências coloniais que, apesar da exploração, trouxeram em alguma medida infraestruturas ou benefícios, o monarca belga trouxe apenas mãos decepadas, mortes brutais e uma destruição sistemática da vida e cultura congolesas. O livro também destaca que, à medida que a brutalidade de Leopoldo II se tornava mais evidente, o mundo foi ficando alerta. Missionários, funcionários estrangeiros e outros visitantes oficiais começaram a verificar o que se passava no Congo, levando a uma censura global que finalmente expôs os horrores do regime colonial. O humor negro de Twain nunca apaga a gravidade da denúncia que ele faz: Leopoldo II, era verdadeira escumalha, um monstro que matou por puro prazer e ganância. Um pedaço abjecto da história colonial da qual a Bélgica devia, ainda hoje, ter vergonha. E mesmo que as suas estátuas sejam vandalizadas, por cidadãos, deviam ser removidas pelo governo. Para sempre.

A atrocidade de um rei

Paulo Jorge

Pequeno grande livro. E, penso eu... um bocadinho desconhecido de muitos leitores, como também desconhecida a faceta do Rei Leopoldo como um dos maiores criminosos, cruéis e tiranos de sempre. Dono, sim dono , se assim lhe pudermos chamar de um País Africano, escravizou, torturou, violou, matou em nome da ganância pessoal e...mais um vez impunidade para quem comete ou manda cometer este tipo de crimes. Excelente proposta de leitura.

SOBRE O AUTOR

Mark Twain

Mark Twain (1835-1910) foi batizado como Samuel Langhorne Clemens, mas esse nome ficaria para sempre na sombra do seu pseudónimo. Filho de um advogado severo, terá sido a mãe a despertar-lhe o sentido de humor. Se não há dúvida de que a sua obra é variada, mais curioso será notar que a sua vida profissional o foi mais ainda. Twain começou por trabalhar como aprendiz de tipógrafo, em 1848, e alguns anos mais tarde já contribuía com artigos e histórias humorísticas para o jornal de um irmão. Mais velho, numa viagem pelo Mississípi a bordo de um barco a vapor, terá ficado fascinado com o trabalho do piloto, e dedicou dois anos da sua vida à aprendizagem deste ofício. Uma das muitas viagens da sua vida levou-o, algum tempo depois, a uma mina de prata no Nevada, onde tentou ser mineiro, sem grande sucesso. Em contrapartida, encontrou trabalho no jornal da zona. Foi aqui que, da pena de Samuel Clemens, então com 27 anos, nasceu Mark Twain. É autor de A Viagem dos Inocentes (Tinta-da-china, 2010) e de duas obras a que é invariavelmente associado: As Aventuras de Tom Sawyer (1876) e As Aventuras de Huckleberry Finn (1884).

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