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O Segredo de Joe Gould

de Joseph Mitchell
Livro eBook
Editor: Dom Quixote, abril de 2017 ‧
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Salman Rushdie, Julian Barnes, Martin Amis e Doris Lessing são alguns dos escritores do mundo literário que, em 1996, quando este livro foi publicado, se fizeram ouvir chamando a atenção para a sua importância.

Afinal, quem foi esse Joseph Ferdinand Gould, o cândido e inquietante protagonista deste livro? Filho de uma das famílias mais antigas de Massachusetts, licenciado em Harvard, em 1916 rompeu com todos os laços e tradições familiares e foi para Nova Iorque, onde passado pouco tempo iniciou a sua vida de vagabundo. Trabalhava e vivia inteiramente para o seu projeto de escrever uma monumental História Oral do Nosso Tempo.

Ezra Pound e E. E. Cummings, entre muitos outros, interessaram-se pelo projeto e chegaram a falar nele nas revistas em que escreviam. Entretanto, Gould dormia na rua ou em albergues noturnos para mendigos, comia mal e vestia as roupas usadas que os amigos poetas e pintores de Greenwich Village lhe davam.

Era frequente vê-lo bêbado e imitando o voo das gaivotas, e a sua História Oral, que ninguém lera ainda, gozava já de uma certa reputação. Com a sua morte, em 1957, os seus amigos empreenderam uma vasta busca do famoso manuscrito nos poisos da Village que ele frequentava. É o surpreendente resultado dessa busca, o segredo a que se refere o título, que Joseph Mitchell nos conta na segunda crónica deste livro.
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Elogio do Fracasso

Vivemos obcecados com a ideia de progresso. Queremos crescer, melhorar, evoluir, aprender com os erros. A literatura acompanha muitas vezes essa convicção e está cheia de personagens que atravessam dificuldades e saem transformadas. Tem muitas histórias de percursos que fazem sentido no fim. Mas há livros que não colaboram com esta vontade. Não oferecem recompensa, não fecham arcos, não justificam o esforço. Limitam-se a mostrar vidas que continuam. Pessoas que pensam demais, que adiam, que insistem, que permanecem. Estes cinco romances não celebram a queda nem procuram redenção. Observam o que acontece quando a vida falha e não se cumpre por inteiro. Viagem ao Fim da Noite, de Louis-Ferdinand Céline Ferdinand Bardamu atravessa a Primeira Guerra Mundial, o colonialismo e a pobreza europeia do pós-guerra sem que daí resulte qualquer aprendizagem. Ao longo da vida é soldado, emigrante, operário, médico, mas nunca protagonista de um percurso. Move-se porque as circunstâncias o empurram, não porque procure algo. Vive desencantado, sem horizonte claro. Viagem ao Fim da Noite, de Louis-Ferdinand Céline, tornou-se central na literatura moderna por recusar a ideia de que a experiência gera compreensão ou maturidade. Publicado em 1932, num período entre guerras, surge numa altura em que se esperava da literatura uma resposta moral aos males da sociedade. Céline faz o contrário. Mostra um mundo onde as instituições falham, o progresso técnico não corresponde a progresso humano e a guerra, o trabalho e a miséria se misturam sem redenção. Essa visão é inseparável do seu estilo, cuja linguagem, próxima da oralidade, fragmentada e irregular, marcada por um ritmo nervoso e um humor corrosivo, desafia a tradição literária francesa. COMPRO NA WOOK! » O Segredo de Joe Gould, de Joseph Mitchell Joe Gould fez parte da paisagem urbana de Nova Iorque nos anos 30. Dormia onde conseguia, vivia de dinheiro emprestado e passava grande parte do tempo a falar. À primeira vista, confundia-se com tantas outras figuras errantes da cidade, mas havia detalhes que o distinguiam. Para além de jurar que conseguia comunicar com gaivotas, apresentava-se como escritor e dedicava-se há anos a um projeto colossal: escrever a História Oral do Nosso Tempo, uma obra destinada a reunir todas as conversas da Humanidade. Joseph Mitchell, jornalista da revista The New Yorker, ouve falar deste personagem e decide conhecê-lo. O que começa por ser uma simples entrevista para uma reportagem transforma-se numa relação longa e ambígua que oscila entre o fascínio e a desconfiança. Durante anos, Mitchell convive com Joe e observa a consistência quase inalterada da ideia obsessiva que o consome. Mais do que investigar a veracidade do projeto, O Segredo de Joe Gould questiona o que significa organizar uma vida em torno de uma ideia megalómana. A crença numa obra aparentemente impossível de escrever estrutura a identidade de Gould, dá-lhe coerência e oferece-lhe um lugar no mundo. É essa fé inabalável que define a forma como escolhe viver, falar e permanecer à margem da sociedade. COMPRO NA WOOK! » A Consciência de Zeno, de Ítalo Svevo Zeno Cosini quer deixar de fumar e precisa de encontrar um sentido para a sua existência. O seu psicanalista aconselha-o a escrever as memórias, acreditando que compreender o passado poderá ser suficiente para corrigir o presente. A escrita, no entanto, revela-se tudo menos linear ou fiável. Zeno avança por episódios da sua vida marcados por decisões adiadas, vícios nunca abandonados e relações escolhidas mais por inércia do que por vontade própria. O tabaco surge como símbolo recorrente dessa lógica. Cada cigarro é sempre o último e cada tentativa de mudança é adiada por uma explicação plausível. O que se desenha ao longo do romance não é uma vida em colapso, mas um percurso em suspenso. Não há desenlaces nem descobertas demolidoras. Zeno pensa, analisa e interpreta, mas raramente age, encontrando na consciência uma forma de conforto. Em A Consciência de Zeno, Italo Svevo constrói o retrato de um homem incapaz de alinhar pensamento e ação, com uma vida que não corre mal o suficiente para exigir uma rutura, nem bem o suficiente para justificar satisfação. Vive, por isso, num limbo em que a tentativa de compreender o seu mundo substitui a decisão de agir sobre ele. COMPRO NA WOOK! » O Duplo, de Fiódor Dostoiévski Goliádkin é um funcionário público inseguro, atormentado pela imagem que projeta e desconfortável na presença de outras pessoas. Vive numa tensão constante entre aquilo que é e aquilo que gostaria de parecer. Esse clima de inquietação intensifica-se quando conhece um homem fisicamente idêntico que precipita a desintegração de um equilíbrio já frágil. O seu duplo é mais confiante, mais competente e, aos poucos, ocupa o lugar que parecia pertencer-lhe. Este livro, tal como outros que exploram o conceito de duplicidade, centra-se na fragmentação interior de um homem incapaz de sustentar uma versão coerente de si próprio. Em O Duplo, de Dostoiévski, tal como em O Homem Duplicado, de Saramago, o aparecimento do outro não cria o problema, torna-o visível e expõe um fracasso que não vem de fora, mas nasce no interior. COMPRO NA WOOK! » A Morte de um Apicultor, de Lars Gustafsson Um homem regressa à sua terra natal, consciente de que está gravemente doente, e decide registar num caderno memórias dispersas e as transformações de um corpo que se degrada de dia para dia. Através do diário, revê a vida que levou com uma atenção metódica, numa escrita contida, sem dramatismos, como se o fim não exigisse elevação, mas clareza. O relato funciona como inventário do que foi vivido, sem procurar redenção. Ao contrário de Zeno Cosini, que escreve para se explicar e encontrar uma lógica que o absolva, o protagonista de A Morte de um Apicultor limita-se a fixar o passado. A narrativa assenta na consciência de que a vida raramente corresponde à imagem que fazemos dela. Lars Gustafsson aborda essa constatação sem amargura: não ter sido excecional, não ter deixado marca, não ter cumprido uma promessa íntima de grandeza. O fracasso aqui não é escândalo nem queda, é um ajustamento necessário entre expectativa e realidade perante um fim anunciado. O diário transforma-se num balanço silencioso, onde a medida da existência já não é o que poderia ter sido, mas aquilo que simplesmente foi. COMPRO NA WOOK! »

O Segredo de Joe Gould

de Joseph Mitchell

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722062510
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: abril de 2017
Idioma: Português
Dimensões: 158 x 238 x 14 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 208
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722062510

SOBRE O AUTOR

Joseph Mitchell

Joseph Mitchell (1908-1996) foi um dos jornalistas da The New Yorker que certamente mais contribuiu para marcar o tom e o estilo desta mítica revista americana. Foi sobretudo através dos chamados Perfis, como o de Joe Gould, que Mitchell trouxe às páginas da revista uma infindável galeria de vencidos da vida, vagabundos, bêbados, artistas falhados, donos de bares, e ainda o dono de um circo de pulgas amestradas, uma mulher barbuda, um vendedor de baratas de corrida e outras personagens dos bairros populares e dos cais – gente de Nova Iorque, tão viva e imprevisível como a gente de Dublin de Joyce, ou as personagens de Gogol, dois escritores que ele muito apreciava.

Nascido na Carolina do Norte, Mitchell chegou a Nova Iorque aos vinte e um anos, em 1929. Durante nove anos, trabalhou para vários jornais da cidade, iniciando a sua galeria de tipos, que haveria de prosseguir na The New Yorker, onde entrou em 1938, e onde se manteve até à sua morte.

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