O Prisioneiro da Torre Velha

de Fernando Campos

editor: Difel, abril de 2003
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Fernando Campos regressa ao romance histórico com um livro que relata os momentos cruciais que antecederam a revolução de 1640. E conta a história servindo-se das palavras escritas pela figura central da obra, D. Francisco Manuel de Melo. "É um homem excepcional", diz o escritor. "Viveu repartido e sem pátria".

"A escrita primorosa de Fernando Campos é sempre um prazer para os olhos e para o espírito""
in, Expresso

""Escritores como este, já há poucos. Escrita como esta, cada vez mais rara.""
in, Diário de Notícias

"Sobre seis anos de morto estou agora enterrado de fresco. Primeiro meus inimigos disseram que matei, agora alegam que intentava fugir. Tomo ao céu e terra por testemunhas de que ainda hão de dizer que idolatro. Tire-me Sua Majestade daqui e mande-me para a prisão do Castelo de Lisboa, que se aposentou agora nesta Torre Velha o governador dela, Rui Lourenço, por via da guerra com os ingleses parlamentários. É forçoso que um de nós se sinta desacomodado e não é justo que seja ele. A primeira coisa que perdi em seis anos de prisão é a presente. Meu desejo se não estende a mais que a alcançar me mudem de prisão a prisão e não dela para a liberdade. Isto faz um corregedor nos presos do Limoeiro cada vez que lho pedem, passá-los da cadeia da corte para a da cidade e ao contrário. Não tenho já que vender nem que empenhar nem dinheiro para dar a barcos nem grãos a hóspedes. Que será de mim? Estou sobretudo doente de achaque que requerem cura imediata. Tenho dívidas, tenho legados a que dar satisfação. Ando em vésperas de fazer jornada larga e incerta. Que me mandem castigar no corpo, se o mereço, é santo, justo e bom; mas na alma nem na honra nem na consciência não parece idóneo. Um homem está fora de sua casa seis meses há mister um ano para a tornar a pôr na razão. Que farão seis anos? Jornada, mesmo para Santarém, necessita um homem de muitos dias para compor suas coisas. Eu não hei-de ir para Santarém…
Espero queira el-rei seja para o Brasil e não para a Índia e se acabe assim de limpar a terra de tão ruim coisa como eu…
E fico, como sempre, à espera. Sou tão fraco que, ainda tão continuado o sofrimento, o estranho. Mas uma gota de água continuada desbarata uma penha que resiste a uma bombarda por uma vez facilmente…

"Sobre seis anos de morto estou agora enterrado de fresco. Primeiro meus inimigos disseram que matei, agora alegam que intentava fugir. Tomo ao céu e terra por testemunhas de que ainda hão de dizer que idolatro. Tire-me Sua Majestade daqui e mande-me para a prisão do Castelo de Lisboa, que se aposentou agora nesta Torre Velha o governador dela, Rui Lourenço, por via da guerra com os ingleses parlamentários. É forçoso que um de nós se sinta desacomodado e não é justo que seja ele. A primeira coisa que perdi em seis anos de prisão é a presente. Meu desejo se não estende a mais que a alcançar me mudem de prisão a prisão e não dela para a liberdade. Isto faz um corregedor nos presos do Limoeiro cada vez que lho pedem, passá-los da cadeia da corte para a da cidade e ao contrário. Não tenho já que vender nem que empenhar nem dinheiro para dar a barcos nem grãos a hóspedes. Que será de mim? Estou sobretudo doente de achaque que requerem cura imediata. Tenho dívidas, tenho legados a que dar satisfação. Ando em vésperas de fazer jornada larga e incerta. Que me mandem castigar no corpo, se o mereço, é santo, justo e bom; mas na alma nem na honra nem na consciência não parece idóneo. Um homem está fora de sua casa seis meses há mister um ano para a tornar a pôr na razão. Que farão seis anos? Jornada, mesmo para Santarém, necessita um homem de muitos dias para compor suas coisas. Eu não hei-de ir para Santarém…
Espero queira el-rei seja para o Brasil e não para a Índia e se acabe assim de limpar a terra de tão ruim coisa como eu…
E fico, como sempre, à espera. Sou tão fraco que, ainda tão continuado o sofrimento, o estranho. Mas uma gota de água continuada desbarata uma penha que resiste a uma bombarda por uma vez facilmente…

O Prisioneiro da Torre Velha

de Fernando Campos

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722906692
Editor: Difel
Data de Lançamento: abril de 2003
Idioma: Português
Dimensões: 118 x 121 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 416
Tipo de produto: Livro
Coleção: Literatura Portuguesa
Classificação temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722906692
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável
Fernando Campos

Fernando Campos nasceu em 1924, em Águas Santas, concelho da Maia, nos arredores do Porto, e faleceu em 2017, em Lisboa. Estudou em Coimbra onde se licenciou em Filologia Clássica e foi professor no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa.
Para além de algumas obras didácticas e pequenas monografias de investigação etimológica e literária, é autor do romance histórico "A Casa do Pó", a sua primeira obra de fôlego a ser publicada e que o colocou entre os grandes escritores portugueses, a que se seguiram "Psiché", "O Homem da Máquina de Escrever","O pesadelo de Deus", "A Esmeralda Partida" (Prémio Eça de Queirós - 1995), "A Sala das Perguntas", "Viagem ao Ponto de Fuga", a "Ponte dos Suspiros" e "…que o meu pé prende…".
Algumas das suas obras estão traduzidas em França, Alemanha e Itália.

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