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O Perfume das Flores à Noite

de Leïla Slimani
Livro eBook
Editor: Alfaguara Portugal, março de 2022 ‧
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De uma das vozes mais estimulantes da literatura europeia, um texto magnífico, que combina uma viagem pela memória com uma reflexão instigante.

Como escritora que acredita que a verdadeira audácia vem do interior, Leïla Slimani não gosta de sair e prefere a solidão à distração. No entanto, aceita um inusitado convite para passar uma noite num museu em Veneza - um edifício mítico na Punta della Dogana. A noite insone acaba por ser o pretexto para a escritora deambular por outras paragens e outros tempos.

Percorrendo, de pés descalços, as salas e os corredores do museu, estimulada pelo perfume das damas-da-noite que a transportam para a infância em Rabat, Leïla Slimani fala-nos do belo e do efémero, da virtude do silêncio, da magia da criação artística, da solidão e do sacrifício da escrita. Acompanhada pelas palavras e histórias de outros criadores, como Virginia Woolf, Rilke, Montaigne, Murakami e Emily Dickinson, Leïla conduz o leitor por uma viagem intensa, uma reflexão iluminada e um desfile de memórias comoventes.

«Leïla Slimani transformou um desafio num livro necessário, numa petição a favor da literatura e da liberdade de si mesma, revelando o seu eu mais íntimo. Magnífico.»
Les Inrockuptibles

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A primavera é um lugar sem dono – II: Cesariny, Slimani e Turguêniev

Os livros que escolho nesta altura procuram relacionar-se com a primavera: com o gesto da abertura, o começo, o regresso da luz. E nem sempre a primavera é doce: há nela um sobressalto, uma urgência, uma inquietação que combina bem com certas leituras. Depois de Mrs. Dalloway, aqui ficam quatro livros que atravessam, cada um à sua maneira, esta estação de luz e sombra. São obras que evocam o florescimento, o desejo, o devir, e também a solidão, o tempo e o abismo que se esconde nos gestos mais leves. A primavera autónoma das estradas, de Mário Cesariny Aqui a primavera é errância, desejo e insubmissão. A linguagem é vertiginosa, e sobressai o erotismo do fora-da-lei, do que não aceita molduras.
As “estradas” de Cesariny são caminhos de fuga, mas também de criação: o espaço onde o corpo se liberta e o amor se escreve com desobediência.
Com poesia, ensaio, colagem e gesto performativo, lemos a deambular. A autonomia de que se fala é radical: a de ser, amar e escrever fora da norma.
Um livro para quem entende a primavera como insurreição do corpo e da linguagem. Um livro que denuncia a própria estrutura, na sua multiplicidade de formas, do soneto à prosa, à redondilha, às colagens. Profundamente surrealista, impede um efeito imediato e unitário de sentido.
No contexto pós-25 de Abril, este livro pode ser lido como um gesto de tomada de voz, não apenas política, mas ontológica. A Primavera é aqui o instante onde se reclama a autonomia do corpo, do desejo e da palavra. É um tempo libertado de calendários e fronteiras, onde a estrada é mais do que metáfora: é meio de transformação. A radicalidade formal da escrita, com uso de citações, cruzamento de línguas e estilos, faz do livro uma espécie de diário performativo da desobediência.
A poesia não é apenas afirmação de identidade: é também recusa.
A escrita de Cesariny rompe com a sintaxe normativa, subverte convenções e afirma uma poética do errante. COMPRO NA WOOK! » O Perfume das flores à noite, de Leïla Slimani Neste pequeno livro-confissão, Leïla Slimani escreve a partir de uma experiência muito concreta: uma noite solitária passada no Palazzo Fortuny, em Veneza, como parte de uma residência literária. Mas a noite transforma-se em espelho: Slimani evoca a infância em Marrocos, a maternidade, o medo, a sexualidade, o cansaço de ser «uma mulher árabe bem-sucedida». A primavera aqui não é cenário. Está no perfume das flores, no escuro que antecede o dia, na ambivalência entre recolhimento e exposição. A escrita de Slimani é direta, mas não simplista. Questiona a noção de autenticidade, o lugar da escritora no mundo, e como habitar um corpo que é, ao mesmo tempo, desejo e política.
A autora reflete sobre o corpo feminino, a maternidade, a solidão, a sexualidade, o medo e a tensão entre identidade pública e vida privada. A escrita é um lugar de busca e de exposição, mas também de defesa. A Primavera, se está presente, é como um gesto interno de abertura, que acontece apesar do silêncio.
Slimani dialoga com outras escritoras, como Marguerite Duras, e afirma uma posição crítica sobre o lugar da mulher na literatura e na sociedade.
A proposta do livro, centrada na reflexão sobre a criação artística, torna-se um pretexto para uma autoescrita íntima e inquieta, que se vai adensando com o avançar da noite. A noite, mais do que a primavera, é o tempo simbólico da obra. Mas o título evoca o florescimento noturno, a fragilidade do perfume, o que acontece no escuro.
O texto desenvolve-se num limiar entre o diário, o ensaio e a narrativa pessoal. O estilo de Slimani é direto, lúcido, despojado, mas nunca superficial.
O texto é tanto uma confissão quanto uma cartografia das inquietações de uma escritora que sabe que escrever é, muitas vezes, estar só com as perguntas. COMPRO NA WOOK! » Águas de Primavera, de Ivan Turguêniev Publicado em 1872, Águas de Primavera é um romance breve que condensa vários dos temas caros a Turguêniev: a memória, a juventude, a idealização do amor e a tensão entre ação e hesitação.
O protagonista, Dimitri Sanin, é um homem de meia-idade que, ao encontrar um objeto do passado, entra numa recordação de um amor intenso vivido em Frankfurt, num dia quente de Primavera, quando se apaixonou por Gemma Roselli.
Neste curto e delicado romance conhecemos Dimitri, o homem que recorda este episódio da juventude. A memória de Gemma, um beijo num jardim, uma decisão impensada, tudo isso compõe a narrativa. Turguêniev escreve com contenção e melancolia. A primavera aqui é o tempo da juventude, da possibilidade e também do erro. O livro é uma elegia àquilo que se perde, não por fatalidade, mas por hesitação, orgulho, cobardia. São as águas da estação e também as águas que arrastam: aquilo que passa, aquilo que não volta. A fluidez da água alude à inevitabilidade da passagem do tempo, e à irreversibilidade das decisões não tomadas. O romance situa-se entre a nostalgia e a crítica da inação — uma reflexão sobre o modo como os gestos não feitos moldam o destino…
A escrita de Turguêniev é sóbria, descritiva, emocionalmente subtil. A sua melancolia é civilizada, quase clássica. O amor é apresentado não como êxtase, mas como experiência formadora e, em última instância, dolorosa. O arrependimento funciona como eixo ético e psicológico da narrativa. COMPRO NA WOOK! »

O Perfume das Flores à Noite

de Leïla Slimani

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897845376
Editor: Alfaguara Portugal
Data de Lançamento: março de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 151 x 237 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 144
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897845376

Envolvente

CM

"O Perfume das Flores à Noite" cativou-me pela escrita (sempre) leve e envolvente de Leïla Slimani, mas surpreendeu-me de forma diferente do esperado. Entrei à procura de uma reflexão mais densa e encontrei um relato íntimo, meio contemplativo. Ainda assim, envolveu-me do início ao fim.

Escritora incrível!

Patrícia

O 3.° livro que leio desta escritora incrível. Ao contrário da crueza de “Canção Doce” e “No Jardim o Ogre”, este livro é um registo intimista e introspetivo da escritora que, seguramente, continuará a dar cartas neste mundo maravilhoso da escrita. O meu favorito até agora. ¿¿

Uma noite no museu

Paxi

Uma noite num museu... Faz a autora refletir sobre quem é , o que viveu, as diferenças culturais em que a sua vida esteve e está imbuída. Uma vivência como está também pode fazer despertar os medos que sempre lá estiveram e por tanto tempo se mantiveram escondidos. Conseguimos, através das questões que a autora levanta sobre si, questionar-nos.

O encarceramento voluntário, ou a solidão num espaço amplo e inusitado

Luísa Fresta

O título desta obra é auspicioso: o perfume das flores à noite (damas-da-noite, no caso) foi o escolhido pela autora, em memória dos cheiros da sua infância e das conversas com o pai, assim como da relação da planta com a cidade natal, Rabat. Não sabemos até que ponto as observações de Leïla se referem a pormenores estritamente ligados à realidade factual ou, sobretudo, à sua perceção. Como leitora, sou tentada a entender as suas afirmações dessa maneira: vinculadas à lembrança dos factos, das consequências, das sensações e do impacto da realidade sobre a sua vida. Um livro difícil de classificar, imprescindível, original, (também) sobre a angústia de escrever. Uma aula invulgarmente bela

introspetiva

Noémia Lopes

Neste livro, Leila Slimani adota uma postura bastante introspetiva, afastando-se um pouco do seu registo habitual. Aceitando o desafio de passar uma noite sozinha, fechada num museu em Veneza, a autora questiona a sua forma (e a de outros autores) de conceber a escrita. Trata-se de um registo intimista, onde revela como e onde vai buscar inspiração para as suas obras, evocando outros autores, tais como Virgínia Woolf, Rilke, Montaigne, Murakami, entre outros... São também referidos episódios da sua infância e adolescência em Rabat (Marrocos), a sua relação com o pai, bem como a sua vida familiar em Paris. Não sendo uma obra autobiográfica, Leila Slimani acaba por ser a personagem principal deste livro! Um livro interessante, de uma autora que nunca desilude. Recomendo vivamente!

Intimista

Igor Alberto Oliveira

Um registo bastante intimista, uma quase autobiografia, onde a autora discorre sobre o seu passado em Marrocos, o choque cultural da mudança para França, a relação parental, a luta feminista que sempre abarcou, e as marcas de um passado ainda tão presente na sua vida, refletindo-se tudo isso na sua obra.

SOBRE O AUTOR

Leïla Slimani

Leïla Slimani nasceu em 1981, em Rabat, Marrocos, numa família de expressão francófona. Aos 17 anos, partiu para Paris, onde estudou Ciências Políticas.
Antes de se dedicar à escrita, trabalhou como jornalista. Publicou o primeiro romance – No jardim do ogre – em 2014 e obteve imediato reconhecimento da crítica e dos leitores, conquistando o Prémio Mamounia.
Canção doce confirmou o seu lugar nas letras francesas e valeu-lhe a atribuição do prestigiado Prémio Goncourt, o mais importante prémio literário francês. Além dos romances, Leïla Slimani publicou vários livros de ensaio e opinião, e mantém atividade cívica em defesa dos direitos humanos.
Liderou uma campanha para ajudar as mulheres marroquinas a reclamar os seus direitos, o que lhe valeu o Prémio Simone de Beauvoir para a Liberdade das Mulheres.

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