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O Mundo Visto do Meio

Crónicas, seguidas de um Auto do século XX

de Conceição Lima
Livro eBook
Editor: Editorial Caminho, fevereiro de 2023 ‧
15,90€
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Estas crónicas, entre muitas outras excluídas do formato livro ou, simplesmente, retidas ainda numa zona de hesitação entre publicar e não publicar, foram transcorrendo ao longo dos dias, ao longo de anos, ao longo dos tempos de ofício de jornalista.

Umas acionadas por factos, considerados, por uma ou outra razão, relevantes e dignos de registo, outras filhas apenas de reflexões íntimas, subterrâneas congeminações, (in)frutíferas meditações, fundas palpitações.

Elas aí estão, finalmente, em páginas cronologicamente anichadas. O texto curatorial da VII Bienal de São Tomé e Príncipe foi acoplado, na presunção de que não ficaria muito deslocado do espírito de certas crónicas. O auto, a encerrar, foi uma decisão aventurosa, quiçá ousada em termos de enquadramento? Os leitores sentenciarão.
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Letras de São Tomé

Não foi fácil. Mas não há livro que a WOOK não tenha. Se, por um lado, reconhecemos escritores angolanos, moçambicanos e até cabo-verdianos, no que toca ao arquipélago por onde passa a linha do Equador e onde se fala português, a história é outra. Fomos à descoberta e o que encontramos vale a pena partilhar convosco. ESCRAVOS E HOMENS LIVRES
Está cá em casa para ser lido em breve. Trata-se de um romance histórico de um escritor santomense que nos fala de um momento importante da História de Portugal, São Tomé e Angola. Nele se conta que a D. José I não lhe agradava a quantidade de escravos negros que se via na metrópole e que, segundo ele, tiravam trabalho aos jovens portugueses, que se viam obrigados à ociosidade. Onde é que já ouvimos isto? Pois, de facto a História tende a repetir-se, ou o carácter dos homens não muda tanto ao longo dos séculos. O Marquês de Pombal acaba com a escravatura em Portugal em 1773 mas não há um plano de integração para os trabalhadores negros que por cá viviam. Entre Lisboa, Luanda e São Tomé, este romance fala-nos de um tempo que não é o nosso, mas onde encontramos pontos de contacto com algumas dimensões de reflexão que importa ter em conta hoje em dia. O MUNDO VISTO DO MEIO
Trata-se de uma série de crónicas da jornalista santomense Conceição Lima, uma das personalidades mais reconhecidas no arquipélago, com uma longa carreira em órgãos de comunicação do país e não só. Trabalha atualmente na área do jornalismo televisivo, mas o seu contributo como escritora e poetisa é também muito reconhecido dentro e fora de portas. Aqui encontramos um dos géneros mais ricos da escrita jornalística, a crónica, desta feita referente a um sem número de textos que a autora publicou na imprensa e que dizem respeito a reflexões sobre a atualidade, textos de caráter mais íntimo e meditativo. Sempre presente, é claro, a ideia da insularidade e a reflexão em torno da vida no arquipélago. ALDA ESPÍRITO SANTO – ESCRITOS
O que sabemos dos movimentos independentistas santomenses? Muito pouco. Mas houve uma mulher que se destacou e o seu nome é Alda Espírito Santo. Nascida em São Tomé, Alda foi para Lisboa tirar o Magistério Primário, mas a sua atividade por cá ultrapassou em larga escala o âmbito dos seus estudos. A PIDE prendeu-a em 1965, por conspiração com vista à criação de um movimento independentista em São Tomé, mas isso não lhe tolheu nem a esperança, nem a luta. Alda integrou alguns dos principais movimentos políticos anticolonialistas do arquipélago, muito antes do 25 de abril. A escrita de Alda clama das entranhas da Terra em nome da liberdade, tão desejada e tanto tempo adiada. O autor deste livro, que recolhe alguns dos mais belos poemas desta poetisa, escritora e ativista, presta aqui homenagem a uma das principais figuras do seu país. MARIAZINHA CALCINHA DE RENDA
Rufas Santo é um dos principais nomes a reter, quando se fala de produção literária santomense. O autor nasceu nas “ilhas do meio do mundo”, por lá estudou, mas foi em Cuba que se licenciou em Física, tendo depois voltado para São Tomé para lecionar também Matemática. Este seu livro de ficção fala-nos da vida do mercado “Feira Grande”, na capital, com as suas personagens típicas, como a própria Mariazinha ou o vendedor de bolo, que regressava todos os dias enchendo o mercado com o aroma dos bolos acabados de fazer. O livro passa-se dentro da saudade do cá e lá, onde de repente o Tejo se funde com o Água Grande, onde as paisagens vagueiam entre a grande cidade e os trópicos. TOMÉ BOMBOM
Este conto é uma delícia e dá vontade de ler e reler. É daqueles livros para crianças que também são muito queridos pelos adultos. Aqui encontramos Tomé e as suas dúvidas de criança quanto à origem dos bombons que a tia lhe leva de Lisboa. A proveniência do chocolate e a ideia de um regresso à origem para a entender melhor. A cultura do cacau tem tanto de bonito, como de triste. Basta pensar que, na extensa maioria dos casos, as crianças que trabalham nos campos não chegam a ver o produto que apanham transformado em chocolate. A menos que haja uma tia que traz bombons na mala e um pai que conte a história dele até chegar ao fruto.
Deixamos aqui um pequeno excerto do livro:
«Meu pai conta sempre que bombom vem do chocolate e chocolate vem do cacau e cacau veio de longe, longe, longe, mais longe que Cabo Verde… diz que foi português que trouxe, tia sabe? Tia vem do Lisboa sabe né?! E depois tia, quando voltar, traz bombom p’ra eu, traz "memo" né? Então eu "conta" a história toda, todinha "memo"…». A CURADORIA GERAL DOS SERVIÇAIS E COLONOS
Nesta autora, encontramos uma antropóloga, historiadora e académica cujo nome vale muito a pena reter. Atualmente pró-reitora da Universidade de São Tomé, onde também leciona, Maria Nazaré Costa leva a voz do arquipélago a espaços como a UNESCO, e o seu trabalho centra-se, também, na valorização do contributo da mulher rural para o desenvolvimento do país. Neste livro, encontramos um estudo muitíssimo interessante sobre os tempos seguintes à abolição da escravatura na ilha (1875) e à criação, o ano seguinte, da Curadoria Geral dos Serviçais e Colonos, órgão que deveria fazer a transição da mão-de-obra escrava para a serviçal. Responsável por fiscalizar a ação dos patrões, era com mão dura, também, que tratava os serviçais. É muito interessante perceber como todo o processo aconteceu, já que se trata de um período e de uma localização pouco estudados e por isso ainda desconhecidos da maioria.

O Mundo Visto do Meio

Crónicas, seguidas de um Auto do século XX

de Conceição Lima

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722131964
Editor: Editorial Caminho
Data de Lançamento: fevereiro de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 140 x 212 x 10 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 144
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Crónicas
EAN: 9789722131964

SOBRE O AUTOR

Conceição Lima

Conceição Lima (Santana, 8 de dezembro de 1961 - São Tomé, 15 de maio de 2026) foi uma poeta nascida na ilha de São Tomé.
Estudou jornalismo em Portugal. Em São Tomé e Príncipe trabalhou e exerceu cargos de direção na rádio, televisão e na imprensa escrita. Licenciou-se em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King’s College de Londres e mestre em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas em África, pela School of Oriental and African Studies (SOAS), de Londres. Foi durante vários anos jornalista e produtora dos Serviços de Língua Portuguesa da BBC.
Foi jornalista da TVS, Televisão São-Tomense. Tem poemas dispersos em jornais, revistas e antologias de vários países. Publicou na Caminho O Útero da Casa, A Dolorosa Raiz do Micondó e O Mundo Visto do Meio.

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