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O Manual dos Inquisidores

de António Lobo Antunes
Editor: Dom Quixote, setembro de 2023 ‧
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História do desmoronamento de uma família da alta burguesia do antigo regime, rica e considerada, centra-se na figura do patriarca, Dr. Francisco, influente e poderoso governante de Salazar, que fora director-geral, secretário de Estado e finalmente ministro.

A acção decorre em dois tempos distintos, separados pela revolução de 25 de Abril de 1974. O romance dá conta quer da vida das personagens durante o Estado Novo, tempo de opulência e de fortuna, quer da mudança drástica sofrida com a queda do regime fascista.

«Um autor com uma facilidade prodigiosa para enlaçar obras-primas,que dentro de cinco mil anos, em argila ou em pó de estrelas,continuarão a ser lidas com paixão.»
El País

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António Lobo Antunes – uma estranha força interior

António Lobo Antunes morreu hoje aos 83 anos, deixando um vazio raro na literatura portuguesa. Médico psiquiatra antes de se dedicar por inteiro à escrita, transformou a memória da Guerra Colonial, a violência íntima e a fragilidade humana em matéria literária de uma densidade inconfundível.
A sua obra, com mais de três dezenas de romances, marcou gerações pela forma como desmontava a linguagem, como escavava o labirinto interior e como recusava qualquer explicação fácil do mundo. Era, como tantos sublinham neste dia, um intérprete sensível da condição humana e um dos maiores escritores portugueses contemporâneos.
Os seus livros, marcados por memórias que regressam como feridas abertas e uma atenção radical ao sofrimento humano, deixam um legado maior do que o tempo de uma vida.

Na entrevista que concedeu ao wookacontece em 2020, e que agora recordamos, Lobo Antunes surge como sempre foi: frontal, irónico, cansado de entrevistas — “são um frete” — mas incapaz de fugir à verdade quando começava a falar. António Lobo Antunes – Foto © Georges Seguin (Okki), CC BY-SA 3.0 Durante essa conversa, quando lhe perguntámos se escrevia por gosto, respondeu-nos assim: «Não se pode dizer que seja por gosto. Não sei. É uma estranha força interior.»
Falou também da guerra, não como episódio histórico, mas como cicatriz permanente. A guerra ensinou-lhe a ver a morte de perto, e essa presença nunca o abandonou. A fé, quando surgia, era ambivalente: «Gostava de ter uma fé luminosa e tranquila e boa como tem um homem de quem eu gosto muito, que é o Frei Bento Domingues», disse. «Viver é difícil» disse, defendendo que «o Evangelho devia ser mudado. Em lugar de se pôr “no princípio era o verbo”, devia pôr-se “no princípio era a depressão”, que é o sentimento mais comum no Homem». De tal forma que «a depressão está sempre presente até à depressão final, que é a morte».
Havia humor, também. E o gosto pelos grandes escritores. E até ternura, quando mencionou o amigo Gabo, como quem fala de alguém que lhe ensinou a leveza possível no meio do peso do mundo.
Hoje, ao reler a sua obra e ao rever essa entrevista, percebe-se melhor o que perdemos: não apenas um escritor maior, mas alguém que acreditava que a literatura podia iluminar as zonas escuras da vida sem as domesticar. A sua morte deixa-nos órfãos de uma voz que não se preocupava em agradar, mas que sempre procurou compreender. E talvez seja essa a sua herança mais profunda: a de um homem que escreveu para escutar, e que escutou para sobreviver.
Pode também lê-la nesta edição da revista wookacontece. Entrevista de António Lobo Antunes ao wookacontece «ESCREVER É UMA COISA MUITO DIFÍCIL E EU FICO SEMPRE ESPANTADO POR HAVER TANTA GENTE A FAZER LIVROS»

O Manual dos Inquisidores

de António Lobo Antunes

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722077439
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: setembro de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 159 x 238 x 22 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 400
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722077439

SOBRE O AUTOR

António Lobo Antunes

António Lobo Antunes (Benfica, Lisboa, 1 de setembro de 1942 - 5 de março de 2026) foi um escritor e médico psiquiatra português.
Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria. Exerceu, durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra. Em 1970 foi mobilizado para o serviço militar. Embarcou para Angola no ano seguinte, tendo regressado em 1973. Em 1979 publicou os seus primeiros livros, Memória de Elefante e Os Cus de Judas, seguindo-se, em 1980, Conhecimento do Inferno. Estes primeiros livros são marcadamente biográficos, e estão muito ligados ao contexto da guerra colonial; imediatamente o transformaram num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos, no âmbito nacional e internacional. Todo o seu trabalho literário tem sido, ao longo dos anos, objeto dos mais diversos estudos, académicos ou não, e dos mais importantes prémios, nacionais e internacionais. A sua obra encontra-se traduzida em inúmeros países.

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