O Avesso da Tapeçaria
Notas sobre a arte da tradução
SINOPSE
A reencarnação de um texto em palavras que não são as originais é talvez uma das maiores provas do poder criativo do leitor. A tradução é a mais profunda e elevada forma de leitura. Penetrar num texto, desmontá-lo, reconstruí-lo com palavras e frases que obedecem às normas de outros ouvidos e de outros olhos é dar uma nova vida a esse texto, agora mais consciente das suas costuras e da sua dívida ao acaso e ao prazer. É por isso que escolho aqui falar da tradução em fragmentos que o próprio original desconsidera, ou rejeita, ou dos quais se envergonha — tudo aquilo que fica exposto (como Dom Quixote diz) no caótico avesso de uma tapeçaria. — Alberto Manguel «Até bastante tarde na minha infância, não soube que existia uma coisa chamada tradução.
Fui criado por uma ama checa, em inglês e alemão, e aprendi espanhol já com oito ou nove anos. Ao longo da infância, usei as minhas primeiras línguas indiscriminadamente, sem privilegiar uma em detrimento da outra, e nunca pensei nelas como reinos isolados com fronteiras rígidas que tivesse de atravessar. Para mim, a linguagem era uma espécie de Babel convivial constituída por vários conjuntos de palavras, diferentes em som e peso, mas semelhantes em sentido e valor. Só me apercebi de que não era assim para toda a gente quando um dia, na escola, sentindo-me inseguro no meu espanhol, falei com a professora argentina em inglês e recebi uma severa repreensão.
Foi assim que aprendi que existiam fronteiras linguísticas e que eu tinha de as respeitar. Nunca o consegui fazer.»
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789896718077 |
| Editor: | Tinta da China |
| Data de Lançamento: | dezembro de 2023 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 131 x 187 x 8 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 136 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Ensaios
|
| EAN: | 9789896718077 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Alberto Manguel,
Teresa Agostinho
Alberto Manguel nunca (me) desilude. No seu último livro editado em Portugal, “O avesso da tapeçaria”, cujo subtítulo chama a atenção para a “arte da tradução”, apresenta o ato de traduzir como a forma mais intensa de leitura, a (re)criação de um duplo do original, a outra leitura possível de um mesmo texto noutra língua, noutros contextos, noutros significados. Podemos também entender este livro como uma homenagem aos tradutores; os seus nomes são rapidamente esquecidos, mas são suas as palavras que compõem os livros que lemos. Manguel vai buscar o título deste livro a um excerto de Dom Quixote que diz “traduzir de uma língua para outra, [...] é como quem olha as tapeçarias flamengas do avesso, que, embora se distingam as figuras, estão cheias de fios que as obscurecem, e não se veem com a nitidez e a superfície delicada da face”.
Uma visão muito interessante sobre o papel dos tradutores
Alexandra
U Avesso da Tapeçaria lê-se quase de uma vez, não fosse a vontade de repetir algumas frases vezes sem conta, para as saborear bem. Numa escrita simples e poética, o autor leva-nos a viajar entre livros, épocas e significados de palavras. É um livro calmo, pequeno mas com muito para refletir.
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