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O Assassinato de Roger Ackroyd

Agatha Christie N.º 21

de Agatha Christie
Livro eBook
Editor: Edições Asa, março de 2023 ‧
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Roger Ackroyd sabia de mais. Sabia que a mulher que amava envenenara o primeiro marido, um homem terrível, e suspeitava que ela era vítima de chantagem. Quando ela é encontrada morta, Roger não se conforma com o relatório médico que aponta para suicídio. Quer encontrar respostas, mas alguém está disposto a impedi-lo. Nem que, para tal, tenha de o matar.

Perante mais um cadáver, o Dr. Sheppard, médico da aldeia, fala com o vizinho, um detetive reformado. A escolha não podia ser mais acertada pois o pacato vizinho é nem mais nem menos do que Hercule Poirot...
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Palavras Rebeldes

A literatura é uma construção feita de convenções, repetições e fórmulas. Muitas vezes, um género cristaliza-se ao ponto de se tornar previsível, uma espécie de partitura que o leitor reconhece logo nas primeiras páginas. Mas há livros que recusam essa previsibilidade, rompem o molde, subvertem as regras e reinventam a tradição que herdaram. São textos que mudam não apenas a forma como pensamos um género literário, mas também a maneira como nos aproximamos da leitura. Carmilla, de Sheridan le Fanu Um exemplo precoce desta rebeldia face ao cânone é Carmilla, de Sheridan Le Fanu. Publicado em 1872, vinte e cinco anos antes de Drácula, o romance apresenta a figura do vampiro (neste caso, uma vampira chamada Carmilla), como algo mais complexo do que o simples monstro insaciável que ataca de noite. Carmilla seduz, fascina e perturba, e a relação que estabelece com Laura, a narradora, é atravessada por um desejo insinuado que escapa às normas morais da época e que, ao mesmo tempo, serve de motor ao terror presente na obra. O romance gótico, até então dominado por castelos sombrios e ameaças externas, ganha uma dimensão interior. O medo instala-se no corpo, na intimidade e no desejo proibido. Ao introduzir essa ambiguidade, Le Fanu transforma a narrativa de vampiros num território fértil para pensar o interdito. A sexualidade feminina, a homoafetividade e a diluição das fronteiras entre vítima e predador são alguns dos temas abordados neste romance que não se limita a assustar, mas antes convida o leitor a espreitar o lado obscuro do desejo, aquilo que se queria ocultar e que, de repente, ganha forma na figura da vampira. Carmilla é, nesse sentido, uma narrativa entre o medo e a fascinação, entre a pureza e a transgressão, inaugurando o imaginário moderno do vampiro como criatura simultaneamente erótica e ameaçadora. COMPRO NA WOOK! » Gargântua & Pantagruel - Volume I, de Rabelais François Rabelais já explorava as fronteiras da ficção séculos antes de Le Fanu ter nascido. Gargântua & Pantagruel, publicado entre 1532 e 1564, resiste a qualquer categorização literária convencional. É, ao mesmo tempo, sátira, crónica e fábula grotesca, unindo crítica social e reflexão numa prosa expansiva e inventiva. Os gigantes que dão nome à obra vivem aventuras que oscilam entre a leveza cómica e a erudição rigorosa, mantendo o leitor em permanente surpresa através da escrita polifónica de Rabelais. Quem se aproxima de uma obra do século XVI espera encontrar ordem e disciplina literária, mas em Gargântua & Pantagruel depara-se com liberdade, excesso e multiplicidade de sentidos. Rabelais não se limitou a reinventar um género, pôs em causa a própria noção de enredo, mostrando que a literatura pode ser simultaneamente crítica, ousada e divertida. COMPRO NA WOOK! » A Oeste Nada de Novo, de Erich Maria Remarque Se Rabelais expande e Carmilla insinua, Erich Maria Remarque comprime. Em A Oeste Nada de Novo, publicado em 1929, a guerra deixa de ser palco de heroísmo para se tornar um território de devastação. Até então, o romance de guerra, herdeiro das epopeias antigas, ainda se alimentava de imagens de bravura, de honra e de glória nacional. Remarque desmonta esse imaginário através da voz de Paul Bäumer, um jovem soldado alemão lançado nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. O que o narrador regista não são feitos memoráveis, mas a rotina da lama, da fome e do medo. A morte não tem brilho, é apenas ausência. Ao trocar o tom épico por um tom íntimo, Remarque reconfigura o género bélico. Mostra que a guerra não é grandeza, mas dissolução da juventude e catalisadora de traumas coletivos. Depois dele, nenhum romance de guerra pôde ser escrito, e lido, da mesma forma. A sua escrita abriu espaço ao testemunho e à denúncia, não à celebração.
Em 2022, o livro deu origem a uma série de TV, cujo trailer pode ver aqui abaixo. COMPRO NA WOOK! » O Assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie Agatha Christie não seguiu o exemplo de Remarque ao matar a ideia de heroísmo. Em vez disso, matou a confiança que o leitor de literatura policial trazia consigo ao iniciar a leitura, sendo O Assassinato de Roger Ackroyd, escrito em 1926, um marco de viragem no género. Até então, os policiais viviam da promessa de clareza, ou seja, o crime era um enigma que o detetive, com lógica impecável, desvendaria no final. O leitor, guiado pela narrativa, tinha a garantia de que, no fim, tudo faria sentido. Mas Christie ousou romper esse pacto tácito com o leitor. Através de um narrador que manipula, omite e engana, a autora de Um Crime no Expresso do Oriente retirou ao leitor a sua segurança fundamental, a de confiar na voz que conta a história. A reviravolta final não é apenas a resolução do crime, é também um choque estrutural, um golpe no género. Depois de Christie, a literatura policial não pôde ser lida com a mesma inocência. Reinventar o género, aqui, significou questionar a relação de confiança entre o leitor e a narrativa. COMPRO NA WOOK! » Se Numa Noite de Inverno um Viajante, de Italo Calvino Décadas mais tarde, Italo Calvino levou ainda mais longe a desconfiança do leitor em relação ao próprio texto. Se numa noite de inverno um viajante, de 1979, não é apenas um romance pós-moderno, é uma meditação sobre o ato de ler. O livro começa quando um leitor se prepara para ler um romance de Calvino, mas esse romance é interrompido. O leitor, dentro do livro, procura continuar e, a cada tentativa, encontra apenas começos de histórias, nunca a sua conclusão. O resultado é um labirinto de inícios, um jogo que transforma a leitura em experiência fragmentada. O género literário, neste caso, não é subvertido, é dissolvido e desfeito em partes. O policial, o romance de espionagem, a narrativa histórica, entre outros estilos presentes no decorrer da trama, surgem apenas como ecos e fragmentos de algo que não tem conclusão. Calvino não oferece apenas um livro, mas uma reflexão sobre todos os livros, a de que ler é sempre começar, nunca terminar. COMPRO NA WOOK! » Se colocarmos estas obras lado a lado, percebemos que reinventar um género não é um gesto único, mas uma multiplicidade de movimentos. Rabelais expande até ao grotesco, Le Fanu insinua o proibido, Remarque desmonta o heroísmo, Christie mina a confiança e Calvino transforma a própria leitura em enigma. Cada um, à sua maneira, recusa o caminho já feito e obriga-nos a reaprender a ler.

O Assassinato de Roger Ackroyd

Agatha Christie N.º 21

de Agatha Christie

Propriedade Descrição
ISBN: 9789892357058
Editor: Edições Asa
Data de Lançamento: março de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 141 x 214 x 20 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 336
Tipo de produto: Livro
Coleção: Agatha Christie Juvenil
Classificação Temática: Livros em Português > Infantis e Juvenis > Literatura Juvenil
EAN: 9789892357058

Reviravolta impressionante!

Cátia

O meu livro preferido da autora, de sempre! Prende-nos do inicio ao fim e tem o final surpreendente, não poderia recomendar mais para amantes de mistério!!

Plot twist!!

Ana Silva

À parte do mistério em si (quem é o assassino??), esta história está escrita de forma magistral. Enganadoramente simples, a escrita de Christie é perspicaz, fluida e envolvente. Tem apontamentos de humor que não esperamos e comentário sobre a condição humana feitos casualmente. As descrições de personagens são acutilantes e sem grandes floreados, e eu conseguia vê-los com clareza na minha mente. O mesmo aconteceu com as descrições dos locais e objetos! Isto tudo sem ser maçador ou maçudo! Poirot não é propriamente uma figura afável ou que crie empatia, e a sua peculiaridade pode parecer até caricatural. Mas por isso mesmo é que esta personagem se tornou icónica! Não há igual! E a grande revelação, admito, foi surpreendente e muito bem trabalhada! Agatha Christie inventou este plot twist para que outros escritores o usassem de maneira errada!

Um dos melhores!

Edgar Bonito

O Assassinato de Roger Ackroyd é um dos melhores mistérios de Agatha Christie.

Um clássico do gênero

Pedro Medeiros

É o livro perfeito para quem quer se introduzir no universo de Agatha Christie e se apaixonar pelo gênero policial.

Surpreendente

SB

Foi o primeiro livro que li de Agatha Christie e num curto espaço de tempo já li mais 5 da mesma autora. O final do livro é algo inesperado, mas a leitura do livro foi viciante do início ao fim. Dos 6 livros já lidos, continua a ser o meu favorito.

SOBRE O AUTOR

Agatha Christie

Agatha Christie nasceu Agatha May Clarissa Miller, em Torquay, na Grã-Bretanha, em 1890. Durante a I Guerra Mundial, prestou serviço voluntário num hospital, primeiro como enfermeira e depois como funcionária da farmácia e do dispensário. Esta experiência revelar-se-ia fundamental, não só para o conhecimento dos venenos e preparados que figurariam em muitos dos seus livros, mas também para a própria conceção da sua carreira na escrita. Com o seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan, Agatha viajaria um pouco por todo o mundo, participando ativamente nas suas escavações arqueológicas, nunca abandonando contudo a escrita, nem deixando passar em claro a magnífica fonte de conhecimentos e inspiração que estas representavam.
Autora de cerca de 300 obras (entre romances de mistério, poesia, peças para rádio e teatro, contos, documentários, uma autobiografia e seis romances publicados sob o pseudónimo de Mary Westmacott), viu o seu talento e o seu papel na literatura e nas artes oficialmente reconhecidos em 1956, ano em que foi distinguida com o título de Commander of the British Empire. Em 1971, a Rainha Isabel II consagrou-a com o título de Dame of the British Empire. Deixando para trás um legado universal celebrado em mais de cem línguas, a Rainha do Crime, ou Duquesa da Morte (como ela preferia ser apelidada), morreu em 12 de janeiro de 1976. Em 2000, a 31st Bouchercon World Mistery Convention galardoou Agatha Christie com dois prémios: ela foi considerada a Melhor Autora de Livros Policiais do Século XX e os livros protagonizados por Hercule Poirot a Melhor Série Policial do mesmo século.

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