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Novelas Exemplares

de Miguel de Cervantes
Editor: Ulisseia, outubro de 2010 ‧
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Se Cervantes é apontado com o seu "Dom Quixote" como o pai do romance moderno europeu, não deixa de o ser também para o conto com estas "Novelas Exemplares", clássico maior da literatura universal que vê aqui a primeira tradução integral em língua portuguesa em mais de 60 anos. São histórias que expõem as virtudes e fraquezas humanas servindo de exemplo para o que se deve e não deve fazer. Próximo de "Decameron" e de "Contos de Cantuária" mas diferente e mais abrangente. Miguel de Cervantes é o pai do romance europeu com o seu "Dom Quixote" que ainda hoje é a referência de base em termos de estilo literário. Recentemente, aquando da celebração dos 400 anos do seu nascimento, as celebrações correram todo o mundo e o nome de Cervantes voltou à ordem do dia.

Novelas Exemplares

de Miguel de Cervantes

Propriedade Descrição
ISBN: 9789725686577
Editor: Ulisseia
Data de Lançamento: outubro de 2010
Idioma: Português
Dimensões: 162 x 229 x 44 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 536
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficção
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789725686577

Cervantes apenas

Rui Gonçalo

A escrita do homem que mudou o nosso entendimento sobre o que a novela poderá trazer de luminoso à tão de outra forma cinzenta opacidade em que as nossas rotinas e necessidades constantes de incentivo à descoberta de novidade nos afundam, merece ser lida. Uma prosa prodigiosa de alcance imensurável pelas sempre restritas métricas da ciência e estatística à arte, de trazer um ateu mas humano portanto sensível a acreditar no divino tal é o agraciamento que as musas despejaram em cima de uma só pessoa, uma que vale por todas, uma biblioteca com livros de Cervantes apenas seria, na minha modesta opinião, uma biblioteca completa. "Se não toca no divino Em alto, em raro, em grave e peregrino" Foi por tradição oral que durante quase toda a história da humanidade nos foi possível aprender e somar e somar até à comunhão do saber de hoje, com a invenção da escrita a perda de informação é reduzida e a erudição nasce e mestres como Cervantes estão aqui, sempre mais fora dos olhos do homem comum velado pela modernidade tecnológica, estão aqui para não deixar morrer a voz que grita sobre a necessidade de sentimento comunitário que sustenta a alegria do conto

SOBRE O AUTOR

Miguel de Cervantes

Romancista, dramaturgo e poeta espanhol. Foi o criador de "D. Quixote" (1605) e é considerado uma das figuras mais importantes da literatura espanhola. Nasceu em 1547, em Alcalá de Henares, Espanha, e morreu em 1616, em Madrid. Depois de ter estudado em Madrid, Cervantes partiu para a Itália e tornou-se soldado. Participou na batalha marítima de Lepanto, em 1571, na qual perdeu o uso da mão direita. Passadas muitas aventuras, incluindo cinco anos de captura nas mãos dos turcos, regressou a Espanha, em 1580.
Em 1585 escreveu "La Galatea", o seu primeiro livro de ficção, no novo estilo elegante da novela pastoral. Com a ajuda de um pequeno círculo de amigos, que incluía Luis Gálvez de Montalvo, o livro deu a conhecer Cervantes a um público sofisticado. As últimas edições em espanhol surgiram em Lisboa, em 1590, e em Paris, em 1611. Na mesma altura, durante a "idade de ouro" do teatro espanhol, também se dedicou ao drama. Em 1585 foi contratado para escrever peças para Gaspar de Porras. A que mais se destacou foi "La Confusa", considerada por Cervantes a melhor que alguma vez criou. Escreveu cerca de vinte ou trinta peças teatrais, mas apenas duas sobreviveram: "El Trato de Argel" e "La Numancia". Seguiu-se uma pausa na sua carreira literária. Depois de falhar como dramaturgo e de verificar que não conseguiria viver apenas da literatura, tornou-se comissário de aprovisionamento da Armada Invencível, em 1587.
Em 1604 Cervantes vendeu os direitos da primeira parte da novela "El ingenioso hidalgo Don Quixote de la Mancha". Em Janeiro do ano seguinte, a obra foi publicada e tornou-se um sucesso imediato. Em Agosto do mesmo ano, foram realizadas várias edições: duas em Madrid, duas em Lisboa e uma em Valência. Num curto espaço de tempo, o nome de Miguel de Cervantes passou a ser tão conhecido em Inglaterra, em França e em Itália, como em Espanha.
Em 1613 foram publicadas doze pequenas histórias, à maneira italiana, as "Novelas Ejemplares", cujo prólogo continha a única imagem autêntica do autor. No mesmo prólogo, Cervantes reivindica-se como o primeiro a escrever novelas originais em castelhano. Em 1614 foi publicado a "Viage del Parnaso", com o objetivo de glorificar um grande número de poetas contemporâneos e satirizar outros. É um longo poema alegórico, de escárnio mitológico e escrito em forma satírica, com um pós-escrito em prosa. Em 1615, depois de perder todas as esperanças de ver as suas peças em palco, oito delas foram publicadas em conjunto com oito interlúdios cómicos, com o título de "Ocho Comedias y Ocho Entremeses Nuevos". Posteriormente, esta obra foi reconhecida como uma das melhores do género. Em 1615 Alonso Fernández de Avellaneda, admirador de Lope de Vega, publicou, em Tarragona, a "Segunda parte del ingenioso Cavallero Don Quixote de la Mancha". No prólogo, Avellaneda insultou Cervantes que, como era esperado, lhe respondeu de uma forma mais comedida. Em 1616 a obra foi publicada em Bruxelas e em Veneza e, um ano depois, em Lisboa. A grande maioria das pessoas consideram esta segunda parte mais rica e mais profunda do que a primeira.
Nos últimos anos de vida, Cervantes trabalhou em várias obras, tais como "Bernardo", o nome lendário de um herói épico espanhol; "Semanas del Jardín", uma coleção de fábulas; e a continuação de "La Galatea". A única publicada postumamente foi "Los Trabajos de Pérsiles y Segismunda, história setentrional", em 1617. Nessa obra, Cervantes procurou renovar os romances heróicos de aventura e de amor, à maneira de "Aethiopica" de Heliodorus. Explorou, assim, o potencial mítico e simbólico do romance. Na dedicatória, escrita três dias antes de morrer, Cervantes despediu-se comovidamente, dizendo-se "com um pé já no estribo". Miguel de Cervantes morreu em 1616, possivelmente vítima de hidropisia, de arteriosclerose ou de diabetes, parecendo ter alcançado uma serenidade final de espírito.
© 2003 Porto Editora, Lda.

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