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Náufragos

Uma baleia, uma jangada, uma história de amor

de Sophie Elmhirst
Editor: Livros Zigurate, março de 2025 ‧
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A extraordinária história verídica de um casal à deriva no Oceano Pacífico durante 117 num relato revelador dos rituais que sustentam as relações. Poucas aventuras náuticas podem igualar a história verídica de Maurice e Maralyn Bailey pela sua combinação de coragem e de improvável romance. Sem sentimentalismo e com um ritmo perfeito, este é o melhor tipo de história: uma história verdadeira.
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Água viva

A água é origem e ameaça, bálsamo e corte. Flui por dentro das casas e das frases, como se o texto fosse um estuário onde desaguam memórias e perdas. Há mares que dão família e mares que a desfazem, há chuvas que abrem clarões na terra, maresias que gravam no corpo a coragem de resistir, correntes que puxam a escrita para um território sem margens. Em cada um destes livros, a água organiza a memória e a experiência: ora é genealogia (o mar como origem e segredo), ora é limite e provação (o mar que raspa o supérfluo e deixa o essencial), ora é política (o regime dos ciclones, dos terramotos, das migrações), ora é pura forma (a prosa que corre, sem margens fixas). Os filhos do Mar Alto, de Virginia Tangvald O livro de estreia de Virginia Tangvald, publicado em Portugal em 2025, tem a energia híbrida do romance-investigação, da memória e do relato marítimo. A autora nascida no mar alto, a bordo de um veleiro construído pelo seu pai, o navegador Peter Tangvald , regressa a um passado atravessado por viagens, barcos e mortes em água aberta. O pai, figura lendária e controversa, teve sete casamentos; duas mulheres morreram em circunstâncias trágicas; ele próprio morreria em naufrágio, em 1991, perto de Bonaire.
A autora transforma a biografia fragmentada da família: veleiros, desaparecimentos, mitologias de liberdade e risco, numa investigação íntima sobre herança e desejo de ancoragem.
Tangvald trata o oceano como um depósito de indícios: histórias, cartas, recortes, rumores, em que se tenta reconhecer a própria origem. A busca mapeia, com honestidade, a ambivalência do fascínio marítimo: liberdade e risco, ascese e narcisismo, desprendimento e irresponsabilidade. É por isso que o livro abriga um duplo movimento: ancorar uma identidade (dar nome ao que nos fez) e desancorar-se do mito (dizer não à repetição do dano).
Há uma tensão ética que percorre a narrativa: entre a aventura e o dano, entre a sedução do oceano e a sua economia de perdas. A própria escrita, que convoca um cânone marítimo (de Defoe a Melville e Baricco), recusa o conforto do romance de formação: prefere a prosa que deixa entrar o rumor das fontes e a poeira salina das versões.
Os Filhos do Mar Alto encena aquilo a que Steve Mentz chama “modernidade de naufrágio”: uma perceção histórica e íntima construída no intervalo entre catástrofes e aterragens precárias. O mar, aqui é uma tecnologia de vida e de escrita: um modo de organizar o sentido quando a terra firme escasseia. COMPRO NA WOOK! » Náufragos, de Sophie Elmhirst Uma baleia, uma jangada, uma história de amor: diz o subtítulo da edição portuguesa. Elmhirst reconta a verdadeira história de Maurice e Maralyn Bailey, o casal britânico que, depois do seu veleiro Auralyn ter sido abalroado por uma baleia, derivou quase quatro meses no Pacífico até ser resgatado por um pesqueiro sul-coreano. Em vez do épico de bravura, a autora insiste no laboratório íntimo: os rituais miúdos (cozinhar, registar, remediar), a divisão do trabalho, o compasso entre esperança e exaustão, a maneira como duas pessoas inventam um tempo habitável onde só há vastidão.
O livro é menos um épico marítimo do que um retrato de dois corpos na mesma maré: o amor como uma técnica de sobrevivência, o mar como personagem sem rosto que testa cada gesto. Há baleias, silêncio, fome e um calendário inventado; sobretudo, há a prova de que a água despoja até sobrar o essencial.
Náufragos trabalha o intervalo entre documento e leitura, memória e figura, o que foi e o que a narração faz disso.
A autora desloca a aventura para a esfera do cuidado e do casal, que testa as fronteiras entre autonomia e interdependência. A coragem não é heroísmo performativo, mas manutenção atenta: costurar remos, racionar água, inventar calendário, cuidar do outro. O oceano, longe de ser apenas antagonista, torna-se parceiro hostil de uma coreografia: cada gota contada, cada gesto repetido. COMPRO NA WOOK! » À Espera da Subida das Águas, de Maryse Condé Este romance acompanha Babakar Traoré; médico solitário, maliano, a viver em Guadalupe; na sequência de um parto funesto que lhe deixa uma recém-nascida nos braços. A água (chuva, mar, ciclones) desenha a cartografia do livro: Guadalupe, Haiti, África Ocidental. No Haiti, o enredo cruza o país com o duplo regime do desastre natural: o furacão Hugo (1989) e o terramoto de 2010, e o desastre político, num tecido de violência, corrupção e desamparo.
O gesto de Condé é nítido: em vez de um destino biológico, propõe uma comunidade eletiva: uma família fundada na responsabilidade, não no sangue. O romance fratura a imagem turística das Caraíbas e pensa o arquipélago como forma: ilhas dispersas, travessias, pertenças múltiplas. A prosa, enxuta e incisiva, trabalha o que poderíamos chamar uma antiepopeia da amizade e do cuidado: homens e mulheres que, em vez de pátrias, encontram alianças. Num plano mais histórico, o livro conversa com o pós-colonial: migração, heranças autoritárias, racismo, a inércia das metrópoles.
Ler Condé hoje também é gesto de luto e de reconhecimento. A escritora guadalupense morreu em abril de 2024, aos 90 anos. À Espera da Subida das Águas concentra muito da sua ética: uma literatura que recusa o exotismo e investiga, sem alívio, as políticas do sofrimento e da esperança, num mundo de marés desiguais. COMPRO NA WOOK! » Água Viva, de Clarice Lispector Se nos livros anteriores a água é sobretudo exterior – mar, tempestade, enchente –, em Clarice é forma. Água viva desarma a sintaxe do romance: não há capítulos, nem enredo convencional; o texto corre num contínuo, um agora insistente dito por uma narradora-pintora que tenta “pintar com palavras” o instante que foge. A crítica chamou-lhe, com razão, “romance sem romance”. A voz dirige-se a um “tu” indeterminado, que pode ser amante, leitor, Deus, corpo.
Água viva é, desde a génese, um livro sem alicerces fixos.
Em termos poéticos, trata-se de um experimento de perceção. A linguagem avança por unidades respiratórias (parágrafos como pinceladas), por tato, por ouvido: escuta-se a frase. Não há tese, há ritmo. Há um constante diálogo com a intermedialidade (pintura/música) e com uma ontologia aquática do corpo. COMPRO NA WOOK! »

Náufragos

Uma baleia, uma jangada, uma história de amor

de Sophie Elmhirst

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899216136
Editor: Livros Zigurate
Data de Lançamento: março de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 131 x 231 x 14 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 224
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Biografias
EAN: 9789899216136

SOBRE O AUTOR

Sophie Elmhirst

Sophie Elmhirst é uma escritora premiada. Em 2020, ganhou o Prémio da Imprensa Britânica para a Reportagem do Ano. Ganhou também um Prémio da Imprensa Estrangeira. Publica regularmente no Guardian Long Read e na revista 1843 da The Economist. Deparou-se com a história de Maurice e Maralyn Bailey na pesquisa para um artigo sobre o nosso desejo de fuga. Náufragos é o seu primeiro livro, tendo recebido por ele o Prémio Nero. Vive em Londres.

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