Não é Preciso Gritar

de Eduarda Chiote
Editor: Campo das Letras, setembro de 2008 ‧
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Eduarda Chiote regressa à ficção com «Não É Preciso Gritar» com a mesma violência onde "se precipita o amor e o desencontro".

"Altíssimas vozes percorriam, nessa manhã, as paredes do quarto. Altos gritos por Clara.
Pela que não adormeceria mais, ali, antes do almoço, abraçada à preguiça. A não ser que a janela do quarto abrisse numa rajada, e o sangue dos pulsos da mulher, solto, voasse.
Cá fora.
Então, se acesos, os braseiros, na rua; e libertado, dos carvões, o fumo: talvez este, satânico, (aos gritos), os esmagasse.
Acre.
Tal como às peças de roupa o frio e na soldadura das cordas enregeladas; ou a pele escorregadia no gelo que, nas ruas, faz, da superfície das calçadas, um resvalar de passos traiçoeiro.
Passos.
Em direcção a Clara.
Clara!
Alta traição de Clara.
Gritos por Clara se ouvindo na frontaria da casa. No talho. Hoje, esta manhã, fechado.
O talho.
Onde.
Não mais os golpes certeiros da Maria Rapaz.
A que esfolava cabritos e coelhos. Depenava, ainda ferventes, patos e galinhas; cortava o osso de vitela à machadada."

Não é Preciso Gritar

de Eduarda Chiote

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896253233
Editor: Campo das Letras
Data de Lançamento: setembro de 2008
Idioma: Português
Dimensões: 134 x 208 x 33 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 228
Tipo de produto: Livro
Coleção: Campo da Literatura
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789896253233

SOBRE O AUTOR

Eduarda Chiote

Eduarda Chiote (Bragança, 1930). Viveu no Porto, em Ovar e em Lisboa, regressando há pouco tempo ao norte do país. Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Lisboa, foi diretora de um Centro de Psicotecnia e gerente de uma empresa ligada ao cinema, onde trabalhou também como guionista.
Estreou-se na literatura, em 1974, com o livro Esquemas (ed. Limiar).
É uma das autoras mais originais e corajosas do nosso tempo, com uma lucidez impressionante e um espírito de enorme inconformismo e sarcasmo.
Obra publicada (poesia): Esquemas (1974, Limiar); Estilhaços, A jovem Poesia Portuguesa (1979, Limiar); Travelling (1983, Oiro do Dia); Altas Voam Pombas (1983, &etc); A Preços de Ocasião (1987, &etc); Branca Morte (1994, &etc); A Celebração do Pó (2002, Asa); Não Me Morras, (2004, &etc); O Meu Lugar à Mesa (2006 - Prémio Teixeira de Pascoaes – Quasi); Órgãos Epistolares (2010, Afrontamento); Fiat Lux (2017, Afrontamento); A Felicidade das Pedras (2020, Sempre-em-Pé); Sábio Temor (2022, Língua Morta); A Frágil Reparação da Minha Morte – Antologia 1974-2023 (2023, Officium Lectionis).

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