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Morte de Judas seguido de O Ponto de Vista de Pôncio Pilatos

de Paul Claudel
Editor: Sistema Solar, julho de 2022 ‧
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Proponha-se para estes textos uma leitura menos comprometida. Aceitem-se as provocações de subtil humor a diversas seriedades instituídas pela fé cristã. Os apóstolos fartaram-se até ao tédio de testemunhar milagres? Os paralíticos milagrados podem ter saudade das suas muletas? Simão Pedro, aquele pobre lamuriento? Maria Madalena (Miriam de Magdala) tão fútil?… Reabilitar Judas foi por diversas vezes um ponto preferido dos adversários da Igreja. Mas a habilidade de Claudel ironiza alguns pontos de honra da fé cristã com a caução indesmentível do seu catolicismo de missa diária e de uma obra literária tão atenta às palavras da Bíblia.

«Este Claudel ligado à diplomacia viveu em Nova Iorque e Boston; esteve em várias cidades da China — o que lhe deu oportunidade para as belas prosas poéticas de Connaissance de l’Est (1900) e de L’Oiseau noir dans le soleil levant (1927); e a este desfile de honrosos cargos de embaixada acrescentemos Praga, Roma, Rio de Janeiro, Tóquio, Copenhaga, Washington…
A sua imagem começou, com este fervoroso catolicismo associado às honras de uma bem-sucedida carreira diplomática, a ser roída por uma sonora animosidade; o Claudel-poeta-dramaturgo-ensaísta-prosador, que surgia enfeitado com fortes brilhos de Estado, era católico de missa diária e fazia-o com uma exibição que parecia mentirosa perante as realidades sociais da sua vida; mas também complicava um pouco as vontades de maledicência, por não ser fácil negá-lo como grande poeta.
Isto não impediu que bastantes personalidades da literatura francesa o tivessem deixado ferido por incomodadas memórias. André Gide, seu inimigo de estimação, dizia que Claudel «era um senhor iludido, a julgar que se chegava ao Céu numa carruagem-cama»; Claudel respondia, dizendo que «Gide era um senhor que ia chegar ao Inferno de metro». Réplicas como estas circulavam como pormenor picante na conversa dos meios literários de Paris; mas, bem mais elucidativo e duradouro, é o que ficou escrito.»
Aníbal Fernandes

Morte de Judas seguido de O Ponto de Vista de Pôncio Pilatos

de Paul Claudel

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895680283
Editor: Sistema Solar
Data de Lançamento: julho de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 205 x 7 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 96
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895680283

SOBRE O AUTOR

Paul Claudel

Poeta francês, dramaturgo e diplomata, cujo trabalho mostra a influência do Catolicismo, de S. Tomás de Aquino e Dante. De todos os seus trabalhos é de destacar Cinq Grandes Odes - Cinco Grandes Odes - (1910) e Les Soulier de Satin - O Sapato de Santanás - (1929).
Nasceu em Villeneuve-sur-Fère-en-Tardenois, em Aisne (cidade onde se desenrola a peça), no seio de uma família de fazendeiros de classe média.
Após terminar os seus estudos, em Paris, tornou-se diplomata em 1898. Dois anos depois entrou para a Abadia de Ligugé como oblata da ordem Beneditina.
Casou-se em 1906 com Sainte-Marie Perrin e dado que era diplomata passou a maior parte dos anos, até 1934, fora de França: América, China, Brasil, Itália, entre outros, e já como embaixador em Tóquio e Washington (1927-1933) e, finalmente, em Bruxelas. Em 1935 retirou-se para o seu castelo em Brangues (Isêre).
Apesar da oponência Nazi, Paul Claudel consegue escrever uma Ode triunfal para Pétain, em 1940, e outra, mas desta vez para o General De Gaulle, em 1944, sem ser acusado de oportunismo. Em 1944 foi eleito para a Academia Francesa e no dia 1 de Maio de 1950 foi honrado pelo Papa numa cerimónia pública e inaudita.
Morreu em Paris em Fevereiro de 1955.

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