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Matadouro Cinco

de Kurt Vonnegut
Livro eBook
Editor: Alfaguara Portugal, dezembro de 2022 ‧
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Um dos mais importantes romances de sempre sobre o absurdo da guerra.

Dresden, 1945: escassos meses antes do fim da guerra, a cidade é bombardeada até à destruição total, dezenas de milhares de pessoas mortas numa só noite. Escondido na cave de um matadouro, conhecemos Billy Pilgrim, jovem protagonista desta narrativa, que, como Kurt Vonnegut, foi feito prisioneiro de guerra pelo exército alemão e sobreviveu ao bombardeamento.

Com ele embarcamos numa odisseia que atravessa vários tempos - passado, presente e futuro -, como se Pilgrim imitasse o caminho percorrido por qualquer vida destroçada, procurando sentido na inevitável falibilidade humana.

Kurt Vonnegut escreveu sobre um dos episódios mais atrozes da Segunda Guerra Mundial, fazendo uso de um olhar e de uma técnica inesperados: ao lado do horror, o riso; ao lado do medo, a ternura; ao lado da indiferença, a esperança. Demorou vinte anos a transformar a sua experiência num romance sobre a guerra que fosse diferente de todos os outros. O resultado é uma obra-prima.

Clássico absoluto da literatura do século XX e um dos mais importantes romances antibélicos de sempre, Matadouro Cinco consagra Kurt Vonnegut como uma das grandes vozes da ficção americana.
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A arte de não pertencer

Embora alguns livros se enquadrem numa categoria específica, há outros que resistem a rótulos, provocando verdadeiras dores de cabeça a leitores que gostam de ver as suas estantes bem arrumadas. São obras que, por várias razões, fogem ao convencional e misturam estilos, flutuam entre géneros ou, em casos extremos, desafiam a própria ideia de “livro”. Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes Cervantes viveu na época dourada dos romances de cavalaria. Estas histórias não eram muito diferentes entre si, sempre protagonizadas por cavaleiros heroicos que atravessavam o mundo em defesa da honra, da justiça e, claro, de uma donzela em apuros. À primeira vista, Dom Quixote parece apenas mais um exemplar dessa tradição: Quixote é um cavaleiro que percorre a Espanha montado no seu cavalo, Rocinante, acompanhado pelo fiel escudeiro Sancho Pança, em nome da sua amada Dulcineia. Mas Miguel de Cervantes apresenta-nos algo completamente diferente. Na verdade, Quixote é um velho fidalgo que, depois de ler muitos romances de cavalaria, perde a noção da realidade e passa a acreditar que o mundo funciona segundo os valores e os códigos dessas histórias. A sua “loucura” nasce da leitura apaixonada e obsessiva, que transforma estalagens em castelos, moinhos em gigantes e criadas em princesas. Ele não é um cavaleiro típico, é um leitor que tenta viver dentro dos livros que gosta, num mundo que não existe. É nesta distância entre a fantasia literária e a dureza do real que Cervantes constrói uma obra que não repete o género, desmonta-o com humor, melancolia, metalinguagem e crítica social. Dom Quixote é uma comédia, é uma tragédia, é sátira, homenagem, narrativa de aventuras e ensaio filosófico. É um livro inclassificável que, ao combinar géneros, inaugura a modernidade literária ao recusar um rótulo. QUERO LER! » Meridiano de Sangue, de Cormac McCarthy Meridiano de Sangue, de Cormac McCarthy, é outra obra difícil de classificar. Parece um western, mas subverte o género e vai muito além de uma simples história de cowboys. A narrativa acompanha um jovem, conhecido apenas como "o rapaz", que se junta a um grupo de caçadores de índios liderado pelo enigmático juiz Holden. Ao longo da narrativa, McCarthy combina a brutalidade de uma história de aventura com reflexões sobre violência, moralidade e natureza humana. Além disso, a figura do juiz Holden introduz no romance elementos de fantasia, dada a natureza quase sobrenatural da personagem, que parece encarnar as forças do caos e da destruição. A escrita poética e imersiva dá ao livro uma dimensão épica, ao mesmo tempo que explora temas como o poder, a guerra e a História. QUERO LER! » Matadouro Cinco, de Kurt Vonnegut Kurt Vonnegut combateu na Segunda Guerra Mundial e estava em Dresden quando, em 1945, a cidade alemã foi bombardeada pelos Aliados. Sobreviveu por acaso, escondido num matadouro subterrâneo chamado Schlachthof-fünf (Matadouro Cinco). Anos mais tarde, decidiu escrever sobre essa experiência traumática, recorrendo a factos verídicos, mas também à imaginação e ao humor negro. O resultado é uma obra desconcertante, que mistura géneros improváveis, como a ficção científica, o drama de guerra e a autobiografia. Matadouro Cinco é sobre Billy Pilgrim, um prisioneiro de guerra que viaja no tempo e no espaço, testemunha várias guerras e, entre episódios, é raptado por extraterrestres que o levam para um planeta distante, onde passa a viver numa espécie de jardim zoológico humano. A narrativa oscila entre o absurdo e a melancolia, o cómico e o trágico, construindo um romance difícil de classificar sobre o horror e a estupidez da guerra. QUERO LER! » A Possibilidade de uma Ilha, de Michel Houellebecq Michel Houellebecq é um autor polémico, conhecido tanto pelo estilo provocador como pela escrita crua e desencantada. Em A Possibilidade de uma Ilha, conhecemos Daniel, um humorista cínico que vive num futuro onde a clonagem é usada como resposta à morte e ao sofrimento. A narrativa alterna entre o presente e um tempo distante, em que os seus sucessivos clones vivem isolados e refletem sobre o amor, a solidão e o fim da Humanidade tal como a conhecemos. Houellebecq transforma a ficção científica numa meditação existencial, questionando a obsessão contemporânea com a juventude, o prazer e a imortalidade. Em vez de procurar respostas, o romance expõe feridas: o tédio moderno, a desumanização tecnológica e a procura de sentido. Com muita ironia e melancolia, A Possibilidade de uma Ilha, confronta-nos com uma imagem desconfortável, mas familiar, daquilo em que nos estamos a tornar. QUERO LER! » O Jogo do Mundo, de Julio Cortázar Há escritores que não se contentam apenas em combinar géneros e decidem subverter a estrutura do romance. O Jogo do Mundo, de Julio Cortázar, é um exemplo paradigmático de romance experimental, ao conceder ao leitor um papel ativo na construção da narrativa. Longe de ser um recetor passivo, o leitor torna-se coautor da experiência literária. O livro pode ser lido de duas formas: seguindo a sequência tradicional, capítulo a capítulo, da primeira à última página; ou segundo a ordem proposta pelo autor, que resulta numa história não linear e mais fragmentada. A ideia que temos do enredo e das personagens muda consoante o caminho escolhido. Cortázar funde elementos surrealistas e existencialistas ao explorar temas como o amor, a solidão e a loucura. Com uma linguagem inovadora e uma estrutura desconstruída, esta obra transcende os limites dos géneros literários, e proporciona uma experiência interativa e única, que desafia o leitor a questionar a realidade.
QUERO LER! » Todos estes livros oferecem mais do que histórias. Desafiam os limites impostos por géneros e pela estrutura tradicional do romance, e abrem caminho a novas formas de ler e de escrever. Afinal de contas, é bom existirem livros que nos obrigam a reorganizar prateleiras.

Matadouro Cinco

de Kurt Vonnegut

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897847134
Editor: Alfaguara Portugal
Data de Lançamento: dezembro de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 151 x 235 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 216
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897847134

Desconcertante

Rui Antunes

Como abordar um tema tão sensível como a guerra e as inúmeras vítimas (entre mortos, feridos e traumatizados) de uma forma que não pretende sobrecarregar quem por isso passou mas apresentá-lo numa perspectiva diferente, em que o atroz é substituído pelo cómico? Este livro parece ser a resposta do autor a esta pergunta. Vale sobretudo pela originalidade.

Uma visão diferente da guerra

Rita Oliveira

A experiência de um prisioneiro da II Guerra Mundial mistura ficção científica, autobiografia e crítica social através de viagens pelas suas memórias no tempo. Uma crítica à guerra, escrita de uma forma completamente diferente do que estamos habituados.

Ironia em tempos de guerra

Raquel Coelho

Um livro sobre o terror da guerra cheio de ironia e escrito de forma aparentemente leve, mas que dá que pensar.

SOBRE O AUTOR

Kurt Vonnegut

Kurt Vonnegut (1922-2007) nasceu em Indianápolis, nos Estados Unidos, descendendo de emigrantes alemães que chegaram ao país no século XIX.
Por influência do pai, estudou Bioquímica na Universidade de Cornell, embora tivesse mais interesse nas Humanidades. Alistou-se no Exército em 1943.
Pouco depois do suicídio da mãe, foi enviado para a Europa, combatendo na Batalha das Ardenas.
O seu esquadrão acabou por ser dizimado pelas forças alemãs. Como prisioneiro de guerra, seguiu para Dresden, na Alemanha, onde viveu num matadouro e trabalhou numa fábrica alimentar.
Em 1952 publicou Player piano, o seu romance de estreia.
A crítica sentiu-se desconcertada, desde o começo, perante um escritor que não encaixava nos géneros mais canónicos nem nos estilos mais em voga.

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