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Maestro e Etnógrafo Vergílio Pereira

Entre a descoberta do folclore e o compromisso de transformação social

de Maria do Rosário Pestana
Editor: Edições Colibri, dezembro de 2019 ‧
15,00€
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Dando início à série Músicos Ocultos, este estudo biográfico analisa itinerários de Vergílio Pereira pelo canto em coro amador e etnografia musical, em meados do século XX. Partilhando com o republicanismo um ideal utópico de transformação social Vergílio Pereira interveio na sociedade que lhe era contemporânea, instigando reformulações no pensamento e nos valores dominantes, fosse com a vivência exemplar de novos sentidos sociais e identidades proporcionada pela performance do canto coletivo amador, ou com a etnografia extensiva da música folclórica.

«Esta monografia sobre Vergílio Pereira ancora-se num conjunto alargado de fontes primárias, a maioria das quais, até agora, desconhecida pelos estudiosos. a análise destas fontes traz à tona as ideologias, a agentividade de indivíduos e instituições e o seu papel na configuração, sustentação e articulação dos movimentos folclórico e orfeónico em Portugal.»
Salwa Castelo-Branco

Maestro e Etnógrafo Vergílio Pereira

Entre a descoberta do folclore e o compromisso de transformação social

de Maria do Rosário Pestana

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896898601
Editor: Edições Colibri
Data de Lançamento: dezembro de 2019
Idioma: Português
Dimensões: 159 x 229 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 150
Tipo de produto: Livro
Coleção: Músicos Ocultos
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Biografias
EAN: 9789896898601

Uma faceta de Vergílio Pereira

Alvaro Lira

Os elogios ao livro já foram todos feitos. A minha contribuição terá que ser realizada noutro sentido: Eu tenho 84 anos e conheci pessoalmente o Maestro Vergílio Pereira. Privei com ele, particularmente, em duas circunstâncias: fiz parte do "Coro" que cantou a 9ª Sinfonia de Beethoven no Teatro Rivoli do Porto em 1955 sob a direcção do Maestro Ino Savini, mas cujo trabalho de preparação do "Coro" coube, fundamentalmente, ao Maestro Vergílio Pereira. Acompanhei-o também nas suas recolhas etnográficas, por mais de uma vez, quando trabalhava no seu sonhado "Cancioneiro Raiano", nas deslocações a Vilarinho da Furna. Aí chegados, junto ao "lavadouro" ele reunia as mulheres e, amavelmente, entusiasmava-as a que cantassem. Em breve elas próprias se empolgavam e então, o Maestro tirava do bolso umas folhas de papel, que no princípio nem pautas de música eram, e começava a escrever à medida que as melodias iam saindo naturalmente daquelas bocas. Eu, que nunca soube escrever música, ficava admirado com a facilidade e velocidade com que o Maestro escrevia a música que ouvíamos. No princípio, era ele próprio que riscava as linhas da pauta. Foi nesta forma primária que a recolha começou. Mais tarde, as pautas já vinham impressas e o Maestro pode mesmo dispor de um gravador Grundig, julgo que pertencente à Fundação Gulbenkian. Mas a presença do aparelho, ao contrário do que se poderia pensar, inibia as cantadeiras, e não as deixava tão à vontade. Os filhos do Maestro, mais próximos da minha geração, o Virgílio Augusto e o Virgílio Armando, gémeos, e meus amigos já falecidos, acompanharam-nos várias vezes nestes saborosos e saudosos episódios. Deste trabalho extraordinário nasceu a publicação em 1957 de "Corais Geresianos", onde algumas das cantigas são verdadeiramente notáveis, designadamente a "Cantiga das Malhadas", com uma complexa estrutura musical, e que o Maestro entendia como a primeira contribuição para o tal trabalho mais vasto, o seu sonhado "Cancioneiro Raiano". Parabéns, pois, à autora Prof. Doutora Maria do Rosário Pestana, por este valioso contributo que traz o nome de Vergílio Pereira a um público que, provavelmente, o não conhece.

SOBRE O AUTOR

Maria do Rosário Pestana

Doutorada em Etnomusicologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa é Professora Auxiliar e integra o Instituto de Etnomusicologia, Centro de Estudos em Música e Dança. Desenvolve investigação de arquivo e de campo que resultou em publicações sobre: folclore e folclorização, música e migração, comunidades musicais, associativismo musical e indústrias culturais. Publicações recentes incluem a coordenação editorial dos livros Cantar em coro em Portugal (1880-2014): protagonistas, contextos e percursos (2015) e Cantar no Alentejo: a terra, o passado e o presente (2017, com Luísa Tiago de Oliveira). Coordena atualmente os projetos "A nossa música, o nosso mundo: Associações musicais, bandas filarmónicas e comunidades locais (1880-2018)" e "Práticas sustentáveis: um estudo sobre o pós-folclorismo em Portugal no século XXI", financiados pela FCT e o Balcão2020.

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