Maestro e Etnógrafo Vergílio Pereira
Entre a descoberta do folclore e o compromisso de transformação social
SINOPSE
CRÍTICAS
«Esta monografia sobre Vergílio Pereira ancora-se num conjunto alargado de fontes primárias, a maioria das quais, até agora, desconhecida pelos estudiosos. a análise destas fontes traz à tona as ideologias, a agentividade de indivíduos e instituições e o seu papel na configuração, sustentação e articulação dos movimentos folclórico e orfeónico em Portugal.»
Salwa Castelo-Branco
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789896898601 |
| Editor: | Edições Colibri |
| Data de Lançamento: | dezembro de 2019 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 159 x 229 x 9 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 150 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Músicos Ocultos |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Biografias
|
| EAN: | 9789896898601 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Uma faceta de Vergílio Pereira
Alvaro Lira
Os elogios ao livro já foram todos feitos. A minha contribuição terá que ser realizada noutro sentido: Eu tenho 84 anos e conheci pessoalmente o Maestro Vergílio Pereira. Privei com ele, particularmente, em duas circunstâncias: fiz parte do "Coro" que cantou a 9ª Sinfonia de Beethoven no Teatro Rivoli do Porto em 1955 sob a direcção do Maestro Ino Savini, mas cujo trabalho de preparação do "Coro" coube, fundamentalmente, ao Maestro Vergílio Pereira. Acompanhei-o também nas suas recolhas etnográficas, por mais de uma vez, quando trabalhava no seu sonhado "Cancioneiro Raiano", nas deslocações a Vilarinho da Furna. Aí chegados, junto ao "lavadouro" ele reunia as mulheres e, amavelmente, entusiasmava-as a que cantassem. Em breve elas próprias se empolgavam e então, o Maestro tirava do bolso umas folhas de papel, que no princípio nem pautas de música eram, e começava a escrever à medida que as melodias iam saindo naturalmente daquelas bocas. Eu, que nunca soube escrever música, ficava admirado com a facilidade e velocidade com que o Maestro escrevia a música que ouvíamos. No princípio, era ele próprio que riscava as linhas da pauta. Foi nesta forma primária que a recolha começou. Mais tarde, as pautas já vinham impressas e o Maestro pode mesmo dispor de um gravador Grundig, julgo que pertencente à Fundação Gulbenkian. Mas a presença do aparelho, ao contrário do que se poderia pensar, inibia as cantadeiras, e não as deixava tão à vontade. Os filhos do Maestro, mais próximos da minha geração, o Virgílio Augusto e o Virgílio Armando, gémeos, e meus amigos já falecidos, acompanharam-nos várias vezes nestes saborosos e saudosos episódios. Deste trabalho extraordinário nasceu a publicação em 1957 de "Corais Geresianos", onde algumas das cantigas são verdadeiramente notáveis, designadamente a "Cantiga das Malhadas", com uma complexa estrutura musical, e que o Maestro entendia como a primeira contribuição para o tal trabalho mais vasto, o seu sonhado "Cancioneiro Raiano". Parabéns, pois, à autora Prof. Doutora Maria do Rosário Pestana, por este valioso contributo que traz o nome de Vergílio Pereira a um público que, provavelmente, o não conhece.
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