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Karl Marx: O 18 de Brumário de Louis Bonaparte

de Karl Marx
Editor: BCF Editores, novembro de 2024 ‧
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«Hegel anota algures que todos os grandes factos e personalidades da história universal acontecem, por assim dizer, duas vezes. Mas esqueceu-se de acrescentar: uma vez como tragédia e outra como farsa.» Eis a tragédia: em 18 de Brumário do ano VIII — 9 de Novembro de 1799 — Bonaparte derrubou o Directório com um golpe de Estado, tornando-se Primeiro Cônsul; depois a farsa: em 2 de Dezembro de 1851, o seu sobrinho, Louis Bonaparte, repetiu a operação. Como explicar a acção deste «Napoleão Menor»? O seu golpe de Estado foi, como disse Victor Hugo, um «crime em carne e osso» ou, pelo contrário, um avanço revolucionário, como afirmava Proudhon? A estas duas concepções Marx opõe uma história das condições de possibilidade da acção: «Procuro mostrar como a luta de classes criou em França as circunstâncias e o enquadramento que permitiram que um personagem medíocre e grotesco desempenhasse o papel do herói.»

Com o 18 de Brumário de Louis Bonaparte (1951-52), Karl Marx escreveu uma peça literária de grande alcance teórico capaz de contar a História, a Política e a Sociedade a partir de um único evento localizado no espaço e no tempo.

Karl Marx: O 18 de Brumário de Louis Bonaparte

de Karl Marx

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895339877
Editor: BCF Editores
Data de Lançamento: novembro de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 109 x 179 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 208
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Ciências Sociais e Humanas > Filosofia
EAN: 9789895339877

SOBRE O AUTOR

Karl Marx

Filósofo alemão nascido em Trèves (Renânia) em 1818. Acerca dele se afirmou: «No século dezanove foi o pensador que teve, de longe, a influência mais direta, deliberada e poderosa sobre a Humanidade» (Isaiah Berlin). Sensível aos problemas sociais da época, foi influenciado pelas doutrinas do socialismo utópico de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen e pelas teorias da economia política de Adam Smith e David Ricardo, que tentou superar.
O pensamento de Marx define-se essencialmente em oposição ao idealismo hegeliano, embora dele retome a conceção dinâmica da realidade e os princípios da dialética, reinterpretando-os à luz de uma conceção materialista. A crítica fundamental que faz a Hegel é a de que este apenas se apercebeu do desenvolvimento espiritual abstrato, quando a ideia não é mais que «a matéria, trasladada e transformada na cabeça do homem», provocando, simultaneamente, uma inflexão no agir filosófico, afastando-o do domínio puramente teorético para o inserir na esfera da intervenção prática - «até ao presente, os filósofos só se têm preocupado com a interpretação do mundo segundo várias óticas. Todavia, o problema está em ser capaz de o transformar».

Recusando a transposição hegeliana do facto empírico para o plano metafísico, defende que não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas o seu ser social que determina a consciência. É a partir dessa premissa que Marx constitui o sistema do materialismo histórico, segundo o qual os processos económicos estão na base de toda a evolução da humanidade, considerando todas as restantes manifestações socioculturais como meras superestruturas ideológicas, estritamente determinadas pelas relações de produção vigentes.
A história das sociedades é encarada como um longo processo dialético em que as classes oprimidas, vítimas de relações de produção desiguais, se revoltam contra as classes dominantes, instaurando uma nova ordem económica. A luta de classes percorre, portanto, todo o devir da humanidade, desde a antiguidade (sociedade esclavagista em que se opõe ao homem livre o escravo), passando pela sociedade feudal (oposição entre suserano e servo), até à sociedade capitalista, na qual a revolução do proletariado, através da abolição da propriedade privada e da coletivização dos meios de produção, suprimirá todos os antagonismos, instaurando o comunismo e a sociedade sem classes.

Marx debruçou-se em particular sobre a formação e a essência do capitalismo considerando que este se fundamenta numa apropriação indevida da mais-valia gerada pelo trabalho numa lógica de acumulação e concentração de riqueza que deixa completamente de lado a função social do trabalho e reduz o proletariado a um estado de alienação em que o trabalho deixa de ser um fator de realização pessoal. A religião, que classifica como «ópio do povo», associa-se a esse processo de alienação, prometendo aos proletários uma satisfação extramundana em troca da sua submissão à ordem estabelecida.
Marx morreu em Berlim em 1883. O seu sistema, desenvolvido em grande parte em colaboração com Friedrich Engels (1820-1895) e imbuído de objetivos sociais reformistas e emancipadores, marcou decisivamente toda a filosofia política contemporânea.

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