Kallocaína
Livro de bolso
SINOPSE
Leo Kall é um cientista ao serviço do Estado Mundial, país que doutrina fortemente os seus cidadãos e exerce sobre eles uma vigilância cerrada, de forma a impedir que desenvolvam pensamentos desviantes ou subversivos. na sequência do trabalho dedicado que leva a cabo no laboratório, Kall faz uma descoberta extraordinária: um soro que obriga qualquer pessoa a revelar todos os seus pensamentos, mesmo os mais recônditos. a submissão completa encontrara um atalho na invasão do último reduto da resistência: a mente.
Neste romance distópico publicado em 1940, hoje considerado um dos textos mais importantes da literatura sueca, Karin Boye faz uma reflexão notável sobre a violência e desumanização que os regimes totalitários - na origem da guerra que assolava a Europa naquele momento - impunham aos seus cidadãos.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789895835577 |
| Editor: | Penguin Clássicos |
| Data de Lançamento: | fevereiro de 2025 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 127 x 192 x 10 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 216 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789895835577 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Kallocaína — Quem está preparado para a verdade?
João Matias
Em “Kallocaína”, Karin Boye constrói uma das distopias mais perturbadoras do século XX não por aquilo que o Estado controla, mas por aquilo que ninguém consegue suportar. Num mundo totalitário obcecado com segurança, ordem e vigilância, a invenção do soro da verdade - por Leo Kall - promete eliminar a mentira e tornar os cidadãos transparentes. O que seria uma arma política, torna-se uma reflexão humana. Bastante humana. A kallocaína revela desejos, medos, contradições e fragilidades que não cabem na lógica do Estado. O que emerge não são conspirações, mas humanidade. E é precisamente isso que se torna insuportável para um estado que tudo vê, controla e exige e para as pessoas. As pessoas não estão preparadas para enfrentar a própria verdade; o Estado, muito menos, para lidar com aquilo que não consegue moldar, controlar ou simplificar. Leo Kall acredita que a verdade absoluta trará ordem. Descobre, tarde demais, que a verdade não organiza mas desestabiliza ainda mais… Ao expor o interior humano, a kallocaína prova que pensamentos, desejos e motivações são intrínsecos à condição humana e resistem a qualquer forma de engenharia política ou científica. Mais do que antecipar "1984", “Kallocaína” dialoga com "Nós", de Zamiatine, e distingue-se por algo essencial: não retrata apenas um sistema opressor, mas a fragilidade moral de quem deseja esse sistema. Boye mostra que o verdadeiro perigo não é o controlo absoluto, mas a ilusão de que a verdade pode ser usada como instrumento de poder. No fim, uma pergunta permanece aberta de forma inquietante: quem está, afinal, preparado para a verdade? P. S. - quero dar os parabéns ao Ivan Figueiras pela incrível e exímia tradução da obra da sueca. Já tinha lido a tradução em inglês, e esta tem um fluidez muito melhor! Deleitei-me a ler esta tradução perfeita!
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