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James

de Percival Everett
Livro eBook
Editor: Livros do Brasil, fevereiro de 2025 ‧
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Quando o escravo Jim ouve rumores de que será vendido a um homem de Nova Orleães e para sempre separado da mulher e da filha, decide esconder-se na ilha de Jackson e conceber um plano. Inesperadamente, vê aparecer o jovem Huck Finn, que acaba de fingir a própria morte para escapar às mãos do pai violento. Mais de um século depois de Mark Twain ter escrito As Aventuras de Huckleberry Finn, elas são agora retomadas por Percival Everett, que lhes muda o ponto de vista. Quem é Jim? Quais as suas paixões? E até onde está disposto a ir para vingar os seus? James é uma reinvenção brilhante de um clássico da literatura mundial, ferozmente divertido e provocador, e uma lição notável sobre o poder da linguagem, pelas mãos de um dos mais aclamados autores norte-americanos da atualidade.
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Atualizar o Mito

Os retellings conquistaram a literatura contemporânea como formas criativas de revisitar os clássicos. Mais do que simples interpretações de uma história, estes livros são exercícios de escuta que procuram, acima de tudo, perceber o que ficou por dizer no texto original, quem foi deixado de fora e que novas leituras podem surgir à luz da realidade em que vivemos. Madeline Miller, Barbara Kingsolver, Pat Barker, Percival Everett e Sandra Newman são autores que, ao reinventarem obras canónicas, deram voz a personagens esquecidas, trouxeram os enredos para os dias de hoje e abriram espaço a novas formas de contar as mesmas histórias. James, de Percival Everett Em James, Percival¿Everett resgata do silêncio uma das figuras mais marcantes e ignoradas da literatura mundial. Jim é um escravo assombrado pela possibilidade de ser vendido, enviado para longe e separado para sempre da mulher e da filha. Decide, por isso, esconder-se. É então que a sua vida se cruza com a de um jovem, também em fuga, que fingiu a própria morte para escapar ao pai violento. Juntos, descem o Mississípi numa jangada em busca de liberdade e de uma vida melhor. O jovem é Huckleberry Finn, herói consagrado da literatura americana; e Jim será o seu companheiro de viagem. Everett pegou neste clássico de Mark Twain e reimaginou-o a partir de um novo ponto de vista, profundamente marcado pela consciência racial do século XXI. Durante a ação de As Aventuras de Hucleberry Finn, Jim é uma personagem pouco desenvolvida, cuja única função é a de acompanhar Huck na sua viagem de autodescoberta. Não há oportunidade para conhecermos verdadeiramente este homem que, apesar de ter muitos sonhos, medos e desejos, nunca é realmente ouvido nem compreendido. Tudo o que sabemos sobre ele é filtrado pelos olhos de Huck mas, neste retelling, é-lhe concedida a possibilidade de ser o protagonista da sua própria história e agente ativo na busca da tão desejada liberdade. COMPRO NA WOOK! » O Canto de Aquiles, de Madeline Miller A discussão sobre a natureza da relação entre Aquiles e Pátroclo atravessa séculos e nunca chegou a um consenso. Há quem considere que os dois heróis da Ilíada eram amantes e quem os veja apenas como amigos e companheiros de luta. Madeline Miller defende a primeira hipótese e escreveu O Canto de Aquiles como forma de validar essa possibilidade. Ao dar ênfase a pequenos pormenores e transformando algumas omissões em possibilidades narrativas, a escritora põe de lado a dimensão épica da Ilíada e coloca as emoções no centro da história. Miller narra esta lenda a partir do ponto de vista de Pátroclo, uma figura secundária na poesia de Homero a quem atribui profundidade emocional e uma sensibilidade que contrastam com o tom heroico da obra original. Nesta versão, o amor entre ele e Aquiles é o centro gravitacional da narrativa, e não um detalhe à margem da guerra. Aquiles, visto por todos como um guerreiro irascível e inabalável, nesta versão surge como um jovem vulnerável, movido mais pela perda do que pela glória. Ao recontar a história através deste prisma, Miller não nega a tragédia intrínseca às duas personagens, mas humaniza-a. Num texto em que os sentimentos ferem mais do que espadas e lanças, O Canto de Aquiles é, antes de mais, uma ode ao amor impossível, que nasce na juventude, cresce em segredo e resiste, mesmo perante o destino mais cruel. COMPRO NA WOOK! » O Silêncio das Mulheres, de Pat Barker Pat Barker também se debruçou sobre a Ilíada, mas abordou-a de forma diferente. Em O Silêncio das Mulheres, a atenção recai nas figuras mais esquecidas do épico grego: as mulheres. Esposas, amantes, rainhas e escravas ganham uma preponderância inédita nesta obra, sobrepondo-se a nomes mais conhecidos. Aquiles, Páris e Agamémnon são relegados para segundo plano e acompanhamos a história da guerra de Tróia do ponto de vista de Briseida, uma mulher que na ação da Ilíada é pouco mais do que um objeto de disputa entre homens. Barker apresenta-nos uma protagonista inteligente, lúcida e profundamente humana, que observa, sofre e questiona a violência que a rodeia. A guerra de Tróia, que nos foi vendida como palco de honra e glória, revela-se neste retelling um cenário de brutalidade, trauma e perda, sobretudo para as mulheres capturadas como espólio. Ao contrário do tom lírico e quase mítico de O Canto de Aquiles, O Silêncio das Mulheres aposta numa linguagem mais crua, despojada de romantismo, para nos confrontar com a realidade nua e dura da guerra. Pat Barker não se limita a recontar a Ilíada, desafia-a, e fá-lo com um olhar afiado, empático e corajoso. COMPRO NA WOOK! » Demon Copperhead, de Barbara Kingsolver Se Charles Dickens tivesse nascido nos Estados Unidos do século XXI, é provável que, em vez de David Copperfield, tivesse criado Demon Copperhead — a reinvenção contemporânea da sua obra pelas mãos de Barbara Kingsolver. As semelhanças entre as duas personagens não terminam na similitude dos apelidos. São ambos rapazes órfãos, vítimas de um sistema social falhado, que conhecem a negligência, a pobreza e a violência desde tenra idade. Enquanto David luta para encontrar o seu lugar na Inglaterra vitoriana, Demon enfrenta os desafios de uma América contemporânea marcada pela epidemia dos opiáceos, lares adotivos precários e um colapso social profundo. Ambos narram as suas histórias na primeira pessoa, oferecendo-nos um retrato íntimo das suas dores e resistências. Kingsolver não só atualiza o cenário criado por Dickens, como reinventa os seus arquétipos (o padrasto cruel, o amigo traiçoeiro, o amor frágil), para refletir as realidades atuais. Demon Copperhead é um tributo poderoso e contemporâneo ao clássico de Dickens e prova que certas histórias são universais, independentemente do tempo ou lugar em que acontecem. COMPRO NA WOOK! » Julia, de Sandra Newman As distopias também merecem reinterpretações, e Sandra Newman, com Julia, oferece uma leitura diferente de 1984. Sem perder o tom sombrio e inquietante do original, Julia, reconta a célebre distopia de Orwell a partir da perspetiva daquela que era apenas uma nota de rodapé na jornada malfadada de Winston Smith. Aqui, Julia não é somente a amante rebelde, é a protagonista absoluta, com voz, motivações e um passado que nos permite perceber as ambiguidades do seu papel no regime do Grande Irmão. A escritora norte-americana mergulha na psicologia desta personagem tantas vezes ignorada e mostra-nos uma mulher complexa, astuta e profundamente consciente das regras do jogo que precisa de jogar para sobreviver. O que Newman propõe não é apenas uma inversão de género, mas um novo olhar sobre o sistema opressor retratado por Orwell, menos centrado na vigilância externa e mais atento às microestruturas de poder, ao corpo feminino como território político e à manipulação das emoções como instrumento de controlo. COMPRO NA WOOK! » Os grandes clássicos não são monumentos intocáveis e inertes. O que os torna capazes de moldar sociedades e incitar novas formas de pensar é serem feitos de matéria viva, aberta à transformação. São cartas escritas ao futuro, e os retellings são as respostas — críticas, apaixonadas e conscientes — de quem escolhe relê-las com novos olhos.

James

de Percival Everett

Propriedade Descrição
ISBN: 978-989-711-272-0
Editor: Livros do Brasil
Data de Lançamento: fevereiro de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 235 x 21 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 288
Tipo de produto: Livro
Coleção: Contemporânea
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 978989711272011
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

James

João S.

Livro fantástico que nos instiga da primeira à última página! Um verdadeiro cataclismo de emoções. Um perfeito retrato de luta pela liberdade, dos efeitos indeléveis da escravidão que perduram pelo tempo. Muito bem escrito e executado em termos de profundidade da narrativa, com muitas nuances. Um dos livros do ano!

Muito interessante!

PGarcia

Um livro muito interessante. É um retelling das Aventuras de Huckleberry mas da perspectiva do Jim. Aborda o poder das palavras, da escrita e dos livros, o que, para quem gosta de ler e dos livros, é sempre uma maravilha. A tradução também me pareceu bastante boa, especialmente considerando a parte de “dialecto”.

Extraordinária sátira

Ler, um prazer adquirido

Não sei porque adiei ler este livro. Um erro crasso. O humor inteligente numa narrativa séria em que, recria uma história bem conhecida de Mark Twain mas protagonizada por Jim que foge para evitar ser vendido e separado da família, exatamente para a mesma ilha onde Huck se esconde depois de simular a própria morte às mãos do pai violento. Uma sátira, que nos dá fortes abanões sobre os estereótipos e a segregação social ou a hipocrisia e o controle em que, o disfarce arguto pode ser usado como estratégia de sobrevivência. E não menos importante, o poder da leitura, algo totalmente intimo e livre e, por essa razão, subversivo. Um romance que, é um prazer de ler, da primeira à última página e que rapidamente terminamos, não sem nos questionarmos, tal a profundidade lúdica desta narrativa. Um dos, se não, o melhor que leio este ano.

SOBRE O AUTOR

Percival Everett

Percival Everett nasceu nos Estados Unidos da América a 22 de dezembro de 1956. Com mais de trinta obras publicadas, incluindo Telephone (finalista do Prémio Pulitzer em 2021), So Much Blue e Rasura (adaptado ao cinema em 2023 no filme American Fiction, vencedor de um Óscar para melhor argumento adaptado), recebeu numerosas distinções, entre as quais o Hurston/Wright Legacy Award, o Ivan Sandrof Lifetime Achievement Award pelo National Book Critics Circle, o Prémio Dos Passos, o Prémio PEN Center USA for Fiction e o PEN/Jean Stein. O seu romance As Árvores foi finalista do Prémio Booker 2022, distinção que voltou a receber em 2024, por James, com o qual foi sagrado vencedor do Prémio Pulitzer de Ficção 2025, do National Book Award, do Prémio Kirkus e da Carnegie Medal. Percival Everett é membro da Academia Americana de Artes e Ciências e professor na Universidade do Sul da Califórnia.

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