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Já então a Raposa era o Caçador

de Herta Müller
Editor: Dom Quixote, setembro de 2012 ‧
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Roménia nos últimos dias do regime de Ceausescu: amigos que se fizeram traidores, outros que desapareceram, provavelmente assassinados; ex-diretores tornam-se professores, fiéis de armazém tornam-se diretores. Numa atmosfera onde o medo e o horror são omnipresentes, a professora Adina, a operária fabril Clara e o músico Paul tentam sobreviver. Mesmo depois da queda do regime, a ameaça não se dissipa. A raposa continuou a ser o caçador.

Herta Müller, uma das mais proeminentes autoras de língua alemã, combina o vigor imagético e a prosa rítmica numa singular abordagem do totalitarismo.

Na fundamentação da Academia Sueca de Estocolmo, lê-se sobre a autora galardoada com o Prémio Nobel de Literatura de 2009 que «retrata, através da concentração da poesia e a franqueza da prosa, a paisagem dos desapossados».

«Longe de um estilo típico de prosa de denúncia, as palavras de Müller chegam às páginas em fluxos, acumulam-se e adensam-se no espaço do que não é dito, nas zonas do pensamento onde já só parece haver linguagem simbólica, magma onírico. Por vezes, Müller escreve como se a formulação comum da linguagem não fosse já suficiente para o que ela quer expressar, como se não houvesse palavras para tudo. Deixa sempre algo indizível no espaço entre o silêncio e a sua escrita.»
José Riço Direitinho, Público

Já então a Raposa era o Caçador

de Herta Müller

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722050586
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: setembro de 2012
Idioma: Português
Dimensões: 159 x 237 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722050586

Fuchs im Walde

AS

A Roménia como a conheci: sem luz, sem vida, sem nada nas prateleiras, as paredes têm muitos ouvidos, mesmo ou sobretudo com conhecidos, os alojamentos precários, a insegurança, as faixas da morte. E, no entanto, Herta Müller transforma tudo num bailado expressionista, objetos, animais e gente como figuras geométricas alinhadas e desalinhadas perante um cenário de floresta, rio, bairros, fábricas que (mal) escondem a crueldade. Réstias de humanidade na aldeia, espécie de reserva, onde os esbirros se desencontram com a vida. Fidelidade-traição-amizade-delação-amor enraizados no espírito para além dos regimes.

romance e ensaio

Miguel H.

Um romance alegórico de uma sociedade insana, manobrada pelo regime totalitário do ditador Ceausescu, que a controlou através do medo, até aos seus últimos dias. Mas também um ensaio sobre o medo na Roménia de Nicolae Ceausescu. Desta forma é um texto montado de forma muito característica em que a autora agrega quadros relativamente autónomos da vida quotidiana de uma pequena cidade romena onde a marca essencial é a vida suspensa daquela gente, naquela terra, naquela época. Uma suspensão de vida causada por um sistema totalitário que embora moribundo obriga ainda e sempre à suspensão das vidas. Uma crua exposição da proposta que aqueles regimes fizeram sempre aos seus cidadãos: não vivam, preparem-se para viver! Uma escrita que agradará a quem gosta de GMTavares, uma história que apetece continuar com a abordagem diferente mas complementar da ACSilva em a noite não é eterna.

A Poesia do Medo

Leonardo Alexandre Aboim Pires

Esta obra relata de forma original os derradeiros dias do ditadura de Nicolae Ceausescu. Numa escrita profundamente poética, mas de um grande realismo, é narrada a vida da professora Adina, perseguida pela Securitate, a polícia secreta romena. Num ambiente dominado pelo medo e pela insegurança, é-nos mostrado o horror da ditadura comunista que apesar de se encontrar no seu estertor não deixa de oprimir os mais fracos. É talvez a melhor obra de Herta Muller

SOBRE O AUTOR

Herta Müller

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2009

Nasceu a 17 de agosto de 1953, na localidade de fala alemã de Nitzkydorf, na Roménia. Os seus pais pertenciam à minoria germânica da Roménia. O pai serviu durante a Segunda Guerra Mundial nas Waffen-SS. Muitos alemães da Roménia foram deportados para a União Soviética em 1945 e a mãe de Herta Müller foi uma delas. Passou cinco anos num campo de trabalho na atual Ucrânia. Estudou literatura alemã e romena na Universidade de Timisoara (Temeswar). Durante esse tempo, contactou com o Aktionsgruppe Banat, um círculo de jovens escritores de fala alemã que se opunha à ditadura de Ceausescu e procurava a liberdade de expressão. Depois de finalizados os estudos trabalhou como tradutora numa fábrica de máquinas entre 1977 e 1979. Foi despedida quando se negou a cooperar com a polícia secreta e a agir como informadora. Depois do despedimento, foi objeto de perseguição por parte da Securitate.
Debutou na escrita com a coleção de relatos Niederungen (1982), que foi censurada na Roménia. Dois anos mais tarde, publicou-se uma versão não censurada desta coleção de relatos na Alemanha e, no mesmo ano, surgiu Drückender Tango, na Roménia. Nestas duas obras, Herta Müller relata a vida numa pequena localidade de fala alemã e a corrupção, a intolerância e a opressão que nela existem. Por este motivo, foi alvo da crítica da imprensa nacional, ao mesmo tempo que teve uma receção muito positiva nos meios de comunicação de fala alemã no estrangeiro. Ao criticar publicamente a ditadura romena, foi castigada com a proibição de publicar no seu país. Em 1987, emigrou com o marido, o escritor Richard Wagner.
Os romances Der Fuchs war damals schon der Jäger (1992), A Terra das Ameixas Verdes (1994) e Heute wär ich mir lieber nicht begegnet (1997) proporcionam com os seus pormenorizados detalhes, uma imagem da vida quotidiana numa ditadura estanque. Herta Müller foi professora convidada nas universidades de Paderborn, Warwick, Hamburgo, Swansea, Gainsville (Florida), Cassel, Gotinga, Tubinga e Zurique. Vive atualmente em Berlim. É membro desde 1995 da Deutsche Akademie für Sprache und Dichtung, em Darmstadt.

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