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Festa Pública | Orlando em Tríptico e Aventuras | Rainhas Cláudias ao Domingo

Obras de Virgílio Martinho - Volume I

de Virgílio Martinho
Editor: Companhia das Ilhas, novembro de 2021 ‧
17,00€
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Apresentação de Luís Miguel Rosa
Nota biográfica e Notícia bibliográfica de Carlos Alberto Machado

«A característica que mais me impressionou a ler este volume, a que me parece tão moderna, é a ideia da ficção como performance em vez de relato realista, como se ela estivesse a tentar regressar aos antigos dias dos rapsodos. no clima festivo de Festa Pública, o pólen do sexo no ar, o mestre de cerimónias da Organização Internacional de Espectáculos Emocionantes inicia um show: "Temos a honra de servir honestamente o vosso optimismo, a vossa justa curiosidade, o vosso direito de diversão, para tanto é nosso costume obrar prodígios."
(…)
A performance prossegue em Orlando: no conto circense Alegre Folião as acrobacias dos trapezistas Alegre Folião e Lucrécia intercalam-se com o drama duma menina burguesa, Raimunda, que se tenta suicidar saltando do camarote, salvando-se pelas saias enfunadas.
(…)
Além disso, Martinho sabia que a performance é uma componente da cerimónia, a qual é intrínseca às ditaduras. em "Morto Glorioso" é realizado o funeral dum chefe de estado: "O Glorioso Governador Morto da Cidade estava exposto às homenagens públicas." As exéquias ficam a cargo de D. Paio, "o magnífico castelhano, que tudo previra e montara segundo o protocolo e os usos tradicionais." As ditaduras são produtoras de ficções, e uma das poucas utilidades da ficção é ensinar-nos a localizá-las e a desconfiar delas.
Assim sendo, muitos contos em Orlando apresentam o conflito entre o indivíduo e a ordem vigente, geralmente por transgressões de política sexual.
(…) Este romantismo só soçobra em Rainhas Cláudias ao Domingo, um quadro terso duma relação entre Sofia, a pegazita, e Virgílio, um cliente, num sisudo registo de transacção: "Depois a pergunta, a vital: tens uma cama? o Virgílio ganhou, embora Sofia lhe respondesse oficialmente: tenho, mas primeiro passa pra cá a massa." Mas até neste conto, uma obra-prima de esqualidez terra-a-terra, o mais realista do volume e o mais emotivo pela volta que toma o encontro entre ambos, se ouve a performance, o aparte do narrador dirigido ao leitor: "E o Virgílio tremia, ele, o macho, tremia. Rouco e percorrido de certa moleza como vossas excelências quando vão prá cama com a vossa querida."»

[Luís Miguel Rosa, da "Apresentação"]

Festa Pública | Orlando em Tríptico e Aventuras | Rainhas Cláudias ao Domingo

Obras de Virgílio Martinho - Volume I

de Virgílio Martinho

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899007413
Editor: Companhia das Ilhas
Data de Lançamento: novembro de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 139 x 222 x 10 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 160
Tipo de produto: Livro
Coleção: Obras de Virgílio Martinho
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789899007413

SOBRE O AUTOR

Virgílio Martinho

[1928-1994] O singular percurso literário de Virgílio Martinho ficou marcado pela relação próxima que teve com Mário Cesariny e com o "movimento surrealista" do Café Gelo nas décadas de 50 e 60 do século XX (Alexandre O'Neill, António José Forte, António Maria Lisboa, Cruzeiro Seixas, Herberto Helder e Mário-Henrique Leiria outros).
Em 1958, publicou a novela, de pendor fantástico, Festa Pública, na coleção "A Antologia em 1958", dirigida por Cesariny Mário Cesariny. O apodo de "surrealista", que ainda hoje muitos teimam em lhe colar, tem aqui um momento marcante. Na mesma linha, seguiram-se os contos de Orlando em Tríptico e Aventuras (1961), e, noutro registo, Rainhas Cláudias ao Domingo (1972) – três títulos que se reúnem neste volume com que a Companhia das Ilhas inicia a publicação das obras de Virgílio Martinho.
Em 1970, deu início a uma vertente que se tornará dominante na sua obra, o teatro, com a publicação da peça Filopópulus, na revista Grifo (texto encenado por J. Benite em 1973), seguiram-se dezenas de outros no Grupo de Teatro de Campolide, atualmente Companhia de Teatro de Almada.
O Virgílio resistiu, com uma bonomia desconcertante, a modas, escolas e movimentos. Quem conviveu com ele lembrar-se-á sempre do seu riso casquinado, cerveja numa mão e cigarro noutra. É isso.
Agora, deitamos novas luzes sobre os seus textos. Palcos novos para uma obra que será sempre livre.
[Carlos Alberto Machado, editor, Julho de 2021].

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