Esta Voz é Quase o Vento
SINOPSE
CRÍTICAS DE IMPRENSA
"Não sabemos o estado de espírito com que José Agostinho Baptista abandonou ou terminou a escrita deste seu novo livro de poemas. Acreditamos, contudo, que depois de "atravessar" um corpo poético tão fulminante e dilacerante com este, o autor sinta necessidade de respirar fundo e de, por momentos, por horas, por dias ou meses, descansar a mão, que é como quem diz a memória, que é como quem diz necessidade de apaziguar a alma sustendo a sangria de sentimentos. Tudo porque Esta Voz é Quase o Vento chega-nos com a força de uma tempestade, como se de uma voz detentora da força do vento se tratasse, uma "voz-de-vento" feita lamento, feita também viagem pelas memórias ou rumo a um futuro de negro adivinhado."
in Magazine Artes, Novembro de 2004
"A poesia é sempre religiosa, pois desperta a loucura humana de restabelecer a ligação perdida com a natureza, o mundo, o cosmos. A poesia é, afinal, a demada mítica de um tempo primordial sem separações entre homem e homem, entre homem e infinito. Mas se toda a poesia é isso, que é tudo, o poeta José Agostinho Baptista - galardoado há dias com o Prémio Pen Clube - sublinha cada vez mais a religiosidade da sua criação. A sua obra sempre foi religiosa, mas Esta voz é Quase o Vento é-o essencialmente: 'Sou apenas um homem entre as lápides./ E, quando os mortos murmuram o meu nome, digo simplesmente que estou aqui,/ acendendo velas,/ rezando outra vez, com palavras humildes,/ nos altares destruídos (...)' A angústia do quietismo."
Torcato Sepúlveda, Grande Reportagem
"Exercício de memórias e despedidas o deste pequeno volume de um dos poetas grandes de língua portuguesa. Um adeus pungente que atravessa paisagens familiares, o regaço materno, os cais e paragens do país, as casas brancas onde as buganvílias crescem à porta, as preces."
S.S.C., Visão
EXCERTOS
COMOVEM-ME
Comovem-me ainda os dias que se levantam
no deserto das nossas vidas.
Dos belos palácios da saudade
não resta a impressão dos dedos nas colunas
fendidas, e nada cresce nos pátios.
Muito além, depois das casas, o último
marinheiro continua sentado.
Os seus cabelos são brancos, pouco a pouco.
Aqui, tudo se resume a algumas tâmaras que
secaram ao sol,
longe do orvalho,
das fontes que pareciam nascer de um olhar
turvo sobre a sede da terra.
Comovem-me ainda as palavras que dizias
aos meus ouvidos aprisionados pela música.
Comovem-me as cadeiras vazias, no pátio.
Lembro-me sempre de ti.
COMOVEM-ME
Comovem-me ainda os dias que se levantam
no deserto das nossas vidas.
Dos belos palácios da saudade
não resta a impressão dos dedos nas colunas
fendidas, e nada cresce nos pátios.
Muito além, depois das casas, o último
marinheiro continua sentado.
Os seus cabelos são brancos, pouco a pouco.
Aqui, tudo se resume a algumas tâmaras que
secaram ao sol,
longe do orvalho,
das fontes que pareciam nascer de um olhar
turvo sobre a sede da terra.
Comovem-me ainda as palavras que dizias
aos meus ouvidos aprisionados pela música.
Comovem-me as cadeiras vazias, no pátio.
Lembro-me sempre de ti.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 978-972-37-0928-5 |
| Editor: | Assírio & Alvim |
| Data de Lançamento: | abril de 2004 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 146 x 206 x 12 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 144 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Poesia Inédita Portuguesa |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Poesia
|
| EAN: | 9789723709285 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
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