Éclogas de Agora

Livro 1

de Afonso Lopes Vieira
Editor: Europress, abril de 1986 ‧
O regresso à natureza sempre foi, na história da Humanidade, a afirmação de um desencanto que o industrialismo gerou. Metáfora para o maniqueísmo da eterna luta entre o BEM e o MAL, este dualismo converteu-se em poesia, onde a natureza espelhava a tortura individualizada e resistente a uma sociedade colectivizadora, agarrada por um santanismo destroçador de valores sagrados. A natureza começou por ser refúgio porque era o residual de uma inocência perdida. Por isso este regresso à natureza encobriu sempre um pessimismo e um fatalismo.

Éclogas de Agora

de Afonso Lopes Vieira

Propriedade Descrição
ISBN: 9789725590843
Editor: Europress
Data de Lançamento: abril de 1986
Idioma: Português
Dimensões: 158 x 231 x 6 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 88
Tipo de produto: Livro
Coleção: Heuris
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789725590843
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Um grito surdo de revolta; uma triste lição de humildade

Luís Matias

“Éclogas de Agora” e Afonso Lopes Vieira partilham um pecado fatal: o facto de serem desconhecidos pelo grande público. Tal obra e tal autor merecem, sem dúvida, inúmeros elogios pela sua realização: uma obra que coloca todo o tipo de rivalidades políticas numa perspetiva que ultrapassa a hipocrisia e nos ensina a humildade com que as devemos pensar. Sendo o propósito desta obra um grito de revolta contra Salazar e os seus apoiantes (um grito pessimista de quem vê o seu país a afundar-se em ditadura) fica a mensagem, eternamente válida, que, mais do que nunca, nos cabe lembrar, como herdeiros dos tempos por vir, que nem na Esquerda nem na Direita se encontra o perigo à Democracia: os seus únicos inimigos serão sempre os que nela não se revêem! Para ler e refletir, uma e outra vez até que as páginas do livro se gastem.

SOBRE O AUTOR

Afonso Lopes Vieira

Afonso Lopes Vieira (Leiria, 1878 - Lisboa, 1946) estudou Direito na Universidade de Coimbra (1894-1900) e foi redator na Câmara dos Deputados (até 1916). Ao longo de mais de meio século, consagrou boa parte do seu tempo a uma vasta obra literária (em prosa e em verso) que compôs e deu a conhecer na imprensa periódica e em dezenas de livros e opúsculos.
Em prosa escreveu o romance Marques (1903) e numerosas conferências e ensaios que reuniu em livros como A Campanha Vicentina (1914), Em Demanda do Graal (1922) e Nova Demanda do Graal (1942). Dedicou especial atenção aos grandes clássicos portugueses, nomeadamente Gil Vicente e Luís de Camões (que editou, em 1928 e 1932, em colaboração com José Maria Rodrigues), Santo António de Lisboa (Jornada do Centenário, 1932), Cristóvão Falcão, Francisco Rodrigues Lobo (que editou em 1940 e 1945), Almeida Garrett e João de Deus (que editou em 1921 e 1930), bem como a grandes mitos como o de Pedro e Inês (A Paixão de Pedro o Cru, 1940) e as Cartas de Soror Mariana (1941).
Recuperou para a Literatura Portuguesa O Romance de Amadis (1922) e a Diana, de Jorge de Montemor (1924). Traduziu as Poesias de Heine (1912) e O Poema do Cid (1927). Para a infância e a juventude, adaptou O Conto do Amadiz de Portugal (1938) e, para teatro de fantoches, o Auto da Barca do Inferno (1913); e publicou em verso Hino a Camões (1911), Animais Nossos Amigos (1911), Canto Infantil (1912) e Bartolomeu Marinheiro (1912).
Poeta, sempre poeta, a obra lírica de Afonso Lopes Vieira encontra-se numa vintena de livros e opúsculos: Para Quê? (1897), Náufrago. Versos Lusitanos (1898), Auto da 'Sebenta'. Farça em verso em um prólogo e dois quadros (1899), Elegia da Cabra (maio de 1900), O Meu Adeus (1900), O Poeta Saudade (1901), O Encoberto (1905), Conto do Natal (1905), Ar Livre (1906), O Pão e as Rosas (1908), Monólogo do Vaqueiro (1910), Canções do Vento e do Sol (1911), Rosas Bravas (1911), Sobre as 'Cenas Infantis' de Schumann (1915), Ilhas de Bruma (1917), Canções de Saudade e Amor. Lieder (1918), Ao Soldado Desconhecido (1921), Pais Lilás, Desterro Azul (1922), Éclogas de Agora (1935) e Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa (1940). Em 1904 deu à estampa a sua primeira antologia (Poesias Escolhidas. 1898-1902) e em 1927 organizou e fixou a sua seleção em Os Versos de Afonso Lopes Vieira, com poemas de 1898 a 1924.
O propósito da edição – Poesia de Afonso Lopes Vieira – é recolher de forma fidedigna e num só volume a Obra Poética fundamental do revolucionário da Tradição que António Sardinha considerou o «preceptor seguro da sensibilidade portuguesa». Compreende as seguintes obras: Os Versos de Afonso Lopes Vieira (1927), Éclogas de Agora (1935) e Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa (1940).

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