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Dos Deveres (De Officiis)

de Cícero
Editor: Edições 70, abril de 2017 ‧
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Este tratado é constituído por três livros dos quais só nos restam fragmentos.

Para os dois primeiros livros, Cícero inspirou-se em parte no Tratado dos deveres do filósofo estoico Panécio de Rodes. Existe uma hierarquia dos deveres e é necessário saber escolher um mais do que outro para preservar a sua honra. o principal é respeitar a honestidade fundada na prática das virtudes essenciais: a sabedoria, a justiça, a firmeza, a moderação. Uma vez que há um conflito aparente entre a justiça e a moderação, a noção de escolha intervém (livro I).

Cícero demonstra em seguida que as noções de utilidade e de honestidade são indissociáveis: se o útil se torna nocivo a alguém, então deixa de ser honesto.
Em caso de escolha, é preciso preferir o que apresenta mais utilidade (livro II).

No último livro, Cícero inova em relação ao seu modelo, Panécio; supõe um eventual conflito entre o útil e o honesto. Este conflito não é mais do que teórico já que, de facto, tudo o que é bom e honesto é igualmente útil, e vice-versa. Mas é preciso saber distinguir o útil aparente do útil real; o primeiro, mal definido, é gerador de confusão e de discórdia; o segundo, só, continua de acordo com a honestidade.

Cícero dedicou este tratado ao seu filho Marcus que tinha partido para continuar os seus estudos de filosofia para Atenas em 45 a.C. Também o forte amor paternal do autor transparece.
Entretanto ele prevê eventuais objecções do seu filho e refuta-as: os seus preceitos devem ser aceites e seguidos. Abandonando o diálogo e o estilo pomposo e ambicioso, Cícero dirige-se ao leitor num tom simples e confidencial.

Dos Deveres (De Officiis)

de Cícero

Propriedade Descrição
ISBN: 9789724419978
Editor: Edições 70
Data de Lançamento: abril de 2017
Idioma: Português
Dimensões: 134 x 210 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 220
Tipo de produto: Livro
Coleção: Textos Filosóficos
Classificação Temática: Livros em Português > Ciências Sociais e Humanas > Filosofia
EAN: 9789724419978

Um clássico da Antiguidade cujo interessa perdura

Filipe Manuel Nunes de Carvalho

Trata-se de uma obra redigida por Cícero tendo por destinatário seu filho Marco, que então estudava filosofia em Atenas. Sem ser trabalho essencialmente original no que respeita às ideias expostas, vale sobretudo como repositório de princípios morais da Antiguidade grega e romana com profundas consequências em épocas mais tardias. Interessa ao leitor de hoje como índice para o estudo da genealogia das sociedades humanas, com destaque para os aspetos estritamente morais a que de forma mais direta se reporta. O autor procura compatibilizar valores ideais, abstratos e universais, que deveriam ser aplicáveis a todos os seres humanos, com os seus (de Cícero) interesses e pontos de vista específicos de cidadão romano com estatuto privilegiado. Apesar de pressupor uma sociedade baseada nas disparidades entre as ordens sociais e na reificação dos escravos, deve continuar a merecer atenção, visto que muitas das ideias expostas e dos numerosos exemplos históricos apresentados poderão servir de motivo para reflexões e sugestões tendentes ao aperfeiçoamento dos indivíduos e das formações humanas, mesmo após a superação dos extremos contrastes no tocante ao bem-estar e à riqueza que Cícero não deixou de advogar.

SOBRE O AUTOR

Cícero

Marco Túlio Cícero, político, orador e escritor romano, nasceu em Arpinum em 106 a.C. e morreu em 43 a.C. , em Caieta. Foi um escritor fecundíssimo.

Lançou os princípios da arte oratória, e nas composições filosóficas criou uma língua latina nova, enriquecendo os seus concidadãos com uma multitude de ideias novas aprendidas dos gregos. Das suas obras salientam-se: Catilinárias, Filípicas, De Senectute, De amicitia.

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