10% de desconto

Demandas de Manchas

de Carlos Corais
Editor: Documenta, Janeiro de 2023 ‧
20,00€
10% DESCONTO CARTÃO
EM STOCK -
portes grátis
Venda o seu livro
«Os instantes podem aí retomar o passado e também ir buscar o futuro antes que ele aconteça.» Jorge Molder

«Talvez tudo tenha começado de um modo estival nas bainhas do paraíso, com a imprecisão e o disforme a quererem sair do tubo e virar figuras. Havia uma caixa e a cor começava a derreter no gelado — é daqui que tudo partiu, diz-nos Carlos Corais, como se a infância ressurgisse de um lastro ao qual se quer regressar em tonalidades que buscam fixar-se num plano de tons equilibrados. Não era a linha que fazia nascer as coisas, era a mancha, a afiançar, como escreveu Adorno, que era o Novo, o Isso, a desassossegar, ainda sem rosto, com riso a alastrar embora discreto, e no olhar, luminescência miúda a afinar a escuridade. Que coisas nos queria confessar? Porque no fundo o discurso já habitava a mancha que só tinha de buscar planos, no labor de enquadrar, para não continuar por aí a esvair-se, a desaparecer do olhar, a ser secundária ante a deambulação fatal das linhas — quer-se aqui uma certa quietude inquietante.
Entre a mancha e a figura alguma coisa se passa, balbuciou o génio que queria habitar tudo isto. Era uma criatura que talvez possuísse o autor — figura a levar palavras ao forno, para que sejam bem cozidas. Não se limitava a ser amável, dado que tinha muitíssimo para contar, por exemplo, viagens, conquistas, dificuldades, formas de evasão, de explicação, de expiação. Para o génio, a solidão entre as casas comunicava a humanidade do escuro, quando a insónia teima e a cidade parece articulada pela solidariedade entre insónias, pela actividade acanhada dos que não estão a amanhar o impartilhável dos sonhos. Há muitas criaturas nocturnas que produzem ruídos que as crianças temem como gargarejos, sons aquáticos, e que correspondem a figuras muito antigas, como as Górgonas, o homem do saco, os papões. Algumas são figuras de morte, outras de puro delírio, outras ainda são inquietações brandas ou sarcásticas. Está ali alguém? Onde está o antídoto materno que estanca os medos? Ou são vindas sucessivas que chegam e não chegam? Vens então como amigo? — pergunta Carlos Corais, qual hóspede que quer que lhe habitemos a amabilidade. Imagens que interrogam para acolher, sem impor, sem exibirem escândalos ou dissimulações.»
Pedro Proença

Demandas de Manchas

de Carlos Corais

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898833976
Editor: Documenta
Data de Lançamento: Janeiro de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 218 x 273 x 12 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 56
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Arte > Artes em Geral
EAN: 9789898833976

SOBRE O AUTOR

Carlos Corais

Carlos Alberto do Lago Cruz Corais vive em Braga. Licenciado em História pela Universidade do Porto (1980); Curso de Desenho de Modelo sob orientação do Mestre Sá Nogueira, Sociedade Nacional de Belas-Artes, Lisboa (1985-1986); Bachelors in Fine Arts (1989) e Master in Fine Arts (1995) pela Universidade de Massachusetts, Amherst, EUA. Professor de Desenho no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro (1996-1998). Doutorado pela Escola de Arquitetura da Universidade do Minho, com a tese Expressão e Expressividade no Retrato Naturalista do Século XX (2013). Professor da disciplina de Desenho e Movimentos da Arte e Arquitetura Contemporânea (com Prof. Arq. Francisco Ferreira) na Escola de Arquitetura da Universidade do Minho (1988-2014). Diretor do Museu Nogueira da Silva/UM, Braga (2006-2014). Expõe desde 1990.

(ver mais)

QUEM COMPROU TAMBÉM COMPROU