Crónica de Um Suicídio Anunciado

de Mário de Sá-Carneiro
Editor: 101 Noites - Criação de Produtos Culturais, maio de 2005 ‧
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Esta obra reúne um conjunto de contos, correspondência e poemas que ilustram bem a forma como o suicídio sempre assombrou a vida e obra de um dos maiores vultos da literatura portuguesa.

Já li algures, e ouvi muitas vezes, a seguinte opinião: «Se não tivesse morrido tão jovem, Mário de Sá-Carneiro teria produzido uma obra espantosa, superando talvez Fernando Pessoa.» Há até quem sustente que a obra relativamente curta deixada pelo primeiro é qualitativamente superior à obra — mais variada e extensa — produzida pelo inventor de heterónimos. Se esta última opinião nos parece situar-se no âmbito da fantasia ou da provocação, a hipótese de que Sá-Carneiro, com mais anos de vida, teria levado a sua obra bem mais longe e mais alto também não nos convence, e por uma simples razão: a sua obra, de qualidade e fascínio indiscutíveis, cumpriu-se no seu suicídio.
Richard Zenith, Do prefácio.

Crónica de Um Suicídio Anunciado

de Mário de Sá-Carneiro

Propriedade Descrição
ISBN: 9789728494414
Editor: 101 Noites - Criação de Produtos Culturais
Data de Lançamento: maio de 2005
Idioma: Português
Dimensões: 168 x 114 x 13 mm
Páginas: 150
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789728494414
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

Mário de Sá-Carneiro

Poeta e ficcionista, com Fernando Pessoa e Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro constitui um dos principais representantes do Modernismo português. Partindo para Paris, em 1912, para cursar Direito, estudos que abandonaria pouco depois, a figura de Mário de Sá-Carneiro assume uma importância basilar para a compreensão do modo como o Modernismo português se foi formando com caracteres próprios na recepção das correntes de vanguarda europeias, processo de que a correspondência que estabeleceu com Fernando Pessoa dá um testemunho documental precioso e que culminaria com a publicação de Orpheu, em 1915. Os poemas que edita no primeiro número de Orpheu, destinados a Indícios de Oiro, são, a este título, significativos da sua adesão às estéticas paúlica e sensacionista, que na correspondência entre os dois grandes poetas fora gerada, glosando, então, em moldes muito devedores do simbolismo-decandentismo, a abjecção de um eu em conflito com um outro, reverso da sua frustração e insatisfação ("Eu não sou eu nem o outro, / Sou qualquer coisa de intermédio: / Pilar da ponte de tédio / Que vai de mim para o Outro", "7"), ao mesmo tempo que a publicação de "Manucure", no segundo número de Orpheu , revela uma incursão por uma forma poética mais próxima da escrita da vanguarda futurista, no que contém de autonomização do significante. Já antes de Orpheu, a colaboração de Mário de Sá-Carneiro na revista Renascença (1914) - onde Fernando Pessoa publica Impressões de Crepúsculo -, com a publicação de Além (apresentado como uma tradução portuguesa de certo Petrus Ivanovitch Zagoriansky), instituíra a sua experiência poética na charneira entre a herança simbolista e as tentativas paúlicas e interseccionistas. Mário de Sá-Carneiro constitui ainda um paradigma da prosa modernista portuguesa pela publicação das narrativas Céu em Fogo e A Confissão de Lúcio, construídas frequentemente a partir do estranhamento de um narrador insolitamente introduzido em situações onde o erotismo, o onirismo, o fantástico, se associam aos temas obsessivos do desdobramento e autodestruição do eu. O seu suicídio, com 26 anos, parecendo vir selar aquele sentimento de inadaptação à vida, de permanente incompletude, de narcísico auto-aviltamento e, sobretudo, de consciência dolorosa da irremediável cisão do eu, consubstanciada na dramática tensão entre um eu, vil e prosaico, e um outro, seu duplo ideal, que alimentaram tematicamente a obra, nimbou-o para a posteridade de uma aura de poeta maldito, que deixaria um forte ascendente sobre a poesia contemporânea de gerações posteriores à sua. Com efeito, a mensagem poética do autor de Indícios de Oiro ecoa postumamente na literatura presencista da geração de 50 e até surrealista, passando por nomes absolutamente diversos como Sebastião da Gama, Mário de Cesariny ou Alexandre O'Neill, entre muitos outros.

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