SINOPSE
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789728983024 |
| Editor: | Objecto Cardíaco |
| Data de Lançamento: | abril de 2006 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 147 x 210 x 4 mm |
| Páginas: | 44 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Outras Formas Literárias
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| EAN: | 9789728983024 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
OPINIÃO DOS LEITORES
Incrível!
João Matias
Acabei de ler “Conselhos aos jovens literatos”, de Charles Baudelaire, e não é um livro nada confortável. Desengane-se quem pensa que o francês ensina a escrever melhor; ensina, sobretudo, a não nos enganarmos sobre a escrita, o papel da arte, do artista e da sobrevivência artística e literária num mundo cada vez mais, como o próprio o apelida, “carreirista”. É uma obra pequena — não mais de 40 páginas — dividida em pequenos textos, com premissas distintas e diretas. Baudelaire desmonta cedo a ideia do escritor inspirado, livre, sem regras. Para ele, escrever é trabalho, disciplina, insistência. O talento, sozinho, não chega. Sem método, transforma-se em ruído, frustração, desilusão. Em meros “momentos”… Há também um aviso constante contra a vaidade literária. O desejo de reconhecimento rápido, de aplauso, de validação externa surge como uma armadilha. Quando se escreve para agradar, a escrita perde densidade, verdade e… originalidade. Perde, sobretudo, a genialidade e a voz própria. Desconfia, assim, do elogio fácil. Das palavras meigas no início da “jornada”. Ninguém nasce escritor; tudo é barro a ser moldado. O livro é igualmente honesto quanto à relação entre literatura, dinheiro e sociedade. Escrever raramente traz conforto ou estabilidade. Não há garantias. Quem escolhe este caminho fá-lo, sobretudo, por necessidade interior, não por promessa de retorno e fama. Se o pensas fazer, escolhe outra carreira! Baudelaire insiste ainda na importância de ler bem antes de escrever. De reconhecer mestres, de absorver tradição, de compreender que a originalidade não nasce do vazio, mas do confronto atento com o que já foi escrito. Do estudo, da dedicação, do trabalho contínuo de aprendizagem, e não apenas de um impulso momentâneo. No fundo, este livro fala de lucidez. De aceitar a solidão, a demora, o conflito interior. De escrever com rigor e consciência, mesmo sabendo que a literatura pode não oferecer nada além de si própria. Não é um livro que acarinha, nem promete aplausos ou “coaching motivacional”. É um aviso sincero e irónico, de alguém que escreveu com uma consciência desarmante da bênção e da maldição de quem foi tocado pela escrita como forma de arte, de vida e de perdição. E que procura alertar quem deseja também o ser. Por isso, talvez seja tão importante lê-lo.