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Como Fazer Amor com um Negro sem se Cansar

de Dany Laferrière
Editor: Antígona, novembro de 2022 ‧
15,00€
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Montreal, um Verão escaldante nos anos 70. Dois negros sem tostão habitam um quarto exíguo: Cota - aspirante a escritor à la Bukowski e Miller, que, armado com uma Remington 22, quer mandar James Baldwin arrumar as botas - e Bouba, fanático por Coltrane, eremita que vive refastelado no divã a ler Freud e o Alcorão, e que ressona tão alto como o trompete de Miles Davis.

Os dois levam uma alegre vida boémia de sexo e jazz e, em nome da desforra pela colonização, travam a luta racial na horizontal, assombrados pelo portento sexual do prédio - o Belzebu do Andar de Cima -, que ameaça desmoronar-lhes o tecto.

Brilhante e provocador, traduzido em várias línguas, Como Fazer Amor com um Negro sem se Cansar (1985) é o romance de estreia de Dany Laferrière - em cujas páginas assistimos também ao nascimento de um escritor -, uma sátira feroz aos estereótipos e clichés racistas e às relações raciais na América do Norte. Explodiu como uma bomba no mundo francófono, consagrando um autor que continua a destilar irreverência e humor.

«Uma provocação astuta e incendiária sobre as relações interraciais que se tornou um succès de scandale.»
Guardian

«Um livro em que o racismo não é sancionado, mas sobretudo instrumentalizado e alvo da ironia das personagens.»
Deutschlandfunk Kultur

«Um dos livros mais divertidos, descontraídos e com mais jazz do ano [2017], um ataque frontal a todos os que gostam do conforto de dar temas por encerrados. O romance de Laferrière declara guerra a uma percepção que não reconhece os indivíduos como tais, mas os vê como membros de uma «espécie».»
Insa Wilke, Süddeutsche Zeitung

«A irreverência de Laferrière para com as vacas sagradas não resulta de um rude desejo de ofender. Faz parte da estratégia de um homem que se alimenta tanto da sua inquietação como da sua vivacidade para se despojar de todas as ilusões – as que confortam e as que desconcertam.»
James Campbell, Times Literary Supplement

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Wook se escreve no Canadá – Parte II

Nesta segunda parte (leia a primeira aqui), voltamos ao longínquo Canadá para lhe mostrar ficções tão fantásticas como a Emily St. John Mandel, ecos da História e do exílio de Michael Ondaatje e Dany Laferrière, a beleza do Universo contada por Huber Reeves e até… a literatura melódica de Leonard Cohen.
Este artigo foi publicado originalmente na revista wookacontece n.º 15. Emily St. John Mandel (n. 1979) Ficção que cruza eras e destinos
Com a ficção distópica Estação Onze (2014), Emily St. John Mandel viu o seu trabalho reconhecido mundialmente, com o Prémio Arthur C. Clarke e, em 2021, uma adotação a série televisiva. Este romance pós-apocalíptico acompanha uma trupe itinerante de Shakespeare após uma pandemia de gripe dizimar a população mundial. Repleto de suspense e emoção, explora a importância da arte e dos laços humanos em tempos de crise, enquanto nos confronta com os estranhos acasos que ligam as suas personagens. Ao fundir thriller e ficção literária, a escritora reflete sobre a fragilidade da civilização.
Em Mar de Tranquilidade, somo conduzidos numa viagem de rara beleza literária: no século XIX, Edwin St. Andrew ouve um violino ecoar num terminal de dirigíveis em plena floresta canadiana. Séculos depois, uma escritora regista a mesma cena num romance escrito na colónia lunar. Quando um detetive investiga o que parece ser uma anomalia causadora dessa experiência, depara-se com uma sobreposição inexplicável de tempo e espaço, postulando-se a hipótese de o Universo ser uma simulação. COMPRO NA WOOK! » Michael Ondaatje (n. 1943) Cronista de paixões e ecos da História
As obras de Michael Ondaatje são narrativas líricas e elípticas centradas num pequeno círculo de pessoas unidas por um mistério. Imortalizado pela adaptação ao cinema por Anthony Minghella, O Doente Inglês (1992), vencedor do Man Booker Prize – e do Golden Man Booker Prize – moldou a imagem internacional da literatura canadiana. Ambientado nos últimos dias da II Guerra Mundial, o romance alterna entre as memórias de quatro personagens e a sua vida numa pequena vila italiana devastada pela guerra, tendo no centro um homem gravemente queimado, «o paciente inglês», que desencadeará uma história de amor e traição. As fronteiras entre aliados e inimigos esbatem-se à medida que a experiência da guerra destrói e reconstrói a humanidade de cada personagem.
Entre os mais importantes romances de Ondaatje estão Coming Through Slaughter (1976), sobre a descida à loucura de um músico de jazz, e Running in the Family (1982), as memórias da vida do escritor no Ceilão, livro a que Atwood atribuiu o estatuto de lenda. COMPRO NA WOOK! » Leonard Cohen (1934-2016) A voz da dor e do desejo
Antes de se lançar na música, Leonard Cohen já tinha quatro coleções de poesia e dois romances publicados. Muitos dizem que a sua vocação de escritor – em que falava abertamente sobre sexualidade, a sua fé judaica e a sua luta contra a depressão – é a chave para entender tudo o que criou.
O seu livro mais célebre, O Jogo Favorito, é um bildungsroman sobre o alter-ego de Cohen, Lawrence Breavman, um rapaz judeu taciturno de uma família abastada. Com o seu amigo Krantz, tenta abrir caminho no mundo absorvendo todas as experiências possíveis em torno do sexo oposto, numa procura de amor e de beleza. Lawrence descobre o seu jogo favorito em Nova Iorque, onde se refugia depois de um êxito precoce como poeta, e conhece Shell, a mais linda das mulheres, com quem descobre, por fim a plenitude inebriante do amor completo e os sacrifícios que este exige.
No seu último livro publicado por cá, Um Balé de Leprosos, reúne um romance e contos inéditos de Cohen, um livro que comprova como a magia que animou o seu trabalho estava presente desde o início. COMPRO NA WOOK! » Dany Laferrière Exílio, pertença e provocação
Dany Laferrière, escritor haitiano-canadiano francófono, é celebrado pelas suas obras que exploram temas de identidade e exílio com rara vitalidade. O seu livro de estreia, Como Fazer Amor Com Um Negro Sem Se Cansar (1985), marcou a literatura contemporânea pela irreverência e crítica social. Em Montreal, num verão escaldante nos anos 70, dois negros sem um tostão que partilham um quarto exíguo. Cota, um aspirante a escritor, e Bouba, preguiçoso e devoto de Coltrane, levam uma alegre vida boémia de sexo e jazz: em tom de desforra pela colonização, travam a sua luta racial na horizontal.
O Grito dos Pássaros Loucos (2000) narra as últimas horas de Ossos Velhos – alter ego de Dany Laferrière – em Port-au-Prince, antes de partir para o exílio no Canadá, e na sequência do assassínio do seu maior amigo pelas milícias do ditador Duvalier. Um romance parcialmente autobiográfico sobre desenraizamento, de grande intensidade emocional. COMPRO NA WOOK! » Hubert Reeves O cronista do Universo
O astrofísico canadiano francófono mais conhecido do mundo era também um contador de histórias fascinante e um grande divulgador da ciência. Não explicar o complexo, dizia, «é antidemocrático».
Um Pouco Mais de Azul, um bestseller internacional, conta a história do Universo, da gestação cósmica à evolução da vida na Terra. Reeves parte da formação dos núcleos atómicos nas estrelas, continua pela evolução biológica e chega à inteligência humana. Mas a complexidade não termina com o homem e, no final, percebemos o nosso parentesco profundo com a Natureza, verdadeira família da Humanidade. COMPRO NA WOOK! » Patrick deWitt (n. 1975) Narrativas ácidas e inesperadas
O segundo romance de Patrick deWitt, Os Irmãos Sisters (2011), uma aventura turbulenta pela costa oeste dos EUA em 1851, valeu ao escritor uma nomeação para o Booker Prize. Os dois irmãos, chamados Sisters, metem-se numa série de problemas, resultando num western sombriamente engraçado e excêntrico sobre um assassino relutante e o seu irmão, um assassino consumado. Com esta história picaresca, o autor traça um retrato sarcástico e acutilante da frágil e perversa condição humana, tão vívido que inspirou um filme de cinema. COMPRO NA WOOK! » Veja aqui o trailer da adaptação ao cinema de Os Irmãos Sisters

Como Fazer Amor com um Negro sem se Cansar

de Dany Laferrière

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726084198
Editor: Antígona
Data de Lançamento: novembro de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 136 x 211 x 8 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 152
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789726084198

SOBRE O AUTOR

Dany Laferrière

Dany Laferrière (Haiti, n. 1953), inédito em Portugal, começou a carreira como jornalista em Port-au-Prince. Num país nas garras do ditador Baby Doc, o exílio tornou-se rapidamente um assunto de família: filho de um exilado político, e na lista negra das milícias, fixou-se no Canadá em 1976, depois do assassínio de Gasner Raymond, seu colega e amigo. Membro da Academia Francesa desde 2013, vencedor de um Prémio Médicis em 2009, é hoje um dos pilares da francofonia e um dos maiores vultos literários do Quebeque. É autor de 26 obras – inúmeros romances e livros de crónicas, traduzidos em mais de quinze línguas – que se repartem entre as suas vivências no Haiti e as experiências na América do Norte, entre os quais, Pays sans chapeau (1996), L’Énigme du retour (2009) e L’Art presque perdu de ne rien faire (2011).

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