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Cerejeiras em Paris

de Gabriel Raimundo
Editor: Chiado Books, dezembro de 2013 ‧
15,00€
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"O jovem Evónio - mobilizado para a Guiné como Alferes Miliciano em 29 de Abril de 1968 - decide trocar Bissau por Paris, a salto, na companhia do Sargento Arraiano que já lá tem radicada a sua mãe Dora. A anfitriã proporciona aos jovens uma subida ao topo da Tour Eiffel...
Inesperadamente, Evónio exclama, extasiado com o panorama alcançado daquele patamar permitido a visitantes:
- Ó que belo e extenso campo de cerejeiras!
Acompanha de perto a rebelião estudantil de Maio 68 que acaba por paralisar a capital francesa, com a adesão dos vários sectores laborais - ao espontâneo movimento contestatário - com laivos revolucionários. Enriquece-se cultural e politicamente na Cidade-Luz. Aqui, no Café Luxembourg, todos os dias se conjecturava uma Revolução para derrubar o regime ditatorial de Lisboa.
Neste clima febril, acaba por se engajar no MEEP - Movimento de Emigrantes e Exilados de Portugal, orientado por Itamar Palmeirim, o Destemido.
Ao cabo de uma vivência agitada em Paris, convivendo com muitos imigrados e dinamizando inclusive o jornal Voz dos Desterrados, Evónio e três companheiros combinam ingressar, finalmente no País, dispostos a darem o seu contributo para a instauração de um regime democrático. Porém, são surpreendidos por uma patrulha da Guardia Civil, na raia de Aldeia Fria, e encarcerados em Salamanca.
Ao ser libertado - juntamente com os companheiros - em 31 de Maio de 1974, Evónio predispõe-se a reconciliar-se com a ex-noiva Açoriana e parte para o Funchal onde a localiza, como Professora de crianças... Conhecera-a ainda estudante liceal, na sua cidade de Ponta Delgada em 1967, aquando da instrução a recrutas que ele dera no quartel dos Arrifes, Ilha de S. Miguel... Entretanto, as medidas de despiste dos Carimbadores de Passaportes e o turbulento quotidiano sob céu de Paris vieram a obnubilar o idílio, designadamente pelo longo hiato na correspondência remetida por Evónio com selo francês, quando a enamorada e familiares o supunham algures, detectando e removendo minas e armadilhas dos turras, nas picadas patrióticas da Guiné...
O reencontro foi emotivo e reataram os laços amorosos... Casam e optam por viver na Margem Sul do Tejo, em casa mirante sobre o Mar Oceano, não perdendo o espírito solidário com a evolução sociocultural e política do País.
Com a mirada no horizonte das navegações, Evónio revela à esposa:
- Eu só não te trago Paris para o teu regaço, porque não posso colher esta maravilha, no cimo das cerejeiras da minha terra. Mas, havemos de lá ir!
- E comer cerejas! - remata Constança sorridente, já com os dentinhos da cor vermelhinha daqueles apetecíveis frutos, tão queridos quanto Paris!"

Cerejeiras em Paris

de Gabriel Raimundo

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895107735
Editor: Chiado Books
Data de Lançamento: dezembro de 2013
Idioma: Português
Dimensões: 143 x 223 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 261
Tipo de produto: Livro
Coleção: Viagens na Ficção
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895107735

SOBRE O AUTOR

Gabriel Raimundo

Gabriel Raimundo nasceu em Abril de 1945 nas abas da Serra da Estrela – Tortosendo, concelho de Covilhã – e ancorou, na orla da lendária Capa Rica (Costa e Charneca de Caparica – Almada) na década de 70.
Entretanto, conheceu Luanda entre 1962 e 64, na área da escrita contabilística e seu ambiente de subtil discriminação racial que o incentivou a aprofundar a vocação literária, vislumbrada na fase das Redações escolares.
A veia da Criatividade deu vazão, a textos poéticos e de prosa, no estrondear da Utopia despoletada no Maio de 68, enquanto exilado político, no seguimento do Não! – ao embarque para a Guiné dita Portuguesa, como Alferes Milano.
Na Cidade-Luz, pugnou pelo esclarecimento civilizacional dos nossos patrícios, designadamente nas páginas do Jornal do Emigrante, na qualidade de Diretor. A urbe inspiradora do Humanismo Universal aproximou-o, de indomáveis lutadores pela implantação da Democracia em Portugal e libertação dos povos, sob o angelical jugo do Império Colonial, telecomandado do Palácio de S. Bento.
Frequentou a Sorbonne, a Alliance Française, e a Universidade de Lovaina, na Bélgica, trabalhou para sobreviver, acreditando sempre na sonhada Revolução… De meados de Agosto de 1973 ao final de Maio de 1974, esteve encarcerado em Salamanca, depois de ter sido surpreendido pela Guardia Civil, mais cinco companheiros, perto da raia de Vilar Formoso, com saudades antecipadas de um Sol – com cheiro a cravos – no país de suas raízes.
Reanimou a Delegação da Covilhã do Jornal do Fundão até aos últimos dias de Dezembro de 1974, altura em que foi mobilizado para Luanda, no período da Descolonização, regressando a Lisboa, depois de cerca de três meses de coexistência com as forças político-militares, empenhadas no polémico processo da Independência de Angola.
No regresso, ainda frequentou a então agitada Faculdade de Direito de Lisboa e, no seguimento de uma enriquecedora experiência como Jornalista profissional, fundou o quinzenário Portugal Cá & Lá e… aterrou em Cabo Verde, onde permaneceu de 1988 a 92, como Formador e Redator do Voz di Povo, sediado na Praia… Foi um tempo de amizades duradouras e também chão de inspiração, para vários livros - e de consolidação da sua costela de Escritor.
A lista de obras – individuais e coletivas – continua a dilatar-se, tal como a sua identificação com os concidadãos que labutam e lutam, choram e riem, nunca perdendo de vista o Sonho, pelo aspirado Mundo Novo em construção insone.

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