Bilhetes de Colares
1982 -1998
Editor:
Assírio & Alvim, julho de 2009 ‧
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SINOPSE
Numa das quatro crónicas que, em começos de 1997, e
assinando José Cutileiro, escreveu para O Independente,
lemos: «Vivo no estrangeiro. […] Na minha cabeça, Portugal
tende a ser uma recordação fixa, como
quem, viajando num túnel, imaginasse a paisagem exterior a
partir da sua memória dela. Falta-me o embate constante
como o que se passe e com o que os outros forem achando
daquilo que se passe».
Haveria, pois, aqui e ali, sobreposições do cronista Kotter com o antropólogo Cutileiro. Poderão ter sido os dois a afirmarem, num bilhete: «Há muito tempo que não faço excursões pela província.» E noutro: «Já não tenho idade nem saúde para calcorrear Portugal de lés a lés e, pelo que me dizem, talvez não o reconhecesse.» Parece admissível que os «Bilhetes» tenham cessado no quadro de uma remodelação no último semanário onde saíam. Mas eles já haviam sobrevivido a outras convulsões. Pode igualmente admitir-se que o cronista via, ao fim de 16 anos, satisfatoriamente consumada essa aventura que nunca cessara de espantar Freddy Kotter: a de uma intervenção regular, e visível, em prestigiados pódios de opinião. Sem a ilusão de influir, decerto, mas com não menos disposição de afrontar.
Podemos ir mais longe, e supor que os «Bilhetes» serviram a divulgação — sob a adorável cifra de uma autoria estrangeira — de convicções e alvitres que o diplomata tinha de reservar aos gabinetes, quem sabe sob que mais elaborados códigos ainda. Álibi sofisticado, à falta de ser perfeito, os Bilhetes de Colares tiravam forças desta recusa de um mundo de palavras medidas que era, dia e noite, o de José Cutileiro.
Haveria, pois, aqui e ali, sobreposições do cronista Kotter com o antropólogo Cutileiro. Poderão ter sido os dois a afirmarem, num bilhete: «Há muito tempo que não faço excursões pela província.» E noutro: «Já não tenho idade nem saúde para calcorrear Portugal de lés a lés e, pelo que me dizem, talvez não o reconhecesse.» Parece admissível que os «Bilhetes» tenham cessado no quadro de uma remodelação no último semanário onde saíam. Mas eles já haviam sobrevivido a outras convulsões. Pode igualmente admitir-se que o cronista via, ao fim de 16 anos, satisfatoriamente consumada essa aventura que nunca cessara de espantar Freddy Kotter: a de uma intervenção regular, e visível, em prestigiados pódios de opinião. Sem a ilusão de influir, decerto, mas com não menos disposição de afrontar.
Podemos ir mais longe, e supor que os «Bilhetes» serviram a divulgação — sob a adorável cifra de uma autoria estrangeira — de convicções e alvitres que o diplomata tinha de reservar aos gabinetes, quem sabe sob que mais elaborados códigos ainda. Álibi sofisticado, à falta de ser perfeito, os Bilhetes de Colares tiravam forças desta recusa de um mundo de palavras medidas que era, dia e noite, o de José Cutileiro.
CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Sem os "Bilhetes de Colares" sabíamos todos muito menos sobre este país que tão generosamente nos acolhe no seu seio. E seríamos ainda mais sisudos do que já somos.»
Pedro Mexia, Público
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 978-972-37-1258-2 |
| Editor: | Assírio & Alvim |
| Data de Lançamento: | julho de 2009 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 159 x 221 x 23 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 352 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Peninsulares |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Crónicas
Livros em Português > Literatura > Memórias e Testemunhos |
| EAN: | 9789723712582 |
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