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Baumgartner

de Paul Auster
Livro eBook
Editor: Edições Asa, outubro de 2023 ‧
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Tudo começa com uma panela de água, que Sy Baumgartner - escritor de renome e professor de Filosofia à beira da reforma - acabou de esquecer no fogão.

A vida de Baumgartner fora definida pelo seu profundo amor pela mulher, Anna. Nove anos passaram desde que ela morreu inesperadamente num bizarro acidente de natação, e Baumgartner continua a lutar para sobreviver à sua ausência.

O romance de ambos é-nos então desvendado desde o seu início, em 1968, quando Sy e Anna se conhecem enquanto estudantes falidos em Nova Iorque, e segue a relação apaixonada que mantêm ao longo dos quarenta anos seguintes.

Serão as memórias de Baumgartner coincidentes com as de Anna, cujos textos autobiográficos ele decide agora ler? Porque é que nos lembramos de certos momentos da nossa vida e esquecemos outros por completo? De que são feitas as nossas histórias pessoais?

Baumgartner revela Paul Auster no auge da sua mestria criativa e estilística. Um romance fulgurante sobre a beleza e a tragédia da vida quotidiana.

"O novo romance de Paul Auster começa com uma panela que Sy Baumgartner, professor de filosofia à beira da reforma, esqueceu ao lume. Quando nos juntamos a ele na secretária da sua casa em Nova Jersey, Sy levanta-se para ir buscar um livro, mas de repente lembra-se da dita panela que ficou no fogão ligado e… espera… Sy não tinha ficado de ligar à irmã? Enquanto hesita entre o telefone e a cozinha, há um funcionário da UPS a tocar à porta, a filha pequena da empregada que lhe liga, angustiada, porque o pai acaba de cortar dois dedos num acidente no trabalho, alguém da companhia de eletricidade que vem verificar o contador, uma queda aparatosa nas escadas da cave… Os incidentes sucedem-se em catadupa, a um ritmo alucinante, obscurecendo um dia aparentemente normal. Nada que se compare, no entanto, ao telefone desligado do escritório que de repente começa a tocar, trazendo a Sy uma ligação impossível com a mulher, Anna, morta num acidente no mar há quase dez anos.
O romance vai-se desdobrando sinuosamente em espirais de memória, desde episódios ambientados nos anos 60 em Nova Iorque, quando Sy e Anna eram ambos estudantes universitários sem dinheiro, percorrendo o seu relacionamento apaixonado ao longo dos quarenta anos seguintes, para depois regressar à infância do protagonista em Newark e à vida do seu pai, um imigrante nascido na Polónia.
Debruçando-se sobre o amor, a perda e a memória, Baumgartner é um romance terno que nos relembra a beleza dos pequenos nadas do dia a dia; uma das obras mais luminosas de um dos maiores escritores da atualidade."

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Os melhores livros de Paul Auster

Nasceu em 1947, morreu este ano. Para trás, Paul Auster, deixou uma obra contundente e um batalhão de leitores.
Podíamos ir aos dados biográficos, e vamos como quem não quer a coisa: licenciou-se na Universidade de Columbia, viveu em França, traduziu Breton, Sartre, Mallarmé, foi influenciado por Dostoievski, Beckett, Proust. Mas perdermo-nos na cronologia da vida de um autor acaba sempre por roubar espaço ao que importa, as palavras transformadas em frases, as frases transformadas em parágrafos, os parágrafos transformados em romances que mudam a cabeça de quem lê.
Ora, quem lê Paul Auster nem precisa de sair de casa para se ver em Nova Iorque. Pedra a pedra, o autor foi construindo uma obra que apresenta ao mundo o americanismo e, mais do que isso, o nova-iorquismo. Nisto, a vida não lhe foi só literatura: em 1998, realizou o seu primeiro filme, Lulu on the bridge. Auster notabilizou-se como autor, mas quem o tiver lido não se surpreende com a ligação ao grande écran, uma vez que se percebe a influência de um na outra. A sua prosa é rápida, quase física, o leitor vê enquanto lê, e não pára de ver nem de ler porque Auster escrevia ao ritmo de um thriller.
Foto © Thomas Lekfeldt CC BY-NC-SA Como Philip Roth, seu vizinho – se é que pode chamar-se vizinho a quem vive numa cidade como Nova Iorque –, o que escrevia tinha um quê de autobiográfico. Mas, longe de se afundar no eu, Auster metia histórias dentro de histórias, e para quem lia sobrava o redemoinho da prosa depurada que dava o que importava – a vida em bruto.
O sucesso e os leitores não chegaram do nada. Em 1981, assinou o seu primeiro contrato com uma editora. Eis o manuscrito Squeeze Play, publicado sob o pseudónimo de Paul Benjamin. O livro foi editado no ano seguinte e não há eufemismo que o safe: pouco vendeu, e apenas em duas livrarias da cidade. Como se não bastasse, a editora já se encontrava na altura em processo de falência. Dali, Auster seguiu para a Avon Books, que hoje pertence à Harper Collins.
Os leitores conhecê-lo-ão por muitos livros que fizeram caminho. A Trilogia de Nova Iorque, (1985) é dos tais que põem qualquer leitor, de qualquer parte, naquele lugar enorme que o mundo se habituou a ver como um amontoado caótico de gente e arranha-céus. São três narrativas ambientadas na cidade, posteriormente agrupadas num único volume. Foi o livro que levou Auster ao mundo inteiro, e o mundo inteiro a Nova Iorque. Num rompante, o autor afirmava-se como o escritor da cidade, mostrando o caos e a violência das suas ruas.
Ruas essas que continuaram a ser musas. Vinte anos depois, a cidade continuava a ser personagem. As Loucuras de Brooklyn (2005) usa as eleições dos Estados Unidos de 2000 como pano de fundo. Mas, em primeiro plano, estão Nathan e Tom, tio e sobrinho. Acabam por acidente em Brooklyn, e então Auster dá a vida de todos os dias, os toques corriqueiros que acontecem e formam o dia-a-dia durante eventos que moldam os países e mudam o mundo – e lê-se sobre a procura de solidão numa cidade de milhões.
Já o romance 4 3 2 1 (2017) é uma experiência literária que é, por si só, o voo da literatura. Ali, quatro versões do mesmo homem vivem versões da mesma vida, consoante circunstâncias pontuais. Se a literatura não é essa cogitação, esse jogo de encaixe, essa hipótese que se arrasta até às últimas consequências, será o quê? Lê-lo é, por isso, assumir o jogo literário como cogitação, pergunta, teste. Auster foi mais do que ficção, tendo sido também biógrafo de Stephen Crane – com Burning Boy – e tendo publicado um ensaio sobre a violência armada nos Estados Unidos – com Bloodbath Nation. Logo no início da sua carreira, em 1982, publicara A invenção da solidão, um livro de memórias (eis mais Nova Iorque), em que se juntam as recordações de infância aos seus primeiros anos como escritor.
Para além de escritor, tradutor, ensaísta, Paul Auster foi marido e pai, e foi pai em luto: em abril do ano passado, viu morrer o filho mais velho, de overdose. Daniel era também filho de Lydia Davis.
Após diagnóstico de cancro, Paul Auster morreu em abril de 2024. Para trás, ficou esta coisa toda, aqui resumida num tiro, e muito mais.

Baumgartner

de Paul Auster

Propriedade Descrição
ISBN: 9789892359519
Editor: Edições Asa
Data de Lançamento: outubro de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 156 x 238 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 208
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789892359519

Viagem de amor

R

Uma bela viagem no tempo, presente e futuro, a vida e a morte, e o amor ... E, as nossas memórias, até onde resistem...

Baumgartner adorei

Ler, um prazer adquirido

Paul Auster. Não sei porquê porque livros dele há mas imaginava sérios e nada divertidos. Um discurso sério-cómico, critico e muito realismo, os mesmos fatores que me levam a gostar de ler Siri Hustvedt era o que deveria ter levado em conta. Baumgartner e o seu pequeno acidente doméstico, bem como a sequência de peripécias, levou-me a pensar em Ove, também ele um homem viúvo e pouco sociável mas as semelhanças ficam por aí. Ove é uma personagem zangada, fechada. Sy não. Ambas mudam. Sy é professor e escritor. Um homem inteligente, lúcido que se sente dissociado. Um homem em fuga, que o sonha com Anna e que percebe que o tempo se escoa. "... quando chegar o fim que ao menos lhe seja concedida a dignidade de o seu coração parar em pleno esforço de uma última frase da sua lavra, de preferência as palavras finais de um sonoro vão-se foder dirigido aos loucos famintos de poder que governam o mundo. " Linguagem acessível, escrita elegante e muito fluida para uma grande empatia com Baumgartner. Adorei.

Sy Baumgartner

Antóni Martins

Sy Baumgartner, professor de Filosofia na Universidade de Princeton e escritor já na casa dos setenta, vive atormentado pela morte súbita da esposa Anna, ocorrida há cerca de nove a dez anos num acidente aquático. Apesar das décadas passarem, a ausência dela mantém o protagonista preso a um ciclo de luto, memórias e solidão Reddit+14SAPO Mag+14Gama Revista+14 . A narrativa inicia com um momento doméstico banal: uma panela esquecida no fogão que acaba por provocar uma queima na mão de Baumgartner. Esse incidente desencadeia uma série de falhas triviais, interrupções e memórias dispersas que invadem a sua mente, transformando o quotidiano num labirinto emocional cheio de reminiscências

SOBRE O AUTOR

Paul Auster

Paul Benjamin Auster (Newark, Estados Unidos, 3 de fevereiro de 1947 – Nova Iorque, 30 de abril de 2024) é um nome maior da literatura contemporânea. Foi galardoado com o Prémio Príncipe das Astúrias de Literatura 2006, nomeado Comendador da Ordem das Artes e das Letras de França em 2007 e foi membro da Academia Americana de Artes e Letras e da Academia Americana de Artes e Ciências. Autor de culto, a sua obra encontra-se traduzida em mais de quarenta línguas. Foi casado com a escritora Siri Hustvedt.

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