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Bartleby, o Escrivão

de Herman Melville
Editor: Relógio D'Água, junho de 2015 ‧
5,00€
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Quando um advogado de Nova Iorque precisa de empregar um escrivão, é Bartleby quem responde ao anúncio. Apresenta-se «pálido e asseado, com um ar respeitável mas que inspirava compaixão, e claramente desamparado». Mostrando-se de início um empregado prestável, rapidamente começa a recusar trabalho, dizendo apenas: «Preferia não o fazer.» Assim começa a história de Bartleby — absurdamente passivo, paradoxalmente disruptivo —, uma história que rapidamente muda de registo de farsa para uma inexplicável tragédia.

«Bartleby é mais do que um artifício ou ócio da imaginação onírica; é fundamentalmente um livro que nos mostra essa inutilidade essencial, que é uma das quotidianas ironias do universo.»
J. L. Borges

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Num mundo à parte

Há personagens que não estão apenas deslocadas, estão fora. Fora da comunidade, fora da norma, fora da linguagem comum. Não pertencem porque não sabem, porque não querem, porque recusam ou porque o mundo nunca lhes abriu verdadeiramente a porta. A literatura está cheia destas figuras que vivem num mundo à parte, não como excentricidade, mas como condição. Os cinco livros que se seguem partilham esse lugar. Não procuram integrar as suas personagens nem oferecer trajetos de superação. Limitam-se a acompanhá-las enquanto permanecem à margem, obrigando-nos a permanecer ali também, sem atalhos nem conforto. Eu que Não Conheci os Homens, de Jacqueline Harpman Em Eu que Não Conheci os Homens, Jacqueline Harpman parte de uma situação extrema para abordar temas fundamentais. Um grupo de mulheres vive encarcerado numa cela subterrânea, vigiado por guardas que nunca comunicam nem explicam a razão do cativeiro. Entre elas está uma jovem, capturada ainda criança, que nunca conheceu o mundo exterior nem qualquer forma de vida fora daquele espaço confinado. Um dia, sem qualquer explicação, ouvem-se sirenes, os guardas abandonam o local e a porta da cela abre-se. O alívio sentido pelas outras mulheres não é partilhado pela protagonista, que vê no mundo exterior um espaço mais hostil do que a cela onde passou toda a vida. A liberdade, em vez de abrir possibilidades, transforma-se numa forma de desorientação, e a jovem aventura-se, pela primeira vez, num território que não sabe habitar.
O interesse do livro não está na explicação da situação, mas na experiência de uma consciência sem referências culturais, sociais ou afetivas. Harpman constrói uma voz narrativa fria, lógica e muito controlada, que observa tudo com uma clareza quase científica. Esta escolha estilística dá ao romance uma força rara, porque nos obriga a confrontar ideias fundamentais sobre liberdade, identidade e conhecimento. É um livro breve, radical e profundamente perturbador, que continua a fazer sentido. Num tempo em que procuramos livros que nos prometam respostas e soluções, esta obra aceita o vazio como condição e não como falha.

COMPRO NA WOOK! » Uma questão de conveniência, de Sayaka Murata Sayaka Murata, em Uma Questão de Conveniência, parte de um quotidiano banal para observar o desconforto de quem nunca se encaixa. Keiko trabalha há quase vinte anos numa loja de conveniência em Tóquio. O seu dia a dia, feito de regras claras, frases padronizadas e comportamentos previsíveis, dá-lhe uma sensação de ordem e equilíbrio. Fora da loja, porém, tem dificuldade em compreender as expectativas sociais ligadas à carreira, ao casamento ou à ambição pessoal e limita-se a reproduzi-las para evitar conflitos, sem nunca as interiorizar. O romance constrói-se nesse confronto entre adaptação e incompreensão, e a escrita de Murata, aparentemente simples, mantém uma ironia constante que questiona a própria ideia de normalidade. O livro não procura explicar nem corrigir a protagonista, prefere acompanhá-la, deixando que a sua forma de estar revele, sem dramatismos, o carácter arbitrário de muitas regras sociais que tomamos como naturais. COMPRO NA WOOK! » A Parede, de Marlen Haushofer Durante uma estadia numa casa de campo, uma mulher descobre que uma parede invisível a separa do resto do mundo. Apercebe-se de que tudo do outro lado está imóvel, como se a vida tivesse sido interrompida. Sem qualquer explicação para o que aconteceu, fica reduzida a esse espaço e vê-se obrigada a reorganizar a sua existência em completo isolamento, sobrevivendo através da agricultura, da caça e da convivência com animais. O romance recusa o suspense e a especulação sobre a origem da parede, concentrando-se antes no quotidiano, na repetição dos dias, na adaptação do corpo e na transformação gradual da protagonista à sua nova realidade. A escrita é contida, precisa, atenta aos gestos mínimos e às tarefas mais simples, e é precisamente aí que reside a sua força. A Parede, de Marlen Haushofer, vale pela coerência do olhar e pela forma como transforma uma situação inverosímil numa reflexão sobre autonomia e resistência, sem nunca ceder à tentação de oferecer respostas fáceis.

COMPRO NA WOOK! » Bartleby, o Escrivão, de Herman Melville É quase impossível falar de personagens que vivem num mundo à parte sem referir um dos exemplos mais desconcertantes da literatura. Bartleby é contratado para trabalhar num escritório de advogados em Wall Street e, durante algum tempo, cumpre as suas funções em silêncio e sem incidentes. Até que, perante um pedido simples, responde pela primeira vez: «Preferia não o fazer.» A partir daí, essa recusa calma e repetida começa a desorganizar todo o funcionamento do escritório. Não há explicações psicológicas nem morais para o comportamento do funcionário e o leitor é convidado a observar o embaraço de um sistema que não sabe lidar com alguém que não se revolta, mas também não colabora. Melville constrói este conto em torno dessa frase mínima e das reações que provoca, e é essa ambiguidade que torna Bartleby, o Escrivão inesgotável e que explica a sua permanência como um dos textos mais atuais sobre trabalho, alienação e recusa silenciosa.

COMPRO NA WOOK! » Fome, de Knut Hamsun Em Fome, de Knut Hamsun, acompanhamos um escritor pobre que vagueia por Oslo numa luta contra a falta de comida, a precariedade material e a degradação progressiva do pensamento. Orgulhoso, contraditório e instável, o jovem recusa ajuda, mente, delira e tenta preservar uma ideia de dignidade enquanto o corpo e a mente se desorganizam. O romance não se define tanto pela sucessão de acontecimentos, mas pela forma como a linguagem acompanha esse colapso. O texto avança aos solavancos, muda de tom, perde controlo e recupera-o momentaneamente, espelhando o estado físico e mental do narrador. Fome destaca-se pela intensidade da escrita e pelo modo como antecipa uma literatura centrada na consciência fragmentada, sem qualquer tentativa de suavizar a experiência da carência ou da humilhação.

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Bartleby, o Escrivão

de Herman Melville

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896413767
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: junho de 2015
Idioma: Português
Dimensões: 119 x 190 x 4 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 64
Tipo de produto: Livro
Coleção: Livros de Bolso
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896413767

Uma obra-prima

André Lamas Leite

Uma obra que anuncia uma certa "literatura do absurdo", que antecipa Kafka em vários aspetos, e que se debruça sobre o desejo humano e o modo como ele pode ou não ser controlado. Bartleby, na sua profissão, assume uma posição de negacionismo imobilista que nos deixa desconcertados, sobretudo porque as convenções sociais não nos permitem dizer ou fazer aquilo que efetivamente pensamos ou desejamos.

Desobediência

Ana

Não se deixem iludir pela supostamente prenunciadora capa, Bartleby optou pela desobediência pacífica, até às últimas consequências, como que construindo um tríptico da máquina trituradora dos tempos modernos (Chaplin): desobediência profissional, desobediência civil, desobediência vital. Melville é quase genial num pequeno conto, presciente dos ventos da voracidade da economia liberal nos séculos vindouros. Só a Relógio d’Água para arriscar perder dinheiro no resgate desta pequena preciosidade.

Excelente

João Mascarenhas

A curiosa história do escriturário que decide preferir não fazer o que lhe pedem para incredulidade do patrão. A partir daí tudo se desenvolve à volta da sua pouca vontade de sair do seu próprio mundo, que ninguém compreende. Este conto é provável que seja um dos primeiros sobre personagens que nunca chegamos a compreender totalmente, como o Estrangeiro de Camus. É um existencialismo misterioso com algumas pitadas de humor subtil. Conhecia Melville do Moby Dick mas com este conto acabei a comprar o livro Ficção Curta Completa na esperança de encontrar mais pérolas como esta.

O poder da atitude contemplativa

António J. Figueira

Tomei contacto com esta obra após uma breve referência à mesma no ensaio ´´A Sociedade do Cansaço´´ do filósofo germano-sul-coreano Byung Chul Han. Embora o paradigma de sociedade disciplinar em que ocorre a narrativa de ´´Bartleby, o Escrivão´´, creio que o comportamento radical deste escrivão de Wallstreet me despertou para a importância da vivência contemplativa, que confere sentido á existência humana, tantas vezes vivida maquinalmente. É curioso, e, simultaneamente assombroso, a forma como Herman Melville consegue produzir no leitor uma extrema empatia para com o caso da personagem principal com este grau (aparente!) de inação.

O poder de um mantra

Gonçalo Gomes

Um homem que gradualmente se recusa a fazer parte de uma engrenagem esmagadora, recorrendo ao seu mantra inabalável de preferir não fazer, numa viagem divertida mas também ominosa.

Uma obra-prima

Nuno

Uma leitura obrigatória de um dos mestres do canône literário norte-americano.

O D. Quixote moderno

ABP

Discreto, lacónico, Bartleby é o homem que toca o fogo e transporta o abismo de se recusar à escravidão das rotinas da concepção do real. Talvez o anti-herói mais inspirador que me apareceu.

um livro para ler e reler muitas vezes!

Luís Nuno Barbosa

um livro que nos confronta com as incongruências em que vivemos a nossa existência. uma personagem maior da história da literatura universal, num livro muito pequeno, mas pleno, que importa ler e reler.

Preferia não o fazer

Noemia Gavina

Poucas páginas que enchem o nosso pensamento de vontade de ser "contra", contra o quê? Não importa, o que importa é não continuar o absurdo, não continuar a ordem existente, não continuar a ser peças da engranagem que nos sufoca como individuos, mesmo que isso nos custe a própria existência.

Ansiosa por começar

Carina F.

Tenho lido imensas críticas positivas sobre este livro e foi por isso que decidi comprá-lo. Estou ansiosa por começar a lê-lo!

SOBRE O AUTOR

Herman Melville

Herman Melville (1819-1891) foi um dos mais importantes romancistas da literatura norte-americana; foi também contista, ensaísta e poeta, com mais de 30 obras publicadas. Melville, cujo nome qualquer leitor reconhece de «Moby Dick», a história da perseguição à grande baleia branca, nasceu no seio de uma família de grande prestígio, mas com grandes dificuldades económicas, que os pais esconderam a Herman e aos seus sete irmãos. O pai sofria de desequilíbrios emocionais graves e havia na família divergências religiosas. Herman e os irmãos acompanharam os pais para várias cidades americanas sempre que estes tentavam refazer a sua vida, e a sua educação foi feita em diversas escolas. Teve vários trabalhos em escritórios e lojas, e de 1839 a 1844 foi marinheiro embarcado em diversos navios. Nos cinco anos que se seguiram publicou grande parte dos seus livros, inspirados na sua experiência marítima, e viu a crítica e sobretudo o público reconhecer-lhe os méritos. Inicia uma correspondência e amizade profícuas com o escritor Nathaniel Hawthorne e publica a sua obra-prima «Moby Dick» em 1851 (primeiro em Inglaterra e só depois nos Estados Unidos). A partir desses anos, Melville, que casara e planeara viver da escrita, cai no esquecimento do público e até ao fim da vida tem de aceitar diversos trabalhos para sobreviver. Só após a sua morte, e aquando do centenário do seu nascimento, é que a crítica redescobre o autor e o seu génio e Melville passa a integrar o panteão dos grandes nomes das letras universais.

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