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Autobiografia Não Autorizada 2

de Dulce Maria Cardoso
Editor: Tinta da China, setembro de 2023 ‧
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
«Talvez tivesse sido melhor começar por falar da decisão de me usar como personagem: tendo em conta que, numa crónica, se espera que o autor esteja mais declaradamente presente, este seria o sítio em que experimentaria não fugir de mim. Bem sei que era arriscado: vivi histórias extraordinárias, vi-me envolvida em situações terríveis, também eu se quisesse enlouquecia. Talvez não fosse prudente aventurar-me por mim adentro. Daí a autobiografia ser não autorizada. Escreveria a minha biografia à minha revelia. O ilícito desmascarado no não autorizada dizia-me exclusivamente respeito. Nunca pensei que pudesse ser de outro modo. Evidentemente que ao falar de mim falaria também daqueles que estão ou estiveram comigo, dos que passam ou passaram por mim. Não estou sozinha, nunca estive sozinha, não sei estar sozinha. Não quero estar sozinha. Os outros estariam a salvo nas minhas crónicas, eu seria a única a correr perigo: estilhaçar-me na minha memória. Não sei escrever sobre o que não amo. Escrever é descobrir, é conhecer. E conhecer, se não é amar, é pelo menos dispor-me a amar. Dispor-me a amar coisas ignóbeis, às vezes. O que também é assustador. Aqueles que não amo nunca terão lugar no que escrevo. O que escrevo é iluminado pelos que amo, são eles que escrevem o que escrevo. Ou, dito de outra maneira, eu sou os que amo, são eles que me escrevem.»
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Crónicas e memórias

As crónicas são a narrativa dos tempos. A dos tempos de um país, de uma sociedade, de uma pessoa. Partem da memória do escritor, ou da análise que faz do que o rodeia. São textos curtos, mas nem por isso menos impactantes. Deriva Após o sucesso do seu primeiro romance, Leme, uma autêntica mordida de tubarão, pela forma crua com que relata um momento da sua vida, Madalena Sá Fernandes entrega-nos estas breves pinceladas de genialidade. Em Deriva, encontramos um conjunto de crónicas que foram sendo publicadas em órgãos de imprensa nacional, mas também alguns inéditos da autora. Viajamos entre um humor que brinca com as convenções, passamos por parágrafos que nos emocionam, outros que provocam e, outros ainda, de um lirismo muito particular. Estamos no território do detalhe, da observação precisa, de uma ironia que não passa despercebida e que confirmam Madalena Sá Fernandes como uma das mais importantes vozes literárias portuguesas da atualidade. QUERO LER!






  As 100 melhores crónicas Um trabalho hercúleo, este o de escolher apenas cem crónicas entre os provavelmente milhares de textos geniais escritos pelo MEC, como é conhecido o autor deste livro. São crónicas que tinham o condão de pôr Portugal a falar delas no dia em que eram publicadas, mexendo num país que precisava de ser picado, que temia o humor cáustico e que se fechava numa roupagem de conformidade a que Miguel Esteves Cardoso nunca prestou vénia. É curiosa, no entanto, a sua inegável atualidade e como ainda faz falta esta voz que desinquieta, própria dos melhores entre os melhores. Neste livro encontramos um leque de emoções amplo, expostas em textos que são a voz de muitos os que questionam o mundo e para os quais não existem temas intocáveis. QUERO LER! Autobiografia não autorizada 2 A ideia de escrevermos sobre nós mesmos sem para isso termos a nossa própria autorização não é tão confusa quanto parece. A crónica não tem de obedecer à verdade dos factos, como outros géneros jornalísticos. Não existe um dever para com a imparcialidade. Pede-se ao cronista precisamente o contrário: que leia para lá do óbvio, que apresente pontos de vista, que celebre a opinião. Dulce Maria Cardoso fá-lo com a perícia de quem domina as palavras ao ponto de as pôr a dizer exatamente o que elas querem dizer, sem descurar um mundo de interpretações e riqueza estilística. Nestas crónicas, a escritora vai sobretudo às suas memórias, misturando o normal com o excecional, revisitando uma ironia e uma acutilância muito próprias, com as quais nos tínhamos já deliciado no primeiro volume desta sua autobiografia. QUERO LER! Todas as crónicas Quem gosta de ler o que escreveu Clarice Lispector é geralmente um advogado de defesa da autora, empenhado em seduzir outros leitores para a profundidade da sua escrita. Mas Lispector pode não ser fácil à primeira vista. Entramos num mundo denso, os sentimentos esdrúxulos, o torpor dos tempos nas suas palavras. Uma escrita onde a complexidade anda de mãos dadas com uma sensação de que pouca coisa está bem no mundo e na vida, há que mudar tudo, mesmo tendo aquele burburinho de desistência a soprar no ouvido. Este livro pode ser uma boa entrada para o mundo de Clarice Lispector. A estas crónicas não falta o seu jeito, está lá tudo. Mas, pelas características do próprio género, acreditamos que será um primeiro encontro bem-sucedido com a autora. E, depois, não há como não querer um segundo. QUERO LER!

Autobiografia Não Autorizada 2

de Dulce Maria Cardoso

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896717742
Editor: Tinta da China
Data de Lançamento: setembro de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 145 x 213 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 248
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Crónicas
EAN: 9789896717742

Admirável Autobiografia

Ler, um prazer adquirido

"Olhar para o meu passado envolve quase sempre um exercício de compaixão para com as outras que fui sendo, neste caso com a jovem e desajeitada mulher à espera de um futuro jubiloso que, sei agora, nunca chega. " E foi quando bastou para eu voltar a ficar rendida às crónicas de Dulce Maria Cardoso na sua Biografia não autorizada. A naturalidade de ser que tanto admiro. A viagem que fazemos ao passado que tanto abraçamos como lamentamos e quantas vezes em simultâneo. O sentido crítico sobre o futuro no presente que se vive. O absurdamente trágico e o desprezível banal. Tanto saber condensado em muitos pequenos textos. E mesmo sem ter aprendido a ser escritora é exemplar. A maneira simples como se dá a conhecer profundamente, mesmo que como personagem. E que se quer próxima.

SOBRE O AUTOR

Dulce Maria Cardoso

Dulce Maria Cardoso publicou os romances Eliete (2018, livro do ano, entre outros, no Público, Expresso e no JL, Prémio Oceanos e finalista do Prémio Femina), O Retorno (2011, Prémio Especial da Crítica e livro do ano dos jornais Público e Expresso), O Chão dos Pardais (2009, Prémio PEN Clube Português e Prémio Ciranda), Os Meus Sentimentos (2005, Prémio da União Europeia para a Literatura) e Campo de Sangue (2001, Prémio Acontece, escrito na sequência de uma Bolsa de Criação Literária atribuída pelo Ministério da Cultura).
Os seus romances estão traduzidos em várias línguas e publicados em mais de duas dezenas de países. A tradução inglesa de O Retorno recebeu, em 2016, o PEN Translates Award.
Publicou contos em revistas e jornais, a maioria dos quais reunida nas antologias Até Nós (2008) e Tudo São Histórias de Amor (2014). Alguns deles fazem parte de várias antologias estrangeiras, e «Anjos por dentro» foi incluído na antologia Best European Fiction 2012, da Dalkey Archive. Em 2017, foram publicados os textos Rosas, escritos no âmbito da estada em Lisboa de Anne Teresa de Keersmaeker, quando a coreógrafa foi a Artista na Cidade. Criou, ainda, a personagem Lôá, a menina Deus, para uma série da RTP2.
A obra de Dulce Maria Cardoso é estudada em universidades de vários países, fazendo parte de programas curriculares, e tem sido objeto de várias teses académicas, bem como adaptada a cinema, teatro e televisão. A autora tem participado em vários festivais de prestígio internacional.
Em 2012, recebeu do Estado francês a condecoração de Cavaleira da Ordem das Artes e Letras. Assina, na Visão, a coluna «Autobiografia não autorizada» (crónicas publicadas em livro, em 2021 e 2023).

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