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As Mil e Uma Noites

1º Volume

Livro eBook
Editor: E-primatur, julho de 2017 ‧
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
A primeira tradução feita em Portugal a partir dos mais antigos manuscritos árabes existentes.
Diferente de tudo o que conhecia.

Entre 1704 e 1717, o orientalista francês Antoine Galland publicou em 12 volumes pela primeira vez numa língua europeia As Mil e Uma Noites. Apesar de Galland ter baseado a primeira parte da sua tradução no manuscrito (quase) completo mais antigo que se conhece (séc. XIV), mudou significativamente o texto, alterando de forma drástica várias histórias, fazendo acrescentos a seu gosto, introduzindo histórias que nunca tinham feito parte das versões manuscritas e depurando todas as partes impudicas.

As Mil e Uma noites são um conjunto de histórias populares recolhidas por autor anónimo que teriam sido alegadamente escritas em persa e posteriormente traduzidas para árabe. Dos manuscritos persas, se existiram realmente, nada sobreviveu, mas dos árabes sobrevivem vários documentos possivelmente copiados de uma mesma versão primordial em árabe que se perdeu também ela. Cada documento tem variações e disparidades — cada copista terá acrescentado ou interpretado mal a seu bel prazer — apesar de haver um corpo comum surpreendentemente semelhante entre as várias versões, sobretudo nas mais antigas.

Quem redigiu e copiou as suas histórias não seria versado nos cânones das belas-letras da língua árabe, e tudo leva a crer que este livro não agradaria nada aos leitores cultos, sendo muito possivelmente as suas histórias destinadas a serem contadas publicamente perto dos mercados, como ainda hoje acontece, por exemplo, na Praça Jemaa el-Fnaa em Marraquexe, e em saraus domésticos.

O seu tom coloquial lembra os contos tradicionais portugueses, mas sem terem sido recolhidos por intelectuais e sem peias: as histórias são fantásticas, eróticas, violentas, apaixonantes e apaixonadas, cheias de lições morais e problemáticas filosóficas, de conselhos para melhor viver e amar. No corriqueiro de histórias para entreter reside a sabedoria milenar de vários povos e de uma antiguidade que nos é, ainda assim, ao mesmo tempo estranha e próxima.

Talvez por isso as histórias de As Mil e Uma Noites estejam na base de muita da grande literatura universal por nos terem dado o imaginário da literatura fantástica oriental.

Hugo Maia, tradutor e antropólogo, estudou língua, história e cultura árabes, preparou a primeira tradução feita em Portugal, a partir dos manuscritos árabes mais antigos, menos embelezada e filtrada pelo imaginário ocidental, mais pura, sobretudo mais fiel. Um marco na história da edição no nosso país e um texto fundamental da literatura universal.
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As Mil e Uma noites

A noite sempre esteve ligada à literatura, como cenário e como verdadeira forma de pensamento. É na noite que o tempo se desacelera, que os gestos quotidianos perdem relevo e aquilo que, à luz do dia, parecia evidente se torna de súbito problemático.
Herdamos da tradição de Shéhérazade a ideia de que a noite é, antes de tudo, um laboratório da narrativa, o lugar em que a linguagem tenta negociar com o medo, o desejo e a morte. Os cinco livros de que parto aqui: Noites Brancas de Dostoiévski, As Mil e Uma Noites, Manhã e noite de John Fosse, A Ronda da Noite de Agustina Bessa-Luís e As palavras da Noite de Natalia Ginzburg, propõem cinco figuras muito distintas da noite, que se cruzam e iluminam mutuamente. Noites Brancas, de Fiodor Dostoiévski, Em Noites Brancas, Dostoiévski escolhe uma noite paradoxal: as noites brancas de São Petersburgo, quando a claridade persiste e a fronteira entre dia e noite se torna incerta. Essa ambiguidade atmosférica corresponde ao próprio estatuto do narrador-protagonista, um “sonhador” que vive numa espécie de penumbra psicológica, suspenso entre a vida real e a vida imaginada. A cidade noturna, quase vazia, com as suas pontes e canais, torna-se prolongamento da interioridade do personagem, um espaço em que tudo é possível porque nada está ainda decidido. O encontro com Nástienka é menos um episódio romântico do que um acontecimento ontológico: durante algumas noites, o narrador acredita que lhe é concedido o direito de existir fora do seu mundo de fantasia. Mas o que a narrativa nos mostra é que essa abertura ao outro está contaminada pela mesma lógica do sonho: o amor que nasce na noite tem, desde a origem, o brilho do que está condenado a desaparecer ao amanhecer. Quando a luz do dia chega, não é apenas o idílio que se desfaz, desfaz-se a própria retórica da noite como espaço de salvação. A noite é o tempo da esperança exaltada, mas também o lugar do autoengano: aquilo que parecia epifania revela-se, em última análise, apenas mais uma figura da solidão. COMPRO NA WOOK! » As Mil e Uma Noites Bem diferente é a noite de As Mil e Uma Noites, que poderíamos chamar a noite “fundadora”. Aqui, a noite é princípio estrutural: o livro existe porque cada noite exige uma história, e cada história exige outra noite. Shéhérazade instala um dispositivo narrativo que é também um dispositivo de sobrevivência: enquanto a voz se mantiver em movimento, enquanto houver um fio de relato que não se interrompe, a morte é diferida. A noite é então o tempo do perigo extremo: a ameaça de execução ao amanhecer, mas é igualmente o tempo do engenho, da astúcia, da invenção incessante. O pacto é claro: o sultão oferece mais um dia de vida em troca de mais um episódio, e Shéhérazade transforma essa negociação brutal em arte de composição, entrelaçando narrativas, abrindo parêntesis, fazendo proliferar vozes, lugares, tempos. A escuridão que rodeia o leito real contrasta com a exuberância imaginativa dos contos, como se a literatura respondesse às trevas com excesso de luz. Se em Noites Brancas a noite é experiência individual, em As Mil e Uma Noites ela é espaço comunitário, povoado de narradores e ouvintes, de heróis, mercadores, princesas e viajantes. É uma noite barulhenta, saturada de histórias, onde o medo da morte se combate pela expansão quase infinita do imaginário. COMPRO NA WOOK! » Manhã e noite, de John Fosse Em Manhã e Noite, de , a noite deixa de ser proliferação e torna-se condensação extrema. O romance organiza-se em torno de dois momentos-limite da vida de Johannes, um pescador norueguês: a manhã do nascimento e a noite da morte. Fosse interessa-se menos pelos acontecimentos exteriores do que pelo modo como a consciência habita esses limiares. Na segunda parte, acompanhamos Johannes numa espécie de deriva pela sua própria existência, num tempo que já não obedece às regras cronológicas. A escrita, marcada por repetições, pausas, retomadas, cria um ritmo quase litânico, aproximando-se da respiração e da oração. A noite é aqui o momento em que o mundo familiar se estranha: os objetos parecem deslocados, as figuras que se aproximam podem ser vivas ou mortas, e o próprio sujeito já não tem a certeza de a quem pertence o corpo que habita. Fosse propõe uma noite rarefeita, quase vazia, em que cada palavra pesa porque pode ser a última. Esta é a noite metafísica por excelência: não a noite urbana do flâneur, nem a noite fantástica do conto popular, mas a noite em que a consciência se interroga sobre o que resta de si quando tudo o resto se retira. COMPRO NA WOOK! » A Ronda da Noite, de Agustina Bessa Luís Em A Ronda da Noite, Agustina Bessa-Luís convoca explicitamente a pintura de Rembrandt, e com ela uma determinada forma de ver a noite como jogo de contrastes, de focos de claridade recortados sobre um fundo obscuro. Essa imagética pictórica contamina o romance, que se constrói como uma sucessão de cenas em que as personagens avançam e recuam no palco social, ora expostas, ora protegidas pela sombra. A noite agustiniana não é apenas espacial, é moral e histórica. É a noite de uma certa burguesia, de uma certa ordem de família, em que o poder, o desejo e a culpa circulam através de conversas, alusões, silêncios estratégicos. A “ronda” do título sugere vigilância, mas também repetição: os gestos, as alianças, as traições repetem-se de geração em geração, como se a comunidade estivesse condenada a girar em círculo dentro desse crepúsculo moral. Agustina escreve esta noite com uma língua densamente irónica, comentando e desmontando o que narra. A noite em Agustina é ocasião de lucidez cruel: é na penumbra que se vê com maior nitidez a mecânica dos afetos e das ambições. A escuridão é a matéria de que se faz o olhar da autora: um olhar que recusa a ingenuidade do dia e prefere a complexidade dos contornos indecisos. COMPRO NA WOOK! » As palavras da Noite, de Natalia Ginzburg Já em As Palavras da Noite, de Natalia Ginzburg, o escuro entra pelo ângulo aparentemente mais modesto: o das relações familiares, das casas, dos quartos, das vozes que falam baixo para não acordar ninguém, ou para não acordar aquilo que todos preferem manter adormecido. A noite de Ginzburg é a noite doméstica, em que os pequenos gestos se tornam, sob determinado ângulo, decisivos. O título sublinha esse desvio: não se trata da noite como fenómeno físico, mas das palavras que lhe pertencem, que só se pronunciam, ou só ganham pleno sentido, quando o mundo exterior se cala. Ginzburg é mestre em captar o momento em que uma frase aparentemente banal fere como um diagnóstico, ou em que um silêncio pesa mais do que qualquer discurso. A noite, aqui, é o tempo em que as conversas ganham densidade, em que aquilo que foi adiado durante o dia vem à superfície, ainda que sob formas indiretas, elípticas.
A prosa de Ginzburg é de uma limpidez quase desarmante, mas essa simplicidade deixa ver com maior crueldade as fissuras afetivas, as pequenas violências que estruturam uma família. Ginzburg reduz o palco a uma sala, a uma cama, a uma mesa; e, nesse espaço mínimo, mostra como a noite é também o tempo em que a linguagem falha, tropeça, não chega onde seria preciso, deixando atrás de si um resto de mal-entendido impossível de resolver. COMPRO NA WOOK! » Se juntarmos estas cinco noites, percebemos que a literatura não se limita a “representar” a escuridão: ela inventa formas de a habitar. Em Dostoiévski, a noite é o tempo da ilusão necessária, em que o sujeito se permite acreditar que pode escapar ao confinamento da sua própria interioridade. Em As Mil e Uma Noites, é a grande máquina de adiamento, em que contar e viver se tornam quase sinónimos. Em John Fosse, a noite é fronteira ontológica, linha de sombra entre existência e não existência. Em Agustina, é teatro de sombras sociais, onde o jogo de luz e obscuridade revela a trama de poder e de desejo que organiza uma comunidade. Em Natalia Ginzburg, por fim, a noite é o laboratório das relações íntimas, o momento em que as palavras, desprotegidas pela rotina diurna, mostram a sua fragilidade e a sua violência.
Talvez seja este o verdadeiro parentesco entre estes livros tão diferentes: todos tratam a noite como um tempo de exceção, em que o mundo se desloca ligeiramente do seu eixo e, por isso, se torna legível de outro modo.

As Mil e Uma Noites

1º Volume

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899971561
Editor: E-primatur
Data de Lançamento: julho de 2017
Idioma: Português
Dimensões: 165 x 241 x 31 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 404
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789899971561

Uma Versão Mais Inacabada das Primeiras Traduções Europeias

Matias Melim

Infelizmente, nos três volumes desta boa coleção, o editor opta por retirar o orientalismo do primeiro tradutor da obra. Apesar de assim conseguir prestar o devido respeito aos autores anónimos dos trabalhos originais, também opta por retirar aquelas que são as obras que vieram a ser adicionadas a este mundo literário posteriormente e com o qual partilhavam fama. Assim sendo, é notado que contos como o de Aladino, de Ali Bábá e a saga de Sinbad não se encontram presentes.

Uma desilusão absoluta

José Maria Pacheco de Amorim

Levado pelo suposto "purismo académico" da obra, comprei este livro após ter lido outras edições de autores em inglês. Péssimo - linguagem excessivamente coloquial para o ambiente (não imaginava um sultão a dizer "bota" sem ser para se referir a calçado) e altamente repetitiva com a passagem das noites. Há claramente outras edições mais recomendáveis e bastante mais detalhadas e prazerosas.

Fantástico!

Rute Sousa

Este livro é capaz de nos transportar para lugares distantes e maravilhosos!

Mil e Um Encantos

Luís Miguel Martins

Ler as Mil e Uma Noites é viajar até ao tempo onde as histórias eram contadas oralmente como memória e património cultural de um povo. São Mil e Um Encantos, em cada noite, onde a moral, a paixão, o exotismo e a sensualidade se misturam.

A tradução de um clássico de "raiz".

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As Mil e Uma Noites são um clássico da literatura internacional, contém com uma (ou muitas narrativas) exóticas e deliciosas que contribuiram para criar o estereótipo da cultura oriental e árabe . Podemos agora le-lo numa tradução fiel ao "original".

Recomendo

Tiago Silva

Um clássico. Recomendo a leitura. Pormenor da cama lindíssimo.

Magnífico

NB

Uma tradução magistral.

Uma das maiores obras da literatura universal

Natália

Os contos de Cherazade e as suas personagens afiguram-se tão familiares para nós, ocidentais, com o nosso imaginário coletivo permeado pelas Arábias e Pérsias exóticas, encantadoras e sensuais… Espero ansiosamente pelo 2º volume! Obra lindíssima, com uma capa lindíssima! Parabéns!

O universo d'As Mil e Uma Noites

Margarida Guerreiro

O livro ideal para os amantes das lendas orientais que tenham vontade de conhecer mais das fantásticas histórias que fazem parte do universo d'As Mil e Uma Noites. O primeiro volume de vários que nos terão tão presos às histórias de Xerazade como o Rei de quem ela se tenta salvar, noite após noite.

Revisitar o exotismo oriental

Jorge Martins

O texto desta obra, revisitado pela tradução de Hugo Maia, permite aos leitores portugueses uma leitura mais fidedigna, plena de exotismo oriental, que vai de encontro às expectativas criadas, ao longo do tempo, no imaginário cultural do ocidente. A introdução, de carácter científico, possibilita esclarecer o leitor, de uma forma honesta, sobre as diversas origens dos textos. Os editores e o tradutor estão de parabéns!

Edição maravilhosa

DL

Li um artigo sobre este livro, onde o Autor explica que decidiu fazer uma tradução mais fiável que as anteriores. Fiquei surpresa ao saber que algumas das histórias que tanto conhecemos, na verdade, não faziam parte do manuscrito original. É uma edição maravilhosa, adorei! Finalmente temos uma versão portuguesa que podemos considerar real e de acordo com o manuscrito original. Fico à espera do segundo volume.

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