10% de desconto

A Vida Mentirosa dos Adultos

de Elena Ferrante
Editor: Relógio D'Água, setembro de 2020 ‧
22,00€
10% DESCONTO CARTÃO
EM STOCK -
portes grátis
«Dois anos antes de sair de casa, o meu pai disse à minha mãe que eu era muito feia» é a frase inicial deste romance. A revelação é feita por Giovanna, que ao olhar paterno se transformara de criança encantadora em adolescente imprevisível, que parecia tornar-se cada dia mais parecida com a desprezada tia Vittoria.

A frase ouvida sem que os pais o soubessem vai levar Giovanna a procurar conhecer a tia, cujas fotografias foram apagadas dos álbuns de família e é evitada em todas as conversas.

Para saber se estará realmente a tornar-se semelhante à tia, vai visitar a zona empobrecida de Nápoles, a conhecer uma versão diferente dos seus pais, provocando sem o saber a desagregação da sua família intelectual, compreensiva e perfeita na aparência.

Confirmando a sua mestria narrativa e o profundo conhecimento do que se passa na cabeça das adolescentes, Ferrante constrói um enredo surpreendente, ligando uma história de iniciação aos episódios de uma pulseira que passa de mão em mão. Giovanna move-se entre duas famílias e duas zonas da cidade em busca dela própria, na passagem da adolescência para a idade adulta.
Julgar livros pelos ti´tulos wookacontece 640.jpg

Julgar livros pelos títulos

Sigo uma tradição há muitos anos que acabou por moldar a forma como leio e como ofereço livros. Eu e o meu pai escolhemos muitos livros pelo título. Pensamos na pessoa em questão e, não ignorando os critérios de qualidade literária que gostamos de seguir, vemos que título se adequa, de forma carinhosa ou humorística, a cada pessoa. É um gesto quase instintivo, que acontece quando um título nos lembra alguém. Durante anos, foi assim que fomos oferecendo livros um ao outro. Longe da Árvore, de Andrew solomon Quando mudei de casa, para longe dele, do nosso bairro e das árvores que lá plantámos, ofereci-lhe o livro Longe da Árvore, de Andrew Solomon. O título funcionou como uma imagem imediata. A árvore como origem, raiz, pertença, e a distância, no meu caso, literal, que a mudança prometia, como diferença, desvio, identidade, caminho próprio.
Claro que a intenção de oferecer um livro pelo título pode sair gorada assim que se começa a leitura e se percebe que a história nada tem a ver com a nossa narrativa. Mas, fora a brincadeira com o título, este livro foi marcante para nós.
É uma reportagem, ensaio, testemunho, história cultural e uma conversa sobre o que significa pertencer. Solomon parte de uma ideia muito simples e muito profunda: nem sempre os filhos continuam os pais; às vezes nascem com características, identidades ou condições que os colocam fora daquilo que a família esperava, imaginava, sabia nomear. Ao longo de histórias reais (e de um trabalho de escuta impressionante), o livro mostra o amor a ser esticado até aos limites e, por vezes, a crescer precisamente aí. É uma leitura intensa, por vezes dolorosa, mas também cheia de humanidade: não idealiza, não moraliza, não facilita. Faz perguntas difíceis sobre aceitação, orgulho, vergonha, culpa, autonomia, e sobre como se aprende a amar aquilo que não se entende de imediato. No fim, fica a sensação de que o normal é muito mais vasto do que o que nos ensinaram.

COMPRO NA WOOK! » O livro, na sua dimensão humana e investigativa, expande esse abraço com histórias e perguntas difíceis: o que fazemos quando quem amamos é “outro” de uma forma que nos obriga a reaprender o amor? Não é uma leitura leve, mas é profundamente clarificadora.
E, quase sempre, são os títulos que me fazem pensar no momento certo para oferecer um livro: quando alguém precisa de nomear aquilo que está a viver, ou quando eu própria preciso de uma frase que me ajude a atravessar um período.
Deixo aqui alguns desses títulos, livros que se tornaram importantes para mim, primeiro como promessa, e depois como experiência de leitura , e que ofereci (ou me ofereceram) em momentos em que a escolha do nome já era metade do gesto. A vida mentirosa dos adultos, de Elena Ferrante Este título tem uma provocação doméstica: a vida mentirosa dos adultos. Não é “a mentira dos adultos”, é a vida inteira, como se a mentira fosse uma forma de funcionamento. Ao lê-lo, sente-se um arrepio de reconhecimento: crescer é descobrir que os adultos não são uma categoria estável, nem sinónimo de verdade, são pessoas com contradições, fragilidades, teatro, medo, e muitas versões de si mesmas.
Ofereci este livro num momento de transição: daqueles em que alguém está a deixar para trás a ideia de que “quando eu for adulto vou perceber tudo”. O título parecia um aviso e, ao mesmo tempo, uma libertação. Porque há um consolo inesperado em aceitar que a vida adulta é uma negociação contínua entre aquilo que mostramos e aquilo que escondemos, entre o que acreditamos e o que fazemos.
Ferrante tem esta capacidade rara de escrever como se estivesse a acender luzes em zonas que preferíamos manter na penumbra. E o título é a primeira dessas luzes: curto, directo, cruel, como muitas verdades importantes. COMPRO NA WOOK! » O luto é a coisa com penas, de Max Porter Há títulos que são, por si, uma metáfora completa. Este é um deles, e ainda por cima carrega uma referência que cria uma estranheza bonita: trocando a esperança do verso de Emily Dickinson pela dor, O Luto é a Coisa com Penas foi um livro que ofereci (com algum receio, confesso) num período de perda. Há alturas em que o luto é tão pesado que qualquer tentativa de falar parece inadequada, e, ao mesmo tempo, há uma necessidade de linguagem, de forma, de companhia. O título sugeria isso: que o luto também é ave. Que a dor, por mais absurda que pareça a imagem, pode ter movimentos inesperados: pousar, agitar-se, gritar, bater asas.
E o livro confirma essa intuição com uma inteligência emocional rara. É breve, intenso, estranho no melhor sentido: não explica o luto, encena-o, dá-lhe corpo, dá-lhe voz, dá-lhe a possibilidade de ser vivido com alguma arte quando a realidade não tem arte nenhuma.
Se o ofereço, é porque às vezes um livro serve para não deixar alguém sozinho naquilo que não tem solução.

COMPRO NA WOOK! » O coração é um caçador solitário, de Carson McCullers O Coração é Um Caçador Solitário tem em mim um efeito ao mesmo tempo lírico e implacável. Um título que resume tudo. Ofereci este livro num momento em que a solidão de alguém à minha volta era silenciosa. O título serviu como um recado delicado.
Quando lemos o livro, percebemos que McCullers escreve precisamente sobre isso, sobre a fome de ligação, sobre mal-entendidos, sobre o que carregamos sem saber dizer.
E o título continua a ser, para mim, uma das melhores descrições do que é sentir: uma caça íntima, insistente, nem sempre correspondida.
Numa pequena cidade do sul dos EUA, acompanhamos várias personagens encostadas umas às outras pela necessidade: a adolescente Mick, com uma fome de música e futuro, um médico cansado de lutar contra a injustiça, um homem que quer mudar o mundo mas não consegue mudar a própria solidão, gente comum que fala muito porque não sabe ser ouvida. No centro, John Singer, um homem surdo que, justamente por escutar de outra maneira, se transforma no ecrã onde todos projectam aquilo que lhes falta. O livro é sobre desencontros: sobre o que pedimos aos outros sem lhes perguntar se podem dar, e sobre a esperança que nasce quando encontramos alguém que parece compreender-nos.
A edição que apresentamos é a da língua original, em inglês.

COMPRO NA WOOK! » O meu ano de repouso e relaxamento, de Ottessa Moshfegh Este título tem uma ironia sedutora: quem não quer um ano de repouso e relaxamento? Lê-se e imaginamos mantas, silêncio, cura, uma espécie de reinício limpo. Comprei este livro num momento em que o cansaço já não era só físico. Uma fadiga que não se resolve com uma noite bem dormida, porque é a vida inteira que parece precisar de pausa. O título funcionou como uma piada cúmplice.
O título promete “relaxamento”, mas o que entrega é uma reflexão ácida sobre vazio, consumo, auto-anulação e a fantasia moderna de que podemos hibernar até a vida ficar suportável.
A narradora: jovem, bonita, financeiramente segura, decide hibernar: apagar-se durante um ano com a ajuda de medicamentos, como se o sono pudesse ser um botão de reiniciar. O que podia soar a fantasia acolhedora depressa se revela uma sátira feroz: sobre privilégio, sobre consumo, sobre a solidão em pleno sucesso, sobre a depressão mascarada de indiferença.
A edição que apresentamos é a da língua original, em inglês.

COMPRO NA WOOK! »

A Vida Mentirosa dos Adultos

de Elena Ferrante

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897830662
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: setembro de 2020
Idioma: Português
Dimensões: 155 x 236 x 23 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 304
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficções
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897830662

Uma história que não desilude.

As Leituras da Fernanda

Mais um livro de Elena Ferrante que devoro como se não houvesse amanhã. Não sendo um dos meus favoritos, está lá tudo: a história pungente de uma adolescente, a sua relação com os pais e consigo própria, a descoberta da sexualidade, a incerteza, a história da sua família, tudo bem temperado com a já habitual escrita visceral e crua da autora. Tem algumas similaridades com a tetralogia da Amiga Genial, principalmente com os dois primeiros livros, que se focam mais na adolescência das protagonistas, mas é um registo diferente, muito mais introspectivo e íntimo, que por vezes choca de tão nú e crú que é. Gostei de acompanhar Giovanna neste seu percurso e acreditar que chegou sã e salva à idade adulta. Apesar de ter gostado imenso desta leitura, não me senti arrebatada como com os outros livros. Mas é uma leitura a não perder. Sem dúvida.

Adorei

Diana E. Santo

Ferrante já nos habituou a uma narrativa formidável, e este é mais um dos seus livros que mantem a expectativa no auge! Enredo cativante, personagem que nos desperta até uma certa obsessão, e Nápoles como aquele cenário de fundo que não desilude. Mais interessante a cada capítulo. Não admira que esteja já a ser criada uma série na netflix! Venham mais destes.

Desilusão

Cátia Pereira

Talvez levada pelo excesso de expectativa que nos traz o nome de Elena Ferrante, senti alguma desilusão com esta obra. Livro bem escrito, mas a história não me prendeu. Foi necessária alguma persistência para o terminar.

Elena Ferrante, sempre !

Isabel Castro

Depois do livro "A amiga genial" e restantes livros da autora me terem apaixonado , não resisti ao novo livro. Apesar de não ser tão absorvente e espantoso, gostei bastante e fiquei com a impressão que terá continuidade...será que vamos ficar tão irremediavelmente presos e reféns do desenrolar da histária ?

Cru

AndreiaM

Os livros da Ferrante são todos abismais! Aqui encontramos um retrato de uma crianças e adolescente com a crueza a que Ferrante já nos habituou e mostra ao mesmo a duplicidade de facetas que possuímos (e que tentamos desesperadamente esconder).

Maravilhoso

Gabriela Mendes

Simplesmente fascinante. Uma escrita que faz sonhar e pensar.

Grande livro

Maria Alves

Uma história inebriante da primeira página à ultima...

Excelente!!

Ana Mª Martins

Mais um excelente obra desta escritora napolitana que tão bem conhece a mente dos adultos e dos adolescentes com as suas grandezas e fraquezas. Recomendo!!!

Mentira/Verdade?

Teresinha

Li de um fôlego e depois fiquei dentro da história vários momentos. Tantos segredos. Que confusão que é a vida dos adultos para uma criança. Como de um nada se tiram as esperanças e a inocência de uma criança.

A Surpresa

Palmira Belga

Depois de ter 'devorado' todos os livros de Elena Ferrante, esbarro, literalmente, n 'A Vida Mentirosa dos Adultos' e fico a reflectir na frase enigmática de Giannina, onde "(...)aperfeiçoei a minha maneira de mentir contando a verdade (...)" e no que a autora ( ou autor) nos quererá trazer de novo e/ ou de si... É uma escadaria de sentimentos e de emoções que vale a pena percorrer!

Bom livro

Manuela

Gosto bastante desta escritora e deste livro também.... ficamos agarrados à leitura e as personagens... fico sempre com pena quando chego ao fim de livros como este ... recomendo

Os adultos omitem

Armando Sousa

Numa linha muito próxima de outras vidas, contadas por esta autora, em livros anteriores, esta "Vida Mentirosa dos Adultos" dá-nos a conhecer a visão adolescente do mundo adulto. Aos olhos de Geovanna, a menina imberbe que se faz, precocemente, mulher, os adultos mentem para esconder práticas de vida socialmente menos aceitáveis. Elena Ferrante é uma autora que nos leva a "devorar" páginas e páginas dos seus livros numa linguagem, quantas vezes cáustica, mostrando-nos sempre particularidades de vida que acontecem, ou aconteceram, com todos nós mas que pretendemos omitir dos jovens por não considerarmos importante transmitir-lhes. Não deve perder-se esta leitura. Arrebatadora.

Intenso

Andreia

Um livro que não se consegue parar de ler. Tal como todos os romances de Elena Ferrante.

SOBRE O AUTOR

Elena Ferrante

Ninguém sabe quem é Elena Ferrante e os seus editores originais procuram manter silêncio absoluto sobre a sua identidade. Houve até quem suspeitasse que se trata de um homem; outros dizem que nasceu em Nápoles e viveu na Grécia e em Turim.
A maioria dos críticos considera-a a nova Elsa Morante, uma voz extraordinária que provocou um terramoto na narrativa dos últimos anos. O sucesso de crítica e público reflete-se em artigos publicados em jornais e revistas como The New York Times e Paris Review.
A saga composta por A amiga Genial, História do Novo Nome, História de Quem Vai e de Quem Fica e História da Menina Perdida está destinada a tornar-se um clássico da literatura europeia do século XXI.

"Não me arrependo de meu anonimato. Descobrir a personalidade do escritor através das histórias que propõe, das suas personagens, dos objetos e paisagens que descreve, do tom da sua escrita, não é mais nem menos que um bom modo de ler." Elena Ferrante numa entrevista via mail para Il Corriere della Sera.

(ver mais)

LIVROS DA MESMA COLEÇÃO

DO MESMO AUTOR

QUEM COMPROU TAMBÉM COMPROU