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A ridícula ideia de não voltar a ver-te

de Rosa Montero
Editor: Porto Editora, Janeiro de 2015 ‧
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Quando Rosa Montero leu o diário que Marie Curie começou a escrever depois da morte do marido, sentiu que a história dessa mulher fascinante era também, de certo modo, a sua. Assim nasceu A ridícula ideia de não voltar a ver-te: uma narrativa a meio caminho entre a memória pessoal da autora e as memórias coletivas, ao mesmo tempo análise da nossa época e evocação de um percurso íntimo doloroso.

São páginas que falam da superação da dor, das relações entre homens e mulheres, do esplendor do sexo, da morte e da vida, da ciência e da ignorância, da força salvadora da literatura e da sabedoria dos que aprendem a gozar a existência em plenitude.

Um livro libérrimo e original, que nos devolve, inteira, a Rosa Montero de A Louca da Casa - talvez o mais famoso dos seus livros.

Ao perceber os perigos de um embate com Marie Curie, Rosa Montero soube abrir a porta a uma intimidade que não sendo exposta pode ser intuída. E complementada com a experiência do leitor.

Jornal de Letras

E só ao lê-lo de seguida, em anexo, compreendemos todo o seu poder radioativo. Um poder que se infiltra no livro inteiro e o contamina, conferindo lhe um particular fulgor.

Expresso

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De repente, o luto

A consciência do fim é algo que, por muito que achemos que estamos preparados para a enfrentar, a nossa condição de humanos não nos deixa nunca encarar de ânimo leve. Depois do fim, o luto é um lugar a que chegamos sem contar.
  O meu pai voava Há uma verdade muito íntima com que Tânia Ganho nos fala do período de luto pela morte do seu pai. Ninguém nos diz que vai ser assim, e por isso a ideia de que cada processo de luto é inigualável. A autora vai-nos contando cenas da sua vida ao lado de um pai muito presente, e a mácula que deixa essa ausência. Embora idoso e já num processo demencial avançado, a verdade é que nada disso interessa perante a ideia do desaparecimento, sempre súbito, sempre abrindo portas a uma divisão da casa que não conhecíamos. O livro, que se lê como uma respiração profunda, mostra-nos momentos de grande comoção e outros que conseguem ser divertidos, quando nos conta alguns aspetos do feitio do seu pai. No fim, a filha, a “menina do papá”, um retrato de uma beleza incrível sobre um momento triste, o tempo mais triste de todos. COMPRO NA WOOK! » O ano do pensamento mágico Joan Didion perdeu o marido, John, de forma súbita, devido a um enfarte, num período da vida em que a sua filha estava nos cuidados intensivos de um hospital, por causa de uma pneumonia severa. Encontramos aqui o testemunho de Joan, passado um ano, sobre a vivência desse ano trágico, onde o chão de repente lhe faltou. Fala-nos de uma forma sensível, ainda que por vezes quase científica, sobre o que é o luto, a perda inesperada, e como lidou com ela. De um primeiro momento de incredulidade, em que guardou os sapatos do marido para o caso de ele voltar, a ter de dizer à filha doente que o pai partira, até breves momentos de superação, ou aceitação. Fala-nos do período de luto como uma patologia que ninguém parece valorizar como tal, dizendo-nos que temos de passar por isso, que não podemos camuflar a dor. Apenas passado um ano começa a leve sombra da mudança a fazer-se sentir. COMPRO NA WOOK! » Notas sobre o luto O pai de Chimamanda era um notável académico nigeriano, que faleceu subitamente em 2020, esse estranho ano que nos parece já longínquo. A sua filha presta-lhe uma homenagem neste curto livro, falando em celebrar de forma bela uma vida que foi ela também vivida com grande beleza e que por isso merece ser recordada dessa mesma maneira. Contudo, o seu desaparecimento teve um impacto brutal em Chimamanda, que atravessou momentos de grande dor, sobretudo tendo em conta que os últimos tempos foram vividos em pandemia, quando nem sempre era possível a sua presença e dos netos junto do avô. Além da sensibilidade com que está escrito, Notas Sobre o Luto é de uma universalidade incrível, falando-nos ao coração e tornando-nos a nós, também, filhos daquele pai. COMPRO NA WOOK! » A ridícula ideia de nunca mais te ver O sentimento é precisamente esse, durante os primeiros tempos após a notícia da morte de alguém próximo: é ridículo. A vida que estava planeada, organizada, tendo em conta a presença de alguém, de repente muda. Projetos que se desfazem, sonhos… ou apenas as ações do dia a dia que perdem o seu significado. Rosa Montero leu o diário de Marie Curie, que falava sobre a forma como viveu o luto pelo seu marido, e identificou-se com esse relato. Também Rosa perdera o seu companheiro, após lutar em vão contra o cancro. A autora habituou-nos já a leituras vertiginosas, quase delirantes, e este livro não é exceção, não obstante tratar de um tema tão delicado. As consequências dessa perda na vida de Rosa Montero são inúmeras e são-nos contadas com toda a liberdade, mesmo que nisso haja muita dor. Uma dor quase indizível. COMPRO NA WOOK! » Cão como Nós Quando a morte próxima é a de um animal de estimação, à dor da perda junta-se o receio em admiti-la com toda a sua voracidade, receosos de que não nos entendam, de que achem que estamos a sobrevalorizar. Afinal, um cão não é uma pessoa e, mesmo ainda hoje, há quem ache que apenas entre humanos está autorizada a dor do luto. Nada mais errado. E que o diga Manuel Alegre, que a princípio não era muito apologista de um patudo lá em casa, mas de quem, depois, se tornou melhor amigo. Neste livro, Alegre dirige-se-lhe após a sua morte, mostrando um sentimento real, inequívoco. Um vazio que preenche com retratos familiares, com alguns momentos autobiográficos, com um entendimento tal com o seu amigo canino que o leva a crer que estão bem próximos. Se era ele um cão como nós, ou se deve cada um de nós ser mais cão como ele, é uma reflexão que fica muito além de o livro terminar. COMPRO NA WOOK! »

A ridícula ideia de não voltar a ver-te

de Rosa Montero

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-0-04712-0
Editor: Porto Editora
Data de Lançamento: Janeiro de 2015
Idioma: Português
Dimensões: 155 x 241 x 18 mm
Encadernação: Capa integral
Páginas: 176
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Outras Formas Literárias
EAN: 978972004712014
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Belíssimo!

Patrícia

Livro maravilhoso! Apetece-me ler toda a obra de Rosa Montero de uma assentada. Não há uma página que não nos prenda num pensamento que se alonga, que nos revela um pouco de nós. O que sentimos. O que comparamos com a nossa vida e o nosso estado de alma. É um livro muito curioso: não é completamente autobiográfico, nem tão pouco biográfico (a vida e o luto de Marie Curie), mas junta a dor que une duas pessoas quando parte alguém que amam e que não imaginam um futuro possível. Mas a vida escorre com um rio e desagua na foz que é a força e a capacidade de viver depois do luto. Gostei muito de ficar a saber mais sobre a incrível mulher que foi Maria Curie e a sua força inabalável, vencida apenas pela sua própria descoberta. E de acabar com imensas páginas sublinhadas por rasgos de escrita absolutamente maravilhosos.

Soberbo!

SC

Um romance ousado que é um misto de biografia e livro de recordações. Rosa Montero, a autora, usa as semelhanças de sua própria vida para ligá-las às da famosa cientista Marie Curie, mulher à frente do seu tempo, que todos conhecem pelas suas descobertas científicas, mas de quem talvez não se conheça toda a história. Graças a este jogo de semelhanças, exemplos e conjunto de imagens, conseguimos compreender um pouco mais sobre esta pioneira, para além dos laboratórios e da radiação. Ao longo das páginas, este livro tenta mostrar que, embora Marie fosse extraordinária e parecesse um pouco fria, ela era uma mulher muito apaixonada, que tinha dois grandes amores: a ciência e Pierre Curie, o seu marido. Ele morreu jovem, por causa da radiação com a qual trabalharam, o que foi um golpe muito duro para Marie. Por outro lado, também foi difícil para Rosa Montero, que também perdeu muito cedo o seu parceiro de vida devido a um cancro. A partir dessa dor, a autora fala sobre perda, luto e superação, coisas muitas vezes tidas como certas, mas sobre as quais ninguém quer falar em profundidade. E é neste paralelo que muitos ousam criticar a autora de narcisismo, por se querer "comparar" a Marie Curie quando não é, de longe, esse o objectivo. Uma obra que é também um grito feminista. Em geral, cada vez que se fala em Marie Curie, é para elogiá-la como exemplo, como uma pessoa que lutou para romper num campo de homens. No entanto, aqui Rosa Montero tenta ir mais longe. Marie era uma lutadora, uma pessoa que sempre fazia o que considerava certo, sem prestar atenção ao seu género. É precisamente isso que procuramos agora: não ser silenciados, cumprir os nossos objectivos e não nos obstaculizarmos. Mas, como bem exprime a autora, embora muitos anos tenham se passado, infelizmente e apesar de alguns avanços, ainda temos muito que mudar. Um livro que é uma viagem de emoções, que não só explora a vida de uma grande cientista, mas também nos faz refletir sobre as nossas emoções e a sociedade que queremos construir. Em suma, este é um livro que não deixa ninguém indiferente. Adorei!

Os outros e eu

Isabel castro

O comportamento humano é algo que me fascina e a morte é algo que sempre me aterrorizou, talvez por ter perdido a minha mãe com quase (só) 12 anos. Mas ao longo dos anos e das experiências fui aprendendo que a morte não nos vem buscar por ter levado alguém que amamos. O sofrimento é muito, intenso, mas olhamos em volta, conversamos, trocamos vivências e concluímos que havemos de superar, o tempo há-de ajudar, por muito que não se esqueça nunca!Ás vezes senta-mo-nos, embalamos as nossas memórias, e os sorrisos aparecem por entre lágrimas!

Fabuloso!

Tita

Não se deixem enganar pela capa e pelo título pois estamos perante um livro de não-ficção, sobre Marie Curie e onde a autora vai também fazendo o paralelismo com a sua própria vida. Um livro excelente e que me deixou com vontade de ler mais da autora!

Vidas Entrelaçadas

Marlene I.

Rosa Montero traz-nos pedaços da vida de Marie Curie - que teve um percurso notável, a todos os níveis - e é um privilégio conhecer os meandros de uma vida assim, contado por alguém que não se cinge aos feitos científicos, mas que olha para a pessoa que alcançou esses feitos. A vivência do luto de Marie Curie é intercalada com o luto vivido pela própria autora, entrelaçando um e outro de forma sensível, emotiva e inteligente: «Ainda não passara um mês sobre a morte de Pierre e a primavera explodia com aquela desconcertante indiferença com que a vida continua depois da morte de alguém querido». É um livro tocante, maravilhoso.

Radiofrequência..

Fábio Lavos Martins

Está foi a primeira experiência com Rosa Montero . Intensa e emocional,sem dúvida. Partindo da história pessoal de Marie Curie, a autora faz uma ponte evidente para a própria vida emocional e oferece nos o testemunho pungente da perda, da saudade e da comunhão. Mas fa-lo, de uma forma extraordinária, mostrando o melhor da vida. Acaba por ser um manual do que perdemos,e não um manual de perdas, que nos agarra e com o qual, facilmente, nos identificamos.

A Radiologia da Perda

Ana Carvalho

Depois de "Instruções para Salvar o Mundo", debrucei-me sobre este livro bastante curiosa com o conteúdo. A Marie Curie sempre me interessou enquanto personalidade. Como todos, habituei-me a vê-la na pele da cientista e pouco no de mulher e ser humano para além do papel que representou para a Humanidade. Esta perspectiva mais intimista que se mescla na vida de Rosa Montero recorda-nos da importância da perda, e do quanto esta, paradoxalmente, tanto retira como traz novos elementos para a nossa existência. Num relato sensível, muito bem escrito e com capacidade para comover, ridícula era a ideia de não pegar neste livro. Aconselho vivamente.

Uma autobiografia dentro de uma biografia

Patrícia Pais

Uma autobiografia dentro de uma biografia, no qual a autora faz a sua própria catarse. Rosa Montero encontra analogias entre a sua própria história pessoal e a de Marie Curie no sentido da perda, coincidências da vida, procura da liberdade e da própria libertação. Um livro repleto de sentimentos mas de factos biográficos também. Recomendo vivamente a quem queira saber um pouco mais sobre o génio que foi Marie Curie e vê-la na perspectiva da fantástica Rosa Montero.

Muito bom

Mariana Lino

Gostei muito. Leitura que nos leva a refletir sobre a nossa finitude, a dificuldade em lidar com a perda e depois juntar a parta biográfica sobre Madame Curie e seu marido, que em parte desconhecia. Tenho recomendado aos amigos.

Uma lição de vida no feminino

Alexandrina Ribeiro

Apesar do título do livro sugerir o tema da morte, o livro aborda, sobretudo, a vida no feminino. Explorar a temática do ser mulher na dimensão afectiva, familiar, profissional e social tendo como referência as vivências de uma das mulheres mais surpreendentes da história, Marie Curie, faz da leitura deste livro um prazer.

Reflexões, diletâncias e provocações

Maria Teresa Meireles

À semelhança do seu livro «A Louca da Casa», Rosa Montero mistura géneros e «estórias». A partir da vida e do diário de Marie Curie, a escritora desenvolve reflexões variadas sobre a vida de Madame Curie e sobre a sua própria vida - recordações, diletâncias, invocações, provocações.

SOBRE O AUTOR

Rosa Montero

Rosa Montero nasceu em Madrid em 1951. Como jornalista, colabora em exclusivo com o jornal El País, tendo obtido, em 1980, o Prémio Nacional de Jornalismo e, em 2005, o Prémio da Associação de Imprensa de Madrid, por toda a sua vida profissional. Com A Louca da Casa recebeu o Prémio Grinzane Cavour de literatura estrangeira e o Prémio Qué Leer para o melhor livro espanhol, distinção que também foi atribuída, em 2006, a História do Rei Transparente. A Ridícula Ideia de Não Voltar a Ver-te viria a ganhar o Prémio da Crítica de Madrid 2014.
Recebeu, já em 2017, e pelo conjunto da sua obra, o Prémio Nacional das Letras Espanholas, galardão que o júri fundamentou com a «sua longa trajetória no romance, jornalismo e ensaio».
Para saber mais, visite o site da autora: www.rosamontero.es

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