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A Questão Religiosa na I República

Contribuições para uma autópsia

de Arnaldo Madureira
Editor: Livros Horizonte, abril de 2004 ‧
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A 5 de Outubro de 1910 era proclamada a República em Portugal. Corroída por uma profunda crise a monarquia cedia. Iniciava-se a perseguição às ordens religiosas e aos seus membros, acusados de responsáveis pelo atraso do País. Três dias depois da vitória republicana o Governo Provisório ordenava a aplicação integral da legislação do Marquês de Pombal e de Joaquim António de Aguiar sobre associações religiosas e conventos. Rapidamente o novo Executivo suprimia o juramento religioso e os actos civis na Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra, extinguia o ensino da doutrina cristã nas escolas primárias, ordenava que deixassem de existir os feriados em dias santificados, decretava o divórcio e novas leis sobre o casamento e a protecção dos filhos, etc. A 20 de Abril de 1911 chegava a hora de ser publicada a tão desejada, por uns, e a tão temida, por outros, Lei da Separação do Estado das Igrejas.
A 1.ª Guerra mudou muita coisa. As crenças e a fé religiosa revigoraram. As quaren-tenas espirituais, as procissões, os abaixo assinados para que o Corpo Expedicionário que seguia para França incorporasse capelães militares, etc., intensificaram-se. Depois surgiram as aparições de Fátima. Com Sidónio Pais a Igreja Católica ganhou espaço e viu a Lei da Separação ser suavizada e as relações diplomáticas entre Portugal e o Vaticano restabelecidas. Depois de Sidónio e da Monarquia do Norte, a Igreja tomou consciência que seria de outra forma que teria de defender os seus interesses. A 18 de Dezembro de 1919 Bento XV dizia aos católicos portugueses que a Igreja não devia estar sujeita a facções nem servir os partidos políticos, antes lhe competia exortar os fiéis a obedecerem ao Governo, "seja qual for a Constituição Política". Os bispos, o clero e o Centro Católico adaptaram os seus comportamentos e discursos a essa orientação. A Igreja e as suas organizações passavam a defrontar os grupos radicais anticlericais, e os monárquicos-católicos, que os acusavam de apoiarem a República maçónica e laica.
Por entre revoltas, conspirações, greves, assaltos a estabelecimentos comerciais, atentados à bomba e a tiro, etc., a República agonizava. A desordem persistia e com ela novos tempos se anunciavam. A Igreja, por processos constitucionais, aproveitava esse caos e movimentava-se para reassumir o peso que tivera na sociedade portuguesa.

A Questão Religiosa na I República

Contribuições para uma autópsia

de Arnaldo Madureira

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722412698
Editor: Livros Horizonte
Data de Lançamento: abril de 2004
Idioma: Português
Dimensões: 171 x 240 x 14 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 264
Tipo de produto: Livro
Coleção: Horizonte Histórico
Classificação Temática: Livros em Português > História > História de Portugal
Livros em Português > Política > Política em Geral
EAN: 9789722412698
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

Arnaldo Madureira

Arnaldo Madureira, economista, professor universitário e investigador, é autor de um conjunto de obras sobre a realidade portuguesa, nomeadamente o período que cobre o Estado Novo. Contam-se entre elas O 28 de Maio: A Génese do Estado Novo, Salazar: Tempos difíceis, A Governação Sineliana no Quadro da Crise Nacional, A Colonização Portuguesa em África (1890-1910), A Formação Histórica do Salazarismo, A Questão Religiosa na I República, Salazar e a Igreja, Salazar: A Instauração da Ordem, Os Anos Esquecidos – A refundação do Partido Comunista Português, Salazar e a II Guerra Mundial e Salazar e o Pós-Guerra.

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