A Paixão Segundo G. H.

de Clarice Lispector
Editor: Relógio D'Água, abril de 2000 ‧
«- Tu eras a pessoa mais antiga que eu jamais conheci. Eras a monotonia de meu amor eterno, e eu não sabia. Eu tinha por ti o tédio que sinto nos feriados. O que era? era como a água escorrendo numa fonte de pedra, e os anos demarcados na lisura da pedra, o musgo entreaberto pelo fio d'água correndo, e a nuvem no alto, e o homem amado repousando, e o amor parado, era feriado, e o silêncio no voo dos mosquitos. E o presente disponível. E minha libertação lentamente entediada, a fartura, a fartura do corpo que não pede e não precisa.»

A Paixão Segundo G. H.

de Clarice Lispector

Propriedade Descrição
ISBN: 9789727085637
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: abril de 2000
Idioma: Português
Dimensões: 151 x 232 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 152
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789727085637
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

A Paixão Existencial(ista)

Anabela Borges

O que é que significa individualidade? É possível perdê-la a partir de um acto comum, de um gesto do quotidiano? Este livro relata uma experiência individual incrível, um mergulho em si mesmo, uma imersão surreal no mais profundo ser da condição animal. Tudo começa com uma barata... A escrita é única, e este livro só podia ter sido escrito por Clarice Lispector. A organização narrativa é muito original. Cada capítulo começa com a frase final do capítulo anterior. A linguagem é toda ela simbólica e imersiva. A narrativa foca a sua atenção no melhor e o pior da condição humana, numa reflexão permanente, através do monólogo da narradora carregado de simbologia. “E o presente disponível. E minha libertação lentamente entediada […]”. E… não posso contar mais… Genial! Recomendo!

"... a vida é uma missão secreta"

Anabela Borges

"A Paixão Segundo G. H." foi um dos livros mais desafiadores que li nos últimos anos. O desafio impôs-se, não apenas pela provocação que experienciei ao deparar-me com passagens quase impenetráveis, mas também pela percepção de que não é necessário entender tudo em todos os momentos da leitura / vida. O livro aborda a introspeção humana a partir do encontro da personagem principal com uma barata, levando-nos mais além nessa viagem interna de G.H., para captar, nas entrelinhas, uma crítica à invisibilidade da mulher negra na sociedade. Através da personagem G.H., Clarice Lispector fez-me confrontar os opostos e os impossíveis da existência. Afinal, quem sou eu? A escrita de Clarice Lispector nunca será semelhante a nenhuma outra.

Exigente, desafiante, mas extraordinário

TeresaC

Ler este livro foi como assistir a um concerto de música clássica em toda a sua complexidade formal e diversidade instrumental, porque muito embora em vários momentos tenha encontrado uma maior dificuldade na compreensão do texto, um esbarrar na parede, continuei a fazê-lo com deslumbramento e curiosidade, expectante em perceber até onde me levaria a autora. E que momentos de grande genialidade tem esta Obra. E não, a escrita não é acessível e fluida, requer antes alguma paciência, disponibilidade e abertura mental, muita análise e reflexão. Ao longo da narrativa acompanhamos o monólogo filosófico e vertiginoso da personagem central na procura da sua transcendência. Da sua posição no mundo e dentro do seu próprio mundo - mais pequeno mas mais invasivo. O cenário é simples mas repleto de contrastes e intensidade, dentro do qual a autodescoberta moral e religiosa se desenvolve através de uma improvável luta (física e interior) entre G.H. e uma barata, sendo entre estas duas figuras, num frente-a-frente humilde mas edificante, que o ato se desenvolve, possuindo tanto de insólito quanto de extraordinário.

Clarice, Clarice!

Tiago PM

A minha obra de introdução à obra de Clarice, que será para sempre o meu favorito - a paixão de G.H. inspira-me ainda diariamente, e ainda mais quando escrevo e medito sobre ela. Palavras não tenho para descrever o romance, e não haverá melhor remédio do que ler Clarice.

Não leiam com o cérebro mas sim com a fantasia

RP

livro profundo, muito bom ler e reler vezes sem conta não há como ficar indiferente depois de virar suas paginas!

a tomada de consciência do vai e vem interior

Joana C. Pinto

Um livro desconcertante que faz-nos leitores e (talvez) narradores também de uma história que pode ser nossa. Exige trabalho de compreensão e de centralização num Eu dilacerado por uma tomada de consciência que passa rapidamente de dor a prazer. A escrita simples Clarice Lispector complexifica o pensamento de quem a lê.

SOBRE O AUTOR

Clarice Lispector

A 10 de dezembro de 1920, nasce Clarice Lispector, que viria a tornar-se figura maior da literatura do século XX. Recebe, ao nascer numa aldeia da Ucrânia, o nome «Haia», que em hebraico significa «vida». No contexto de guerra civil e das perseguições à comunidade judaica — os pogroms —, a família decide emigrar: em 1922, Clarice Lispector aporta no Nordeste do Brasil, acompanhada pelos pais e as duas irmãs. Mudam de nome, começam uma nova vida.
Em 1939, Clarice Lispector vai estudar Direito no Rio de Janeiro. No ano seguinte, começa a trabalhar como jornalista e publica, numa revista, o primeiro conto. Não mais para de escrever. Perto do coração selvagem, o romance de estreia, sai em 1943, ano em que a escritora se casa com um diplomata brasileiro, seu colega de faculdade. Dez anos mais tarde, este romance sai em França, com capa de Henri Matisse, inaugurando um percurso internacional fulgurante.
A partir de 1944, Clarice Lispector vive em Nápoles, Berna, Torquay e Washington, acompanhando o marido na carreira diplomática. Regressa ao Brasil em 1959, após o divórcio. Morre em 1977, no Rio de Janeiro.
Escritos ao longo de quase quatro décadas, de Clarice Lispector estão publicados no Brasil cerca de vinte livros de ficção (entre romance e conto), vários volumes de crónicas, correspondência e artigos, e cinco livros para a infância. Autora de uma obra de incomparável relevância – publicada em Portugal, a partir de 2025, pela Companhia das Letras – e acolhida nas mais prestigiadas editoras de todo o mundo, Clarice Lispector é um ícone da literatura.

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