A Morte em Veneza
EXCERTOS
«E entre palavras delicadas e graças espirituosas, Sócrates ensinava a Fedro o desejo e a virtude. Falou-lhe do temor ardente que acomete o homem sensível quando os seus olhos vislumbram uma semelhança do belo eterno: falou-lhe da avidez do homem ímpio e vil, incapaz de pensar o belo ao ver a sua imagem, incapaz de veneração; falou do medo sagrado que invade o homem nobre quando contempla uma face divina, um corpo perfeito - como então estremece e sai fora de si, mal ousando olhar, e como venera aquele que é belo, sim, como se ofereceria em sacrifício a este ídolo, se não receasse parecer ridículo aos olhos dos homens.»
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789727087983 |
| Editor: | Relógio D'Água |
| Data de Lançamento: | novembro de 2005 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 137 x 211 x 8 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 86 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789727087983 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
OPINIÃO DOS LEITORES
Esta obra é uma leitura comovente e uma meditação sobre a morte.
Fábio Polónio
Eis um texto que me assustou e que fico feliz por ter conseguido penetrar com deleite e concentração, porque é verdade que a fera é austera e não se oferece facilmente. Também demonstrou implacavelmente neste romance que o confronto com a beleza pura, "a única ideia que se pode contemplar", conduz inevitavelmente à ideia da morte. Antes de abrir o livro, tinha a recente impressão de "Morte em Veneza" na retina e no ouvido, como uma fotomontagem do filme de Visconti tendo como pano de fundo a Quinta Sinfonia de Mahler. Estas imagens, centradas na busca do artista idoso Gustav von Aschenbach pela dolorosa beleza do efebo Tadzio na praia de Veneza, estão perfeitamente sincronizadas com a sinopse do conto e as emoções intensas que a pena precisa de Thomas Mann evoca. Além disso, ajudaram-me a mergulhar mais fundo nas profundezas do texto, desde a humidade fétida de Veneza à transição do homem mais velho da integridade rigorosa para a loucura do amor, e até à esplêndida e sepulcral cena final.
História de um deslumbre
https://nointeriordoslivros.blogspot.com/
A Morte em Veneza figura entre os livros que mais me marcaram até hoje. É um livro pequenino, mas que tem um mundo dentro dele. A história é a de um deslumbre - uma paixão insidiosa - de um homem mais velho que admira (venera) à distância, um jovem rapaz, inacessível, por força das circunstâncias e das regras do decoro e da moral comummente aceites. O sentimento, porém, existe e instala-se no íntimo do protagonista, por muito ou pouco que isso seja conveniente ou do seu agrado. A narrativa é marcada por uma sensualidade muito particular, que atravessa todos os sentidos, aguçando cada um deles e provocando uma espécie de hiperfuncionamento exacerbado, através do qual a realidade é percepcionada com uma intensidade diferente, ampliada a todos os níveis (o êxtase da expectativa interiormente acalentada, o deleite dos pequenos detalhes percebidos, o júbilo do prazer longínquo e meramente imaginado). «O seu espírito conturbado não queria saber nem desejava nada mais do que perseguir sem descanso o objecto que o encantava, sonhar com ele sempre que estava ausente e - à maneira dos amantes - dirigir palavras de ternura à sua silhueta. A solidão, a estranheza e felicidade de um êxtase profundo e tardio, encorajavam-no e persuadiam-no a permitir-se mesmo o mais extravagante, sem passar pela vergonha e rubores; de modo que um dia, ao regressar tarde de Veneza, parou no primeiro andar do hotel à porta do jovem belo e, em pleno delírio, encostou a testa à dobradiça da porta permanecendo assim durante algum tempo, sem temer ser surpreendido numa posição tão demente.» É esse estado de sensibilidade aumentada que Thomas Mann transmite e que se infiltra em nós ao percorrer estas linhas, fazendo da leitura uma espécie de experiência imersiva, de certa forma vivida e sentida na primeira pessoa.
Extraordinário
Cristina vieira
A questão de sempre como grande factor de imprevisibilidade na nossa vida e que é: qual é o momento em que saimos do nosso controlo? Somos donos de nós próprios? Só depende de um click....
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