A Imagem Pode Matar?
(2ª Edição)
SINOPSE
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789726999089 |
| Editor: | Nova Vega |
| Data de Lançamento: | junho de 2017 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 109 x 189 x 6 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 76 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Passagens |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Ensaios
|
| EAN: | 9789726999089 |
OPINIÃO DOS LEITORES
A relação entre o visível e o invisível
Rui Matoso
Talvez nunca como hoje a expressão de Paul Klee, «a arte não reproduz o visível, torna visível», tenha ganho um sentido tão material e concreto. Apesar da problemática inscrita na relação visível-invisível comportar uma densidade histórica e antropológica de enorme importância, é desde a crise iconoclasta do império bizantino dos séculos VII e XIX, mais precisamente após a reposição em 843 -durante a regência da imperatriz Teodora- do segundo Concílio de Niceia (787), que a questão do invisível vem ganhando complexidade filosófica no âmbito da produção, circulação e receção das imagens. Seguindo a trajetória da proposta de Mondzain, de que no lugar de invisível” talvez devêssemos falar do “não visto”, aceitaremos que o estatuto do invisível na imagem é da ordem da palavra, i.e., daquilo que «aguarda um sentido proveniente do debate da comunidade» (p. 30) , e que, por isso mesmo, não pode deixar de emergir da possibilidade do exercício da liberdade e do pensamento crítico. É, portanto, no interior de um campo de forças colonizado pelo dispositivo, que o «poder da imagem» se exerce. Contudo, é somente através do desejo de ver - pois «sem desejo de ver não há imagem» (p.31)- que o invisível habita o visível. Como corolário desta tese, Marie-José Mondzain considera a existência de visibilidades dominantes (o espectáculo, o domínio do visível) que personificam o discurso do senhor, o qual submete o olhar ao visível provocando a sua dissolução sob a forma de assentimento, deste modo as visibilidades «estão ao serviço da comunicação e são o instrumento privilegiado do pensamento único» (p.64).
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