A Força do Silêncio
Contra a ditadura do barulho (2ª Edição)
SINOPSE
Nesta conversa com Nicolas Diat, o cardeal Sarah interroga-se: os homens que não conhecem o silêncio poderão alguma vez atingir a verdade, a beleza e o amor? A resposta é clara: tudo o que é grande e criador implica silêncio. Deus é silêncio.
Depois do sucesso internacional de Deus ou nada, que já foi traduzido para 14 línguas e publicado em Portugal pela Lucerna (2016), o cardeal Robert Sarah propõe-se agora dar ao tema do silêncio todo o destaque que ele indubitavelmente merece.
O texto do diálogo entre o cardeal Robert Sarah e Nicolas Diat é seguido de uma conversa excecional de ambos com Dom Dysmas de Lassus, prior da Grande Cartuxa e prior geral da Ordem dos Cartuxos.
EXCERTOS
Quando, nos anos cinquenta, li pela primeira vez as Cartas de Santo
Inácio de Antioquia, fiquei particularmente impressionado com uma
passagem da sua Carta aos Efésios: «É melhor ficar em silêncio e ser, do
que dizer e não ser. É bonito ensinar se se fizer aquilo que se ensina. Um
só é o Mestre que disse e fez, e aquilo que fez em silêncio é digno do Pai.
Quem verdadeiramente detém a palavra de Jesus também pode entender
o Seu silêncio e tornar-se perfeito, atuando através da Sua palavra e tornando-
se conhecido por se manter em silêncio (15, 1s).
O que significa entender o silêncio de Jesus e reconhecê-lo através
da maneira como se mantinha em silêncio? Sabemos pelos Evangelhos
que Jesus passava muitas vezes a noite sozinho «no monte» a rezar, em
diálogo com o Pai. Sabemos que o Seu falar, a Sua palavra, provém destes
tempos de silêncio e que só no silêncio podia amadurecer. Por isso, é
esclarecedor que a Sua palavra só possa ser corretamente compreendida
se entrarmos no Seu silêncio, se aprendermos a escutar a partir do modo
como guardava o silêncio.
É certo que, para interpretar as palavras de Jesus precisamos de uma
competência histórica que nos permita compreender o tempo e a lingua–
gem de então. Mas isto só não basta, em todo o caso, para captar verdadeiramente
a mensagem do Senhor em toda a sua profundidade. Quem hoje
lê os comentários, cada vez mais volumosos, dos Evangelhos, acaba por se
sentir desiludido. Aprende muitas coisas úteis sobre o passado e muitas hipóteses
que, no final, em nada favorecem a compreensão do texto. No fim,
fica-se com a sensação que àquele excesso de palavras fica a faltar qualquer
coisa de essencial: entrar no silêncio de Jesus, do qual nasce a Sua palavra.
Se não conseguirmos entrar neste silêncio, a nossa escuta da palavra será
sempre superficial e, portanto, não a compreenderemos verdadeiramente.
Todos estes pensamentos me atravessaram novamente o espírito
ao ler o novo livro do cardeal Robert Sarah. Ele ensina-nos o silêncio: o
permanecer em silêncio com Jesus, o verdadeiro silêncio interior, ajudando-
nos assim precisamente a compreender a palavra do Senhor de um
modo diferente. Naturalmente, o autor pouco ou nada diz sobre si mesmo,
mas de vez em quando permite-nos entrever a sua vida interior. Quando
Nicolas Diat lhe pergunta: «Alguma vez na sua vida pensou que as palavras
se tornam enfadonhas, demasiado pesadas ou ruidosas?», responde;
«… Quando rezo e na minha vida interior sinto frequentemente a exigência
de um silêncio mais profundo e mais completo… Os dias passados no
silêncio, na solidão e em jejum total foram de grande ajuda. Foram uma
graça incrível, uma lenta purificação, um encontro pessoal com Deus…
Os dias no silêncio, na solidão e no jejum, tendo a Palavra de Deus por
único alimento, permitem ao homem orientar a sua vida para o essencial»
(resposta n.º 134). Nestas linhas aparece a fonte de vida do Cardeal, que
confere profundidade interior às suas palavras. É esta a base que lhe permite
reconhecer os perigos que ameaçam continuamente a vida espiritual,
mesmo a dos padres e dos bispos, ameaçando assim a própria Igreja, na
qual não raro ocupa lugar uma certa verbosidade na qual se dissolve a
grandeza da Palavra. Gostaria de citar uma única frase que pode dar origem
a um exame de consciência para qualquer bispo: «Pode suceder que
um sacerdote bom e piedoso, uma vez elevado à dignidade episcopal, caia
rapidamente na mediocridade e na preocupação pelas coisas temporais.
Assim sobrecarregado com o peso das tarefas que lhe são confiadas, movido
pela ânsia de agradar, preocupado com o seu poder, com a sua autoridade
e com as necessidades materiais do cargo, vai-se esgotando pouco
a pouco» (resposta n.º 15).
O Cardeal Sarah é um mestre do espírito que fala a partir da sua
experiência de permanecer em silêncio junto do Senhor, a partir de uma
profunda unidade com Ele, e assim tem realmente alguma coisa a dizer
a cada um de nós.
Devemos estar gratos ao Papa Francisco por ter colocado um tal
mestre do espírito à cabeça da Congregação responsável pela celebração da
Liturgia na Igreja. Tal como para a interpretação da Sagrada Escritura, também
para a Liturgia é necessária uma competência específica. E, no entanto,
também é válida relativamente à Liturgia a ideia de que o conhecimento
especializado pode, no fim, ignorar o essencial se não se fundar no mais
profundo do seu ser na unidade com a Igreja orante, que aprende continuamente
com o próprio Senhor o que seja o culto. Com o Cardeal Sarah,
um mestre do silêncio e da oração interior, a Liturgia está em boas mãos.
Cidade do Vaticano, na semana da Páscoa de 2017
Bento XVI, Papa Emérito
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789898809438 |
| Editor: | Lucerna |
| Data de Lançamento: | setembro de 2017 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 144 x 232 x 14 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 272 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Religião e Moral
>
Catolicismo
|
| EAN: | 9789898809438 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Magnífico!!!
Rosa Ventura
Este é um livro cuja enorme força nos surpreende passo a passo! Justamente hoje, quando já pretendemos fugir do "barulho" e penetrar no "vazio", o autor apresenta-nos o surpreendente poder do Silêncio. Um livro a não perder!
A Força do Silêncio, de Robert Sarah
Maria de Oliveira
Um livro que é uma pérola, que nos convida ao tesouro do silêncio, à riqueza que ele nos permite, para nos encontrarmos connosco, com os outros e com Deus. Caminho de felicidade, orientação para tempos de anti stress, sem vazio, mas cheios daquele amor e serenidade que todos ambicionamos e o mundo necessita, contra a ditadura do barulho, do ruído, do som ensurdecedor de quem está só, sem nada nem ninguém. Um "must" a não perder…
Um livro essencial!
Ana Cruz
Tornou-se no meu livro de cabeceira. Fala-nos sobre a importância de procurarmos o silêncio para um verdadeiro encontro com Deus, neste mundo que nos distrai com tantos tipos de barulhos. Recomendo vivamente!
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Pensamentos Sobre a Família10%Lucerna7,00€ 10% CARTÃO
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