A Criança Suspensa

de Risoleta C. Pinto Pedro
Editor: Padrões Culturais, março de 2012 ‧
A morte de um filho, ainda pequeno, é uma dor insuportável para a maior parte de nós, mas não tem de ser assim… se criarmos uma abertura interior e educacional de que este fenómeno não tem de ser necessariamente negativo quando o abordamos numa perspetiva maior de universo cósmico, dimensão não visível da vida. A narrativa desenrola-se entre a voz da mãe e a do filho, numa espécie de diário a duas mãos, onde se cruzam as duas visões e os diferentes sentimentos sobre o sucedido, e em que se as personagens pouco a pouco se encaminham para o entendimento que a morte paradoxalmente é a peça necessária que falta para tornar completo esse amor único.

«– Não queiras morrer sem essa experiência de viver e saborear a solidão de mim. Vê como pode ser boa, como te permite estar contigo. Foi assim que eu vivi, no meio de vós! Só... e feliz. Era isso que vislumbravas por detrás da luz dos meus olhos que tanto espreitavas, mãe curiosa. Aí tens: era solidão... a felicidade de estar comigo mesmo. União paradoxal, esta. Mas tenta, tenta partilhar isso comigo, e tantos outros, as outras partes de ti.
– Cortados os dois cordões, o umbilical, há treze anos, número mágico, e o astral, agora, que me resta? Toda a vida a refazer; um repensar diferente de todos os meus percursos, do próprio espaço. Sou ainda uma mãe igual às outras, normal. Contudo, já não há um corpo de carne a alimentar, a tratar. Para que sirvo eu agora? Há toda uma autoimagem de mãe a repensar, a refazer: mãe normal, paradoxalmente mãe amputada, também por isso, normalizada, igual às outras, privada do dia-a-dia dos impossíveis, a minuto conquistados com suor e sorrisos e raivas, às vezes: o mundo tornado agora um amplo espaço quase vazio.
– Mãe, é apenas uma das tuas personalidades; tu és mais que isso; já não te falo como um filho; sou, fui, uma das tuas paixões. Agora, já não preciso de ti, mãe. Repensa-te. Tu o dizes.»

A Criança Suspensa

de Risoleta C. Pinto Pedro

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897090073
Editor: Padrões Culturais
Data de Lançamento: março de 2012
Idioma: Português
Dimensões: 145 x 206 x 3 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 80
Tipo de produto: Livro
Coleção: Sonhos Literários
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897090073

SOBRE O AUTOR

Risoleta C. Pinto Pedro

Risoleta C. Pinto Pedro, nascida em Elvas (S. Vicente e Ventosa), e tendo vivido no Alentejo até aos dois anos (Santa Eulália), é autora de romance, novela, conto, poesia, teatro, ensaio, crónica periodística e radiofónica, conto infantil e libreto nas modalidades de ópera, canção, cantata, musical, e ainda escrita para dança (Companhia de Dança Amalgama). Passam de um quarteirão, as obras publicadas a solo. Na ficção, os Prémios: Revelação APE/IPBL com "O Aniversário", 1994; e Ferreira de Castro com "A Criança Suspensa", CM Sintra, 1995. Duas vezes distinguida na poesia pela Sociedade da Língua Portuguesa. Artigos e conferências sobre a revista Seara Nova, e as obras de: Fernando Pessoa, Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Sebastião da Gama, Bocage, Jaime Salazar Sampaio, Pedro Martins, Agostinho da Silva, António Quadros e António Telmo. Publicou dois livros de ensaio: "A Literatura de Agostinho da Silva, essa alegre inquietação" (2016) e "António Telmo - Literatura e Iniciação" (2018), na editora Zéfiro. Escreve para diversos periódicos. Saíram, pela editora Sem Nome, poesia: "Cantarolares, um Sabor Azul" (crianças) (2017), "Ávida Vida" (2018), e novela: "A Vontade de Alão" (2019), "Meia Bola e Graça" (2022) e "Painéis Solares" (2025). Ainda "As Cinco Estações" e "Kronos inVersus" (poesia, 2023). Na ficção para crianças, a convite, escreveu "O Mistério da Senhora das Areias" e "Pedro Ferreiro, o Besteiro do Rei" (CM Ferreira do Zêzere, Fundação Maria Dias Ferreira, 2022). Em maio de 2023, "A Glória da Invenção, uma Aproximação ao Pensamento Iniciático de António Telmo", em coautoria com Pedro Martins. Em maio de 2024 realizaram-se cinco espetáculos de ópera com música de Vítor Rua para o seu libreto A Evolução dos Cravos, criado a convite do maestro Jorge Salgueiro e Associação Setúbal Voz, projeto apoiado pela Direção Geral das Artes e pela Presidência da República. Em setembro de 2024, intervenção no Simpósio de homenagem a "Daniel Pires, mestre de investigadores", na Biblioteca Nacional, e já em 2025, a reposição do musical juvenil "Kate e o Skate", no Teatro Luísa Todi, em Setúbal e da ópera "A Evolução dos Cravos", em S. João da Madeira. Em mãos, em parceria com Pedro Martins, a biografia do filósofo António Telmo. Com estreia a 10 de maio de 2026, a ópera "Quem Cresceu Assim", sobre episódios da infância de António Telmo, com libreto seu e música de Rodrigo Leão, um projeto de Setúbal Voz com direção artística do maestro e compositor Jorge Salgueiro.

(ver mais)

LIVROS DA MESMA COLEÇÃO

DO MESMO AUTOR

QUEM COMPROU TAMBÉM COMPROU