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A Acção e o Poder no Drama Contemporâneo

de Jorge Palinhos
Editor: Companhia das Ilhas, fevereiro de 2022 ‧
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Nas últimas décadas assistiu-se a uma emancipação da cena em relação ao texto dramático, no sentido em que o teatro e as artes performativas deixaram de depender de um texto pré-existente e descobriram múltiplas fontes de criação e apresentação, que já não dependem da literatura e da construção textual, e geram obras performativas de uma enorme diversidade.

Este livro apresenta um novo modelo de análise e construção dramatúrgica, assente no elemento fundamental de todas as artes performativas e narrativas: a acção. Partindo de uma investigação profunda a teorias filosóficas da ação, do discurso e do teatro, de autoria de Michel Foucault, Paul Ricoeur, Gilles Deleuze, Raymond Williams, Kenneth Burke e Alice Rayner, entre outros, é proposta um método de análise da dramaturgia de um espectáculo ou obra dramática com base na estrutura das acções e na relação que estas estabelecem entre si, com o discurso e com o respectivo contexto.

Este método não só constitui uma excelente ferramenta de reflexão para criadores cénicos, como é ilustrado por exemplos de aplicação prática de análise a obras performativas de autores emblemáticos portugueses e brasileiros das últimas duas décadas, que permitem compreender a sua aplicação prática, bem como identificar algumas das características culturais e estéticas mais vincadas do teatro contemporâneo.

Ao longo da história do teatro a atenção focou-se maioritariamente na palavra, na literatura dramática que funcionaria como alicerce dos acontecimentos cénicos. Todavia, a sociedade ocidental, desde a invenção do cinema e da televisão, tem progredido para a valorização da imagem, que «superou o pensamento» (Martins, Miranda, Oliveira & Godinho, 2011). Em virtude disso, também o teatro tem sido visto cada vez mais pelo prisma dos seus aspetos cénicos, semióticos, sociais e ideológicos, e cada vez menos pela vertente verbal. Esta obra propõe duas outras formas de leitura do evento cénico, tidas como centrais ao mesmo: a ação, entendida como o núcleo do que acontece em palco, e o poder, tido como o eixo que define as relações, decisões e contextos que são apresentados. O interesse por esta investigação partiu da minha experiência enquanto dramaturgo e dramaturgista, durante a qual tive a oportunidade de escrever textos por moto próprio, escrever textos que me foram pedidos, trabalhar com encenadores com diferentes perspetivas sobre a cena, fazer a dramaturgia de textos de outros. Dessa experiência surgiu a convicção de que palavra e imagem são igualmente importantes em palco, sem que uma contribua mais para a autoria da obra do que a outra. Apercebi-me de que havia espectadores mais suscetíveis ao efeito das palavras e outros mais centrados nas imagens que viam ou nas emoções que pressentiam. E comecei a refletir que palavras e imagens eram largamente derivadas de um outro cerne que era a verdadeira fonte da obra cénica, e aquilo que a maior fatia do público realmente procurava na experiência dramática: a ação e relações das figuras do drama.

A Acção e o Poder no Drama Contemporâneo

de Jorge Palinhos

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899007628
Editor: Companhia das Ilhas
Data de Lançamento: fevereiro de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 139 x 221 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 228
Tipo de produto: Livro
Coleção: Azulcobalto
Classificação Temática: Livros em Português > Arte > Artes de Palco
EAN: 9789899007628

SOBRE O AUTOR

Jorge Palinhos

Jorge Palinhos é escritor, dramaturgo e docente universitário, e peças suas já foram apresentadas ou editadas em Portugal, Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, Espanha, Estados Unidos da América, França, Países Baixos, República Checa, Suíça e Sérvia, em espaços como o Teatro Nacional São João, o Centro Cultural de Belém, o Teatro Meridional, o Teatro Municipal Rivoli e Teatro Municipal Campo Alegre, o Teatro Beursschouwburg, em Bruxelas, o Teatro Schaubühne, em Berlim, o Graham Institute, de Chicago, o SESC de São Paulo, La Comédie de Reims, CDN Orléans, o Teatro Nanterre-Amandiers, em Paris, etc.
É autor da peça Auto da Razão, galardoada com o Prémio Miguel Rovisco 2003 entregue pelo INATEL, e da peça Antes da Meia-Noite, galardoada com o Prémio Manuel-Deniz Jacinto 2007. Recentemente publicou "Parking", na Companhia das Ilhas, "Uma Campa é um buraco difícil de tapar", na Imprensa da Universidade de Coimbra, e "Day Time", pela Húmus. Colabora regularmente com o jornal Público e a revista Bang.
Tem lecionado em vários cursos de artes performativas e de escrita para o digital. Enquanto investigador, tem-se dedicado a investigar o cruzamento de narrativa, espaço e ferramentas digitais.

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