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25 de Abril, no Princípio Era o Verbo

de Manuel S. Fonseca; Ilustração: Nuno Saraiva
Editor: Editora Guerra & Paz, março de 2024 ‧
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Festa. Este livro festeja os 50 anos do dia que derrubou uma ditadura de 48 anos. O 25 de Abril, catarse e delírio, foi uma das mais impressionantes algazarras de liberdade, loucura, e inocente destrambelhamento colectivo que o modesto povo português já viveu.

A liberdade chegou como uma inundação: proliferaram partidos políticos; levantaram-se do chão incendiários educadores do povo; agitaram-se estandartes; colaram-se cartazes; pichagens pintaram paredes; ruas, largos e avenidas entupiram-se com torrentes de gente em loucas manifs.

De tudo isso este livro quer ser a mais despretensiosa - e divertida - testemunha. Primeiro, num preâmbulo mansinho, nocturno, visitamos e descrevemos, hora a hora, os incidentes e o suspense da noite de 24 de Abril, da madrugada e do dia 25 em que os militares de Abril derrubaram o Estado do estado a que isto chegara.

Depois, redescobrimos as palavras de ordem, o alucinado desatino das palavras que varreu Portugal, evocando cartazes, os gritos das manifestações, as paredes e muros pintados. Mais de duas dezenas de ilustrações de Nuno Saraiva recriam, neste 25 de Abril, no Princípio Era o Verbo, um Portugal de cabelos desvairadamente compridos, calças boca de sino, soutiens a serem queimados, um Portugal a pôr a ávida boca na orgia de novos costumes.

O 25 de Abril foi um dia polifónico em que da voz de cada português saiu uma palavra, fosse essa palavra exaltante, ridícula, hiperbólica, tímida, ou do mais sublime humor. Dessas palavras se construiu o Portugal que hoje somos. Dessas palavras é feito este livro.
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50 anos desde 1974

Durou muito, estragou muito, e por isso o seu fim é inesgotável. Cinquenta anos depois do fim da ditadura, ainda há muito que ler sobre o dia que abriu a janela ao mundo.
  25 de Abril – No Princípio Era o Verbo O 25 de Abril foi uma festa, e este livro festeja-a. A 50 anos do dia, já levamos dois de vantagem ao tempo em que Portugal foi trevas. Ora, para festejar, nada melhor do que o traço Nuno Saraiva: a preto e branco ou a cores, qualquer coisa que venha daquela pena é uma alegria para quem vê. Já o texto é de Manuel S. Fonseca. Neste livro, percebe-se a liberdade com o seu tom de alegria louca e coletiva, percebe-se o dia como catarse que mudou o destino à vida. A partir daquela madrugada, o futuro foi outra coisa – pôde, aliás, ser qualquer coisa. Dali vieram partidos, ideólogos, cartazes; dali vieram debates, conversas, alívios. Dali veio a manifestação de um povo, cada um com a sua bandeira sem ter medo de amarras. O livro pega em tudo o que marcou aquele dia que criou outro povo, de frases, slogans e fantasias até à brava promessa de uma vida por descobrir. QUERO LER! »







  Gente comum. Uma história na PIDE Eu não sou impressionável (os Pedrosas são gente rija), mas, depois de ler este livro, passei noites a dormir mal. O pior nem era a insónia: era adormecer e sonhar com isto. Aurora Rodrigues foi detida pela PIDE e levada para a prisão de Caxias em 1972, onde foi torturada durante três meses. Com 21 anos, foi impedida de dormir durante 450 horas. O relato não era apenas de cansaço, mas também de espancamentos frequentes, de frequentes tentativas de a endrominarem. O leitor sente-lhe a confusão mental, e sente também o desespero e a desumanidade de quem usava atrocidades por dá cá aquela palha. Gente comum devia passar pelas mãos de todos para que a memória não morra, para que ninguém se esqueça do que era a PIDE: antes do 25 de Abril, havia na vida coisas destas. QUERO LER! » 25 Mulheres – Uma Revolução no Feminino O Estado Novo tentou domesticar mulheres. Vedou-lhes o acesso à educação e à produção simbólica e destinou-lhes nada mais do que a pacatez do lar. Enquanto esteve em vigor, tentou impedir tudo o que pudesse dar a uma mulher mais do que um papel coadjuvante na vida: seria esposa e mãe e nada mais. Neste livro, temos as histórias de 25 mulheres, contadas em voz própria. Ao lê-las hoje, não há como não fazer a ponte com os tempos de hoje em dia, pesando o que mudou, comparando o que há de semelhante. Em cada voz, há uma vida diferente, por isso o livro traz múltiplas luzes sobre um poder político que, tentando fazer de metade da Humanidade uma tábua rasa, foi vencido pelo tempo. QUERO LER! » O Meu Primeiro 25 de Abril Foi o primeiro dia do resto da vida de muita gente, incluindo quem ainda nem tinha nascido. Não fosse esse dia e tudo seria outra coisa. Este livro olha para a hora H, que significou não apenas a cambalhota que o quotidiano deu em Portugal, mas também o fim da guerra colonial. Cá no burgo, para quem não era capataz, passou a haver aquela coisa tão bela e banal que é andar tranquilo pela rua. José Jorge Letria conta como foi aquele dia para si, que o viveu. Muitos de nós poderão atacar pelo simbolismo, contar o que não viram, e a coisa não valerá pouco. Mas aqui temos os olhos que vêem em força bruta, a História a acontecer naquele dia, o impacto que teve aquela chuva de cravos, ao invés do simbolismo de quem ouve falar do dia na escola. O 25 de Abril de 1974 é um dia que não precisa de ser vivido para não ser esquecido, mas aqui temos a lembrança de quem passou por ele.   QUERO LER! » Liberdade E terminamos com um romance. Parte-se da vida real e cria-se outra coisa, e essa coisa também é vida real. No epicentro do livro, há uma família portuguesa, e ei-la com segredos e traições; à sua volta, existe um país à toa, com movimentos políticos e espiões internacionais e toda a História que sabemos. O contexto é o que vemos nos quatro livros anteriores, mas o texto vai fazendo as suas páginas e o leitor vai seguindo a vida de duas mulheres que vão fazendo a sua vida: uma vê o seu casamento chegar ao fim, outra não sabe bem a quantas anda. Entre o Primeiro de Maio de 1974 e o 25 de Novembro de 1975, a acção faz-se, tentando cristalizar a memória de um país. QUERO LER! »

25 de Abril, no Princípio Era o Verbo

de Manuel S. Fonseca; Ilustração: Nuno Saraiva

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895760497
Editor: Editora Guerra & Paz
Data de Lançamento: março de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 229 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 168
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > História > História de Portugal
EAN: 9789895760497

Imprescindível ler por todas as idades "dos 7 aos 77"

Nuno Modesto

TODOS DEVEM LER História misturada com o muito humor que caracterizou aquele período. Quem tem mais de 60 anos aproveita para lembrar (re)lembrar este período impar da nossa história, relembrando momentos muito próprios e um sem número de palavras de ordem (revolucionárias) de conteúdo impar. Para os mais novos dar-lhes a conhecer uma visão do que foram aqueles tempos. Os temas foram superiormente escolhidos (olhem que sim, olhem que sim), os "bonecos" (desenhos) estão fenomenais. Foi muito bom recordar as célebres frases desse grupo anónimo que se intitulava de "Anarcas". Parabéns aos autores, e um grande obrigado

SOBRE O AUTOR

Manuel S. Fonseca

Tinha cinco anos quando chegou a Angola, ao musseque Sambizanga, em Luanda, cidade em que viveu, com interregno de dois anos no Lobito, até final de 1976. Infância, adolescência e independência são a matéria do livro Crónica de África. Admirador impenitente das crónicas de Nelson Rodrigues e António Lobo Antunes, quis, nesta Crónica de África, tratar as suas cenas da vida real com o gosto narrativo que tanto o deslumbra no cinema.
Cronista no Expresso e no Jornal de Negócios, com artigos publicados no JL, Semanário, Face, Marie Claire CM e Granta, foi, antes, autor de Michelangelo Antonioni e Francis Ford Coppola, biografias editadas pela Cinemateca. Coautor, com João Bénard da Costa, do volume IV do Cinema Musical. Na Guerra & Paz, foi autor de A Revolução de Outubro – Cronologia, Utopia e Crime, Pequeno Dicionário Caluanda e o Pequeno Livro dos Grandes Insultos. Organizou e prefaciou várias antologias de Fernando Pessoa, em particular Que Salazar era o Salazar de Fernando Pessoa e a trilogia de livros ligados às grandes tragédias do século XX, Manifesto Comunista, Mein Kampf e Pequeno Livro Vermelho. Prefaciou ainda obras de Platão, Jonathan Swift, Rimbaud, Mark Twain, Claude Le Petit, Oscar Wilde e Pierre Félix- Louÿs.

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