10% OFF

Verão

by J.M. Coetzee
Publisher: Dom Quixote, February of 2010 ‧
17,90€
10% OFF CARD
IN STOCK -
free shipping
Um jovem biógrafo inglês trabalha num livro sobre o falecido escritor John Coetzee. O seu projecto é concentrar-se nos anos entre 1972 e 1977, época em que Coetzee, então na casa dos 30, compartilhava com o pai viúvo uma degradada casa rural nos arredores da Cidade do Cabo. Trata-se, segundo o biógrafo depreende, do período em que aquele estava "a apalpar terreno como escritor".
Sem nunca ter conhecido pessoalmente Coetzee, abalança-se a uma série de entrevistas a pessoas que foram importantes para ele: uma mulher casada com quem teve um caso, a sua prima preferida, Margot, uma bailarina brasileira cuja filha teve aulas de Inglês com ele, e velhos amigos e colegas. A partir dos seus testemunhos surge um retrato do jovem Coetzee como um indivíduo desajeitado e livresco, dotado de pouco talento para se abrir com os outros. No seio da família é visto como um forasteiro, alguém que tentou fugir da tribo e que agora voltou, mais contido. Na África do Sul da época, a sua obstinação em fazer trabalhos braçais, o cabelo e a barba crescidos e os boatos segundo os quais escreve poesia, não suscitam outra coisa que não a desconfiança.
Ora comovente, ora francamente divertido, Verão mostra-nos um grande escritor em pleno aquecimento para o seu trabalho. Verão completa a trilogia de memórias ficcionadas que se iniciou com Boyhood e Youth.
Livros que queimam 640.jpg

Livros que queimam

Quando pensamos no verão, imaginamos praias, tardes lentas, corpos ao sol, a suspensão momentânea das responsabilidades. Mas a literatura, com a sua vocação para perturbar imagens fixas, costuma retratar o verão de outra forma: não como estação da leveza, mas da vertigem. Há algo na luz excessiva, no calor imóvel, na dilatação do tempo que parece favorecer não o repouso, mas o colapso, como se a própria claridade arrastasse consigo um pressentimento de ruína.
Os quatro livros que aqui se encontram têm em comum esse outro verão: não o que consola, mas o que desvela; não o que relaxa, mas o que desafia e, por vezes, até o que enlouquece. Luz em Agosto, de William Faulkner O verão do Sul dos Estados Unidos é espesso, brutal, impiedoso. Faulkner ambienta neste calor quase bíblico uma narrativa de culpa, violência e exclusão, em que a luz parece aumentar a opressão em vez de dissipá-la. Joe Christmas, figura trágica e enigmática, carrega no corpo a ambiguidade racial que o condena socialmente, mesmo que ele próprio não saiba, ou não diga, quem é. A luz não é revelação divina, mas exposição brutal: torna tudo visível demais, insuportavelmente visível. O verão, neste romance, é uma estação da perseguição e do sacrifício. COMPRO NA WOOK! » Verão, de J.M. Coetzee Em Verão, Coetzee escolhe descentrar-se: apresenta uma falsa biografia sua, construída a partir de entrevistas com mulheres que teriam marcado a sua vida. O autor aparece como figura esvaziada, pouco admirável, desinteressante até. É um exercício de autocrítica mas também de despersonalização. Aqui, o verão é um tempo posterior: uma espécie de pós-vida, em que o que resta não é a plenitude da estação, mas a sua sombra. O livro, atravessado por um humor seco e melancólico, desmente qualquer ideia romântica da maturidade como tempo de realização. O Verão é o tempo em que tudo está demasiado à vista, e talvez por isso tudo pareça desprovido de encanto. COMPRO NA WOOK! » O Estrangeiro, de Albert Camus Poucos livros condensam tanto o peso metafísico do verão quanto este. Desde as primeiras páginas, o calor é um personagem: asfixiante, agressivo, cúmplice de um crime que ocorre, segundo o protagonista, quase por acidente, por excesso de luz.
«Foi no calor do verão. O sol batia-me no rosto». Assim começa o assassinato mais enigmático da literatura moderna. Meursault é um homem que parece não sentir, ou recusa sentir, o que o mundo espera dele. A morte da mãe, o amor, o homicídio, tudo é relatado com a mesma neutralidade solar. Mas por trás dessa indiferença há uma filosofia inteira: a do absurdo. Em Camus, o verão é o cenário perfeito para revelar a ausência de sentido no centro da existência. O céu azul é impenetrável. A luz não responde. COMPRO NA WOOK! » Férias de Agosto, de Cesare Pavese O calor do interior italiano serve de pano de fundo para um regresso à terra natal, e, com ele, a um passado irresoluto. Pavese, sempre atento às fissuras da consciência, compõe um romance em que as férias são tudo menos descanso. O tempo parece suspenso, a paisagem é ao mesmo tempo familiar e estranha, e os encontros, em vez de apaziguar, desestabilizam. Há uma nostalgia árida, quase geológica, como se o verão tornasse visíveis não só os contornos da infância, mas também os seus abismos. O narrador move-se num tempo estagnado, onde cada gesto é sombra de outro, mais antigo e mais doloroso. COMPRO NA WOOK! » Estes livros mostram que o verão pode ser a estação do excesso: de luz, de silêncio, de memória, de desencanto. Quando tudo parece estar à vista, somos confrontados não com a clareza, mas com o vazio. O sol não aquece: consome. O tempo não desacelera: paralisa. Há algo de cruel neste verão literário: é o tempo em que não se pode fugir, em que tudo fica demasiado nítido para ser ignorado.
Talvez por isso esses verões sejam tão inesquecíveis. Porque queimam.

Verão

by J.M. Coetzee

Property Description
ISBN: 9789722039864
Publisher: Dom Quixote
Release Date: February of 2010
Language: Portuguese
Dimensions: 160 x 239 x 18 mm
Pages: 280
Format: Book
Collection: Ficção Universal
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789722039864

Leitura obrigatória

Mário Correia

Um dos livros mais interessantes que li nos últimos tempos. Com o seu ritmo narrativo sempre estimulante e envolvente, Coetzee transporta-nos pelas paisagens interiores do seu personagem ao mesmo tempo que nos mostra um país em mudança, a África do Sul. Um livro imperdível.

ABOUT THE AUTHOR

J.M. Coetzee

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2003

J. M. Coetzee nasceu em 1940, na Cidade do Cabo, estudou na África do Sul e nos Estados Unidos, e vive atualmente na Austrália.
Entre as suas obras destacam-se No Coração desta Terra, À Espera dos Bárbaros (James Tait Black Memorial Prize 1982), A Vida e o Tempo de Michael K (Prémio Booker 1983), Desgraça (Prémio Booker 1999), Diário de Um Mau Ano – um romance em que o autor dividiu a página em três planos narrativos distintos, numa ousada experiência entre a ficção e o ensaio –, Verão (finalista do Prémio Booker de 2009), a aclamada trilogia de Jesus – A Infância de Jesus, Jesus na Escola e A Morte de Jesus – e O Polaco.
Tendo sido o primeiro escritor a vencer por duas vezes o Prémio Booker, Coetzee viu ainda a sua mestria literária ser reconhecida com a atribuição do Prémio Nobel de Literatura, em 2003.

(see more)

BOOKS FROM THE SAME COLLECTION

BY THE AUTHOR

PEOPLE WHO BOUGHT ALSO BOUGHT