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Os Filhos do Mar Alto

by Virginia Tangvald
Book eBook
Publisher: Alfaguara Portugal, March of 2025 ‧
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«Decidira riscar o passado […]. Construíra-me à sombra do meu pai e do mistério que o rodeava. Porém, aquele canto de sereia, sublime e luminoso, revelava-se mortífero e capaz de me engolir para todo o sempre.»

Virginia nasceu no mar alto, a bordo de um veleiro construído pelo navegador Peter Tangvald. Este navegador era o seu pai, mas ela apenas viria a conhecê-lo através dos livros que ele publicou e das reportagens que protagonizou: Virginia era ainda bebé quando a sua mãe fugiu do marido e daquele barco a que chamavam casa. O lendário aventureiro norueguês viveria os seus dias vogando as ondas e desafiando convenções. Casou-se sete vezes e perdeu misteriosamente duas mulheres. Até que ele próprio morreu num naufrágio. Volvidas décadas sobre a morte do pai e impelida pela ânsia de conhecer a sua herança, Virginia decidiu empreender a viagem de uma vida: navegando por entre os enigmas de uma história de liberdade, errância e perda, vai reunindo peças espalhadas pelos quatro oceanos.

Da ilha de Bonaire a Porto Rico, passando por Toronto e pela Noruega, esta é uma odisseia familiar para esconjurar o destino, preencher as lacunas e ancorar a identidade. Na tradição de autores como Melville, Defoe ou Baricco, a escritora — também música e cineasta — conduz o leitor numa viagem ao fundo de si.

«A força deste livro reside no facto de mergulhar numa alma aprisionada, consumida por um desejo absoluto de liberdade. Viver sem os outros a ponto de os atrair para o seu próprio abismo. Os filhos do mar alto carrega a força das tragédias antigas.»
Le Parisien Week-End

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Água viva

A água é origem e ameaça, bálsamo e corte. Flui por dentro das casas e das frases, como se o texto fosse um estuário onde desaguam memórias e perdas. Há mares que dão família e mares que a desfazem, há chuvas que abrem clarões na terra, maresias que gravam no corpo a coragem de resistir, correntes que puxam a escrita para um território sem margens. Em cada um destes livros, a água organiza a memória e a experiência: ora é genealogia (o mar como origem e segredo), ora é limite e provação (o mar que raspa o supérfluo e deixa o essencial), ora é política (o regime dos ciclones, dos terramotos, das migrações), ora é pura forma (a prosa que corre, sem margens fixas). Os filhos do Mar Alto, de Virginia Tangvald O livro de estreia de Virginia Tangvald, publicado em Portugal em 2025, tem a energia híbrida do romance-investigação, da memória e do relato marítimo. A autora nascida no mar alto, a bordo de um veleiro construído pelo seu pai, o navegador Peter Tangvald , regressa a um passado atravessado por viagens, barcos e mortes em água aberta. O pai, figura lendária e controversa, teve sete casamentos; duas mulheres morreram em circunstâncias trágicas; ele próprio morreria em naufrágio, em 1991, perto de Bonaire.
A autora transforma a biografia fragmentada da família: veleiros, desaparecimentos, mitologias de liberdade e risco, numa investigação íntima sobre herança e desejo de ancoragem.
Tangvald trata o oceano como um depósito de indícios: histórias, cartas, recortes, rumores, em que se tenta reconhecer a própria origem. A busca mapeia, com honestidade, a ambivalência do fascínio marítimo: liberdade e risco, ascese e narcisismo, desprendimento e irresponsabilidade. É por isso que o livro abriga um duplo movimento: ancorar uma identidade (dar nome ao que nos fez) e desancorar-se do mito (dizer não à repetição do dano).
Há uma tensão ética que percorre a narrativa: entre a aventura e o dano, entre a sedução do oceano e a sua economia de perdas. A própria escrita, que convoca um cânone marítimo (de Defoe a Melville e Baricco), recusa o conforto do romance de formação: prefere a prosa que deixa entrar o rumor das fontes e a poeira salina das versões.
Os Filhos do Mar Alto encena aquilo a que Steve Mentz chama “modernidade de naufrágio”: uma perceção histórica e íntima construída no intervalo entre catástrofes e aterragens precárias. O mar, aqui é uma tecnologia de vida e de escrita: um modo de organizar o sentido quando a terra firme escasseia. COMPRO NA WOOK! » Náufragos, de Sophie Elmhirst Uma baleia, uma jangada, uma história de amor: diz o subtítulo da edição portuguesa. Elmhirst reconta a verdadeira história de Maurice e Maralyn Bailey, o casal britânico que, depois do seu veleiro Auralyn ter sido abalroado por uma baleia, derivou quase quatro meses no Pacífico até ser resgatado por um pesqueiro sul-coreano. Em vez do épico de bravura, a autora insiste no laboratório íntimo: os rituais miúdos (cozinhar, registar, remediar), a divisão do trabalho, o compasso entre esperança e exaustão, a maneira como duas pessoas inventam um tempo habitável onde só há vastidão.
O livro é menos um épico marítimo do que um retrato de dois corpos na mesma maré: o amor como uma técnica de sobrevivência, o mar como personagem sem rosto que testa cada gesto. Há baleias, silêncio, fome e um calendário inventado; sobretudo, há a prova de que a água despoja até sobrar o essencial.
Náufragos trabalha o intervalo entre documento e leitura, memória e figura, o que foi e o que a narração faz disso.
A autora desloca a aventura para a esfera do cuidado e do casal, que testa as fronteiras entre autonomia e interdependência. A coragem não é heroísmo performativo, mas manutenção atenta: costurar remos, racionar água, inventar calendário, cuidar do outro. O oceano, longe de ser apenas antagonista, torna-se parceiro hostil de uma coreografia: cada gota contada, cada gesto repetido. COMPRO NA WOOK! » À Espera da Subida das Águas, de Maryse Condé Este romance acompanha Babakar Traoré; médico solitário, maliano, a viver em Guadalupe; na sequência de um parto funesto que lhe deixa uma recém-nascida nos braços. A água (chuva, mar, ciclones) desenha a cartografia do livro: Guadalupe, Haiti, África Ocidental. No Haiti, o enredo cruza o país com o duplo regime do desastre natural: o furacão Hugo (1989) e o terramoto de 2010, e o desastre político, num tecido de violência, corrupção e desamparo.
O gesto de Condé é nítido: em vez de um destino biológico, propõe uma comunidade eletiva: uma família fundada na responsabilidade, não no sangue. O romance fratura a imagem turística das Caraíbas e pensa o arquipélago como forma: ilhas dispersas, travessias, pertenças múltiplas. A prosa, enxuta e incisiva, trabalha o que poderíamos chamar uma antiepopeia da amizade e do cuidado: homens e mulheres que, em vez de pátrias, encontram alianças. Num plano mais histórico, o livro conversa com o pós-colonial: migração, heranças autoritárias, racismo, a inércia das metrópoles.
Ler Condé hoje também é gesto de luto e de reconhecimento. A escritora guadalupense morreu em abril de 2024, aos 90 anos. À Espera da Subida das Águas concentra muito da sua ética: uma literatura que recusa o exotismo e investiga, sem alívio, as políticas do sofrimento e da esperança, num mundo de marés desiguais. COMPRO NA WOOK! » Água Viva, de Clarice Lispector Se nos livros anteriores a água é sobretudo exterior – mar, tempestade, enchente –, em Clarice é forma. Água viva desarma a sintaxe do romance: não há capítulos, nem enredo convencional; o texto corre num contínuo, um agora insistente dito por uma narradora-pintora que tenta “pintar com palavras” o instante que foge. A crítica chamou-lhe, com razão, “romance sem romance”. A voz dirige-se a um “tu” indeterminado, que pode ser amante, leitor, Deus, corpo.
Água viva é, desde a génese, um livro sem alicerces fixos.
Em termos poéticos, trata-se de um experimento de perceção. A linguagem avança por unidades respiratórias (parágrafos como pinceladas), por tato, por ouvido: escuta-se a frase. Não há tese, há ritmo. Há um constante diálogo com a intermedialidade (pintura/música) e com uma ontologia aquática do corpo. COMPRO NA WOOK! »

Os Filhos do Mar Alto

by Virginia Tangvald

Property Description
ISBN: 9789895833405
Publisher: Alfaguara Portugal
Release Date: March of 2025
Language: Portuguese
Dimensions: 153 x 236 x 13 mm
Cover: Softcover
Pages: 192
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Memories and Testimonies
EAN: 9789895833405

Tragédias no mar alto

SM

História fascinante. De tão vívido, fez-me procurar, enquanto lia, fotografias da época. Os filhos do mar alto é uma autobiografia e biografia de família. A autora não se perde em detalhes que poderiam ser cansativos. Escrita fluída e muito interessante.

Brutal

Ler, um prazer adquirido

Não dei muita importância à sinopse. Um elogio chamou-me a atenção e quando vi que era um pequeno livro abri e fiquei presa a uma narrativa que, parece uma história de aventuras, com muita angústia e alegria no reencontro de dois irmãos. Dois irmãos ligados por tragédias de forma inexorável. A rapidez e o ritmo com que estas vidas são contadas e a loucura/ liberdade que as move é um vício que se desfruta, não sem reflectir sobre o preço a pagar. Uma atração fatal pelo mar ou uma ânsia de destruição. O pai era um famoso navegador norueguês e este é um primeiro livro autobiográfico. Um livro que, foi toda uma descoberta para ter uma noção de pertença no mundo.

ABOUT THE AUTHOR

Virginia Tangvald

Virginia Tangvald nasceu no mar das Caraíbas, em 1986. Cresceu no Canadá e vive, atualmente, em Paris. É filha do navegador norueguês Peter Tangvald. Estreou-se na literatura com Os Filhos do Mar Alto, um livro aclamado pela crítica e pelos leitores, galardoado com o Prix Révélation d'automne SGDL e nomeado para vários outros prémios: Grand Prix des Lectrices Elle, Prix du Roman Version Femina, Prix des Écrivains de Marine, Prix du Temps Retrouvé, Prix Jules Rimet e Prix Stanislas. Virginia Tangvald, artista multifacetada, realizou um documentário homónimo deste livro, estreado em 2024, no Festival Nouveau Cinéma de Montreal, onde recebeu o Prémio do Público TV5 para Melhor Filme Francófono. A autora está a escrever um novo romance.

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