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O Retrato de Mr. W.H.

by Oscar Wilde
Publisher: Sistema Solar, July of 2025 ‧
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A máscara a ocultar os espaços proibidos do puritanismo vitoriano.
O elogio do andrógino e do seu mito, essa mesma totalidade que São Tomé preconiza no seu Evangelho gnóstico.

«Divagação sobre a máscara ou a própria máscara — dir-se-á da obra literária de Oscar Wilde em muitos dos seus momentos. E na Verdade das Máscaras, ensaio seu de 1885, lê-se a frase que as defende como oportunidade e as destina a uma superior intervenção no teatro: «As verdades metafísicas são as verdades das máscaras». Oscar Wilde consente-lhes a função do rosto sobrecarregado por verdades impossíveis ao suporte orgânico do actor; e que a sua leitura (inteligente, exterior) seja o sublime prolongamento da expressividade corporal, suporte de um conhecimento além-corpo-e-talento ou chave da câmara secreta que encerra — sempre — uma explicação satisfatória da personagem. Trata-se, pois, de uma aliança entre o leitor da máscara e o seu criador, de um pacto em que ambos vão interrogá-la de frente.
[…]
Olhar por detrás da máscara não será em Oscar Wilde indício de má-consciência. Magoado com o meio social que o hostiliza, faz dela um recurso e um rosto ocultador, utiliza-a como um passaporte que permite — com o que supõe menor risco — aflorar as regiões superiores da sensibilidade.
[…]
O Retrato de Mr. W.H. é, na obra do autor, um texto singular: pelo tema; pela forma híbrida de ensaio e conto — a ambiguidade que melhor serve o seu inquérito sobre W.H., conduzido à maneira de uma ficção policial-dedutiva (bizarra, de facto, porque não espreita actos e comportamentos do tempo do texto, mas versos antigos de mais de uma centena de sonetos). O Retrato de Mr. W.H. colecciona créditos e depois nega-os, deixando sistematicamente em falso o último elo da cadeia dos factos; acrescenta-se com deduções e hipóteses de natureza ensaística que a acção do conto, com jogadas sucessivas, anula.»
Aníbal Fernandes

O Retrato de Mr. W.H.

by Oscar Wilde

Property Description
ISBN: 9789895680535
Publisher: Sistema Solar
Release Date: July of 2025
Language: Portuguese
Dimensions: 149 x 207 x 9 mm
Cover: Softcover
Pages: 128
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Short stories
EAN: 9789895680535

ABOUT THE AUTHOR

Oscar Wilde

Oscar Wilde nasceu a 10 de outubro de 1854. Foi o segundo filho de um casal irlandês residente em Dublin.
Em 1871 recebeu uma bolsa para frequentar o Trinity College de Dublin, onde começou a construir a sua persona, com o culto dos pré-rafaelitas, as roupas de dandy e o desafio às convenções.
É neste período que Wilde conhece as obras de Keats, Flaubert e Pater, embora, como disse mais tarde, já houvesse percorrido mais de metade do caminho quando os encontrou. Três anos depois está a frequentar Estudos Clássicos em Oxford.
É influenciado por dois professores de Belas-Artes, John Ruskin e Walter Pater.
Em 1879 já está a residir em Londres, onde se tornará conhecido pelo brilho das conversas e a frequência dos teatros. Escreve Vera ou os Niilistas, que não chega a ser representada, e em 1881 publica Poems.
Em 1884, casa com Constance Lloyd, uma herdeira inteligente e culta, interessada em literatura infantil e de quem teve dois filhos. A partir de 1886, Wilde assume abertamente a sua homossexualidade.
Colabora com a Pall Mall Gazette, publica O Retrato do Sr. W. H., contos como O Príncipe Feliz, e ataca o realismo no ensaio O Declínio da Mentira.
Em 1891 surge O Retrato de Dorian Gray. O romance celebra o esteticismo, critica os seus riscos e aborda pela primeira vez a homossexualidade na literatura inglesa. No mesmo ano publica A Alma do Homem e o Socialismo.
Em 1892, edita O Leque de Lady Windermere, o seu primeiro êxito teatral. Regressa a Paris, onde conhece Mallarmé, Schwob, e tem longas conversas com André Gide.
Mas Uma Mulher sem Importância faz que até alguns dos mais renitentes lhe reconheçam o talento. E é então, no auge da sua glória, que conhece Lord Alfred Douglas, Bosie para os íntimos, vinte anos mais novo do que ele, de gostos vulgares, caprichoso e manipulador. Em apenas dois anos, Wilde é levado à falência com presentes caros, jantares requintados e viagens.
É o começo do fim. Embora escreva ainda Um Marido Ideal, Uma Tragédia Florentina e A Importância de Ser Earnest, a vida criativa de Wilde começa a estiolar-se.
O autor de O Declínio da Mentira vai deixar-se instrumentalizar pelo seu amante no conflito que o opõe ao pai, John Sholto Douglas, marquês de Queensberry.
Em 1895, por instigação de Alfred, Wilde toma a iniciativa de um processo judicial contra Sholto. Ganha o primeiro processo, de que sai, no entanto, relacionado com «atos de grave indecência». O desfecho de um terceiro julgamento é a sua condenação a dois anos de trabalhos forçados.
É na prisão que escreve De Profundis.
Libertado, abandona imediatamente Inglaterra, adota o nome de Sebastian Melmoth e instala-se num modesto hotel de Paris.
Wilde morreu em novembro de 1900, após dois meses de doença. Diz-se que, tal como Tchékhov, de quem quase tudo o separava, pediu champanhe pouco antes de expirar, comentando: «Estou a morrer acima das minhas possibilidades.»

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