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O Corpo Dela e Outras Partes

by Carmen Maria Machado
Book eBook
Publisher: Alfaguara Portugal, July of 2018 ‧
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Um livro-sensação sobre a condição feminina.
Uma mulher recusa deixar o marido tirar-lhe o misterioso laço verde que ela traz ao pescoço, é um pedaço sagrado, inviolável, de si e ninguém pode tocar-lhe. Outra mulher, isolada numa ilha enquanto uma praga aniquiladora se espalha pela Terra, lista os seus encontros sexuais ao longo da vida, tentando identificar aquele que a condenou. Há ainda uma outra epidemia que torna invisíveis algumas mulheres (sobretudo as jovens e bonitas), que depois reaparecem numa loja de vestidos num centro comercial, assombrando a empregada de balcão.

As narrativas destas páginas misturam géneros, combinam realidade e cultura popular com mito, folclore e fábula, e assim desafiam fronteiras, questionam o género como identidade, e pelo caminho contribuem para mapear a vida das mulheres, a sua força e vulnerabilidade, os seus apetites e compulsões, as suas transgressões e agressões.

Histórias terrenas e surreais, excêntricas e sensuais, alegres e cáusticas, cómicas e profundamente sérias, em que o corpo pode ser inconsequente, os humanos podem ser monstros, e a raiva pode ser erótica. O corpo dela e outras partes é uma visão simultaneamente sombria e luminosa, simples e extravagante, sobre o mundo no feminino, estendendo ao leitor um espelho ligeiramente distorcido do mundo que conhecemos e um convite a repensarmos as escolhas e relações que nos definem.

UM DOS MELHORES LIVROS DO ANO 2017: Barnes & Noble * Book Riot * Boston Globe * Chicago Review of Books * Elle * Huffington Post * Kirkus Reviews * Library Journal * Los Angeles Times * New York Times * Paris Review * Publishers Weekly * Washington Post * Esquire

«Uma peça de ficção do outro mundo, coberta de lantejoulas e escamas…»
New York Times

«Machado usa uma lente vívida e original para mostrar a luta das mulheres por um lugar. Surpreendente!»
The New Yorker

«Um talento extraordinário que capta uma verdade vital mas até agora pouco falada sobre as mulheres.»
Los Angeles Times

«Nestas páginas, carregadas de um feminismo musculado, o corpo da mulher está envolto em sexo, poder, prazer e dor. Machado cria uma alquimia feroz.»
The Boston Globe

«Brilhante e inquietante… Machado está ao nível de Shirley Jackson e Margaret Atwood, e emprega todos os seus incríveis talentos para construir estas histórias sobre o tecido de que é feita a vida das mulheres.»
Financial Times

«A fibra de Machado brilha nestas histórias que nunca são o que parecem e se revelam muito difíceis de esquecer.»
Independent

«Simultaneamente excitantes e assustadoras, estas histórias abalam e encantam.»
Chicago Tribune

«Machado esquece os tabus e trata a sexualidade das mulheres com lirismo e franqueza… Estas histórias são profundamente feministas, mas não de forma dogmática, revelando os momentos em que começamos a temer os nossos desejos e a desejar o que mais tememos.»
Slate

«Nestas páginas está uma belíssima reflexão sobre o mundo em que vivemos, mas nelas tudo é um pouco mais sombrio, um pouco mais estranho, um pouco mais violento, e um pouco mais mágico do que aquilo a que estamos habituados.»
Nylon

«Uma jóia literária e um manual de escrita num só livro. É um livro sem medo, que não será esquecido.»
Los Angeles Review of Books

«Machado escreve com fúria e subtileza. Um primeiro livro excepcional, original e comovente.»
Kirkus Reviews

«Machado cria mundos assustadores e diferentes, que espelham o nosso mundo, conseguindo com isso desafiar e comover o leitor.»
Publishers Weekly

«A escrita é lírica, a narração é directa e refrescante, e o sexo abunda. Um livro que nos leva a repensar as escolhas e relações da nossa vida.»
Booklist

«Uma nova voz literária, altamente recomendada.»
Library Journal

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Corpos que escrevem

Escrever sobre o corpo é entrar num território movediço. O corpo é linguagem antes da linguagem: dor, desejo, vergonha, memória, tudo isto pulsa como uma gramática anterior às palavras. A literatura que se escreve a partir do corpo, e, sobretudo, do corpo que foi violentado, atravessado, transformado, não é apenas uma literatura do testemunho. É literatura que resiste, que reinventa a forma, que desconstrói o olhar. O corpo torna-se texto e testemunho: veículo de denúncia, de desejo e de transformação. Aqui estão quatro livros que pensam o corpo como campo de batalha e reinvenção.
Cada um à sua maneira (entre o fantástico e o autobiográfico, entre o manifesto e o romance intimista) evidencia como a escrita pode dar voz ao corpo e reclamar narrativas para aquilo que antes era calado ou marginalizado. O Corpo Dela e Outras Partes, de Carmen Maria Machado Carmen Maria Machado, na coletânea O Corpo Dela e Outras Partes, faz do corpo feminino o eixo de uma prosa que é ao mesmo tempo sombria, erótica e estranhamente luminosa. Ao longo de oito contos, a autora expõe tiranias sobre o corpo da mulher como fio condutor de histórias macabras e metafóricas. Sob uma escrita afiada, Machado mistura elementos de horror, fantasia e cultura pop para dissecar as pressões e violências sofridas pelas mulheres. Não por acaso, os seus cenários vão de vírus apocalípticos a reality shows sobrenaturais, refletindo cenários inusitados onde o fantástico amplia verdades cruas sobre género e poder.
Neste livro de contos, o corpo feminino é centro e enigma. Carmen Maria Machado escreve com um estilo que mistura horror gótico, realismo mágico, crítica social e erotismo, sempre com uma tensão latente entre o visível e o que se quer ocultar. O corpo aparece como arquivo: dos abusos, dos desejos, das expectativas sociais, mas também como máquina de invenção. Há um conto em que uma mulher começa a perder partes do corpo, uma a uma. Há outro em que uma epidemia se espalha pelo toque. A violência é tantas vezes estrutural que se torna quase invisível. Machado devolve-lhe contorno, linguagem, ritmo. Em vez de personagens, temos corpos cortados, desaparecidos, desejantes, mutantes, que nos devolvem uma realidade filtrada pelo absurdo. O corpo, em Machado, é sempre excesso: de linguagem, de medo, de desejo.
Um dos contos mais emblemáticos, O Ponto do Marido, reinventa uma fábula urbana para abordar a autonomia corporal e a violência de género. Nele, a protagonista usa permanentemente uma fita verde atada ao pescoço e adverte: ninguém deve tocá-la, nem mesmo o marido. Essa pequena proibição desencadeia a obsessão e a ira masculinas: «Porque é que queres esconder isso de mim?», confronta o marido, ao que ela responde: «Não estou a esconder nada. Só que não é teu». A fita torna-se símbolo do limite inviolável do eu, um lembrete de que nem mesmo dentro do casamento o corpo deixa de ser território próprio. O desfecho trágico do conto, com a violação desse limite que leva a consequências funestas, evidencia de forma visceral o custo da dominação masculina sobre o corpo feminino.
Esta é uma literatura de contornos góticos e feministas, que transforma dores íntimas em alegorias universais. COMPRO NA WOOK! » Consentimento, de Vanessa Springora Num gesto de reposição simbólica, Vanessa Springora escreve contra a narrativa que outros escreveram sobre o seu corpo. Aos 14 anos, foi manipulada e abusada por um escritor consagrado, protegido por uma cultura literária que romantizava a pedofilia sob o pretexto da liberdade artística. Este livro não é apenas um testemunho, é uma reconfiguração da linguagem: de vítima silenciosa a autora da própria história. A escrita de Consentimento é seca, precisa, dolorosamente lúcida. A grande violência, aqui, é também narrativa: quem conta a história controla o corpo do outro. Springora recusa esse controlo. Escreve. Reivindica. Desfaz a gramática do abuso.
Aqui, o corpo é o lugar da violação e da disputa narrativa. O livro de Springora é mais do que uma autobiografia: é um gesto político. Ela recupera, com precisão e contenção, a história da sua relação, ou melhor, do abuso, com um escritor francês influente, quando ainda era menor. A força deste livro está em mostrar como a violência não é apenas física, mas simbólica, linguística, social. O predador escreve antes da vítima, define os termos, conquista a empatia pública. Springora escreve para desfazer essa lógica: devolve o corpo à sua própria história. E com isso, abre espaço para outras vozes silenciadas. COMPRO NA WOOK! » De Quatro, de Miranda Jully No romance De Quatro, Miranda July faz da meia-idade feminina o palco de uma narrativa corajosa sobre desejo, transformação e cuidado. Com graça e ausência de pudor, July insere a menopausa, e a fase turbulenta que a antecede, a perimenopausa, como questão central, mostrando que este período pode ser uma experiência eroticamente rica. A protagonista, uma mulher de 45 anos, vê-se à beira de uma metamorfose identitária: quem é ela, agora que o seu corpo começa a mudar e os papéis de mulher e mãe já não a definem por completo?
Decidida a reivindicar liberdade, ela elabora um plano audacioso de atravessar os Estados Unidos de carro, sozinha: um gesto de independência para provar (a si e ao marido) que ainda conduz a própria vida.
Curiosamente, esta jornada física descarrila logo ao início: a poucos quilómetros de casa, ela estaciona num motel modesto e fica ali durante dias, performando uma fuga simbólica sem realmente se distanciar de casa. Esta escolha inusitada – redecorar luxuosamente um quarto qualquer, tão perto da rotina com que ela tentava romper – já sinaliza que a verdadeira viagem será interior. De Quatro reinventa, desta forma, o velho “romance de formação”: em vez de uma jovem a descobrir o mundo, acompanhamos uma mulher madura a redescobrir em quem ainda se pode tornar. E a reinvenção não segue caminhos óbvios. Pelo contrário, a maternidade permanece uma âncora terna, e o próprio casamento é tratado com nuance (afinal, como ela admite, «o divórcio... é uma ideia tão conservadora quanto o casamento»). Assim, longe de simplificações, July explora a tensão entre desejo individual e laços afetivos, entre a vontade de mudança e o conforto (ou prisão) das estruturas familiares.
O corpo em transição é o grande protagonista do romance. July aborda a perimenopausa com franqueza e humor. A protagonista sente no corpo os solavancos hormonais: ondas de calor, flutuações de humor, a ameaça da libido em declínio. Até que um encontro fortuito adiciona combustível ao seu renascimento: ela conhece um homem mais jovem, um dançarino amador, e uma atração fulminante irrompe entre dois. Curiosamente, por imposição dele (também casado), eles estabelecem limites estritos: nada de beijos ou sexo convencional, apenas abraços e toques. Esta contenção parece intensificar, em vez de diminuir, a chama que nela desperta. A narradora experimenta «o prazer furioso de desejar um corpo real e específico» pela primeira vez em muito tempo. Ela teme, por um lado, que este seja o seu “último suspiro” de volúpia antes que a menopausa chegue de vez e apague o seu fogo. Por outro lado, justamente quando se permite sentir esse desejo (mesmo sem o consumar totalmente), ela tem acesso a uma nova vitalidade. De Quatro trata o estímulo sexual como combustível, capaz de catalisar transformações. O corpo, antes fonte de insegurança e envelhecimento, revela-se também fonte de conhecimento e poder criativo.
As memórias intercaladas do livro ampliam o romance para além da experiência individual: revelam como a sociedade historicamente empurrou mulheres maduras para o silêncio ou desesperança, por incapacidade de imaginá-las desejantes e plenas. De Quatro recusa essa invisibilidade: pelo contrário, faz da menopausa um tema literário incontornável e prova que há vida após os 45. Com linguagem ágil, sarcástica e ternamente estranha (marca registada de July), o romance normaliza os tabus do corpo maduro ao mesmo tempo que desafia o leitor com situações inusitadas.
O livro celebra a liberdade feminina de se reinventar mesmo quando o mundo espera resignação; celebra a sexualidade que persiste (e até floresce) na perimenopausa; e aborda com honestidade o cuidado, de si e dos outros, necessário para atravessar as metamorfoses da meia-idade. COMPRO NA WOOK! » Eu Sou O Monstro Que Vos Fala, de Paul B. Preciado Este texto, inicialmente concebido como conferência para o colégio de psicanálise fundado por Lacan, é uma verdadeira performance filosófico-política. Faz sentido, por isso, propor a leitura no formato audiolivro – que pode ouvir em espanhol, na língua original em que o texto foi escrito.
Preciado recusa o lugar de paciente e assume o microfone como “monstro” pós-foucaultiano, trans, queer, dissidente. O corpo, para Preciado, é território de construção política, biotecnológica, farmacológica. Mas também é linguagem que explode as normas, que ridiculariza as autoridades, que inventa novos modos de estar. A escrita aqui é um grito lúcido, entre a filosofia e o manifesto, o testemunho e a ironia. «Sou o vosso futuro», escreve. «E estou a falar convosco».
Assume a voz do “monstro”, aquele que escapa às categorias do saber, para falar da transição de género, da medicalização dos corpos, das tecnologias de poder que moldam a identidade. Ao reivindicar a posição de “monstruoso igual”, Preciado desmonta a autoridade daqueles que rotulam e convida a uma nova epistemologia do corpo: uma em que a transição, a fluidez e o híbrido deixem de ser temidos como anomalia e passem a ser entendidos como parte legítima e luminosa da experiência humana. COMPRO NA WOOK! »

O Corpo Dela e Outras Partes

by Carmen Maria Machado

Property Description
ISBN: 9789896655976
Publisher: Alfaguara Portugal
Release Date: July of 2018
Language: Portuguese
Dimensions: 151 x 236 x 18 mm
Cover: Softcover
Pages: 288
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789896655976

Contos sobre mulheres livres

David Pimenta

Esta é uma colectânea de contos para leitores que apreciam um enredo cru. "O Corpo Dela e Outras Partes" é um universo rico em mulheres livres. Existe homossexualidade, desejo, sexo e amor-próprio sem qualquer tipo de culpa. São mulheres fortes que traçam o seu próprio caminho, seja para o bem ou para o mal. E a escritora coloca o leitor debaixo da tempestade e bonança de cada uma das suas personagens para existir a reflexão em cada conto. O que incomoda (ou pode apaixonar) ao longo da leitura é a sensação, no final de alguns contos, de haver mais por dizer. De não explorar alguns temas ou não conseguir condensar, efetivamente, uma história num só conto. Recomendado para quem gosta de temáticas feministas e quer iniciar-se (ou já começou) num novo género literário.

Premiada internacionalmente - ficção especulativa

acrisalves

Nomeada para vários prémios, entre os quais um Nebula (e na semana passada, um World Fantasy Award), Carmen Maria Machado possui contos publicados em várias revistas de ficção especulativa e uma colectânea. E eis algo que nunca pensei ver publicado em Portugal – a colectânea, de nome O corpo dela e outras partes. Trata-se de um conjunto de histórias com elementos de ficção especulativa (desde horror a ficção científica e fantástico), mas o que surpreende é a forma como entrelaça a sexualidade das suas personagens. Encontramos heterossexuais, homossexuais ou bissexuais em semelhante proporção, em contextos quase banais, sendo que o que distingue do banal se deve aos elementos fantásticos. Se, na primeira história acompanhamos a dinâmica de poder num casal quase tradicional transformada em tema de horror, em várias das outras histórias as mulheres expressam a sua sexualidade com um desprendimento libertador, sem tabus ou preocupações de julgamento social, algo que me pareceu tão natural que só após a leitura me apercebi desta componente. Tratam-se de histórias muito focadas no ponto de vista da personagem narradora, que, em quase todas é feminina, destacando-se a forma fluída como o faz. A sucessão de episódios assemelha-se ao fluxo de pensamentos (numa pessoa lúcida), com pequenos saltos narrativos e intercepção de outros episódios, mas nada que seja em excesso e que dificulte a leitura. Noutros contos a apresentação de cada parágrafo é antecida por uma palavra chave, elemento que marca a percepção do sentimento de cada parte. Encontramos elementos de ficção especulativa para todos os gostos: desde apocalipses em que a espécie humana é dizimada por uma doença mortal de rápida e silenciosa propagação, a elementos fantásticos num conto de terror, a histórias de crime com componentes sobrenaturais que, em simultâneo, exploram relacionamentos, amores e desamores.

ABOUT THE AUTHOR

Carmen Maria Machado

Carmen Maria Machado é uma escritora norte-americana. Os seus ensaios, contos e outros textos têm sido publicados em jornais e revistas como The New Yorker, New York Times, Granta, TinHouse, VQR, McSweeney’sQuarterlyConcern, The Believer, Guernica, entre outros. É Mestre pela prestigiada Iowa Writers’ Workshop. É escritora residente da Universidade da Pensilvânia, e vive em Filadélfia com a mulher.

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