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Cartas a Sandra

by Vergílio Ferreira
Publisher: Quetzal Editores, September of 2010 ‧
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Cartas a Sandra, a simbiose entre o privado e o filosófico Cartas a Sandra é uma obra póstuma de Vergílio Ferreira, que morreu dias antes da sua publicação. Consiste numa longa carta de amor composta por 10 missivas de Paulo para Sandra.

«Em tanto lugar eu poderia lembrar-te. Mas volto sempre ao começo da irradiação de ti. Há assim um pacto obscuro entre tudo o que foste até à morte e a eternidade da tua juventude. Porque é lá que tu moras, no incorruptível, no intocável do teu ser, na perfeição que um deus achou enfim perfeita quando te entregou à vida para existires por ti. Mas como seres jovem e eu conhecer-te, fora da cidade do Sol? da colina desdobrada à sua luz? do espaço de um acorde de guitarra a toda a volta no ar? É bom poder dizer-te quanto te lembro aí.»

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Livros que os adolescentes ainda não descobriram que são bons

Quando descobrirem, vai ser um pé de vento para lhos arrancar das mãos. Para evitar conflitos, talvez o melhor seja mesmo deixá-los em paz a brincar com as folhas. Nós contra os outros Aqui entre nós, talvez não o tenham descoberto porque chegou há pouco a Portugal, mas Backman calha sempre bem para qualquer leitor, em especial o que quer descansar a cabeça. Em Björnstad, mora gente forte e trabalhadora. Como sabem o que é a vida, não esperam justiça. Vai daí e a vida real vai acontecendo também. Passa-se qualquer coisa que quase dá cabo da cidade e, a seguir, tragédia das tragédias, a equipa de hóquei está prestes a deixar de existir. Ainda por cima, os antigos jogadores tinham-se mudado para a equipa rival. Isto seria equivalente a perdermos o Futebol Clube de Vizela enquanto reforçávamos o Arouca. Facada em cima de facada. A rivalidade aumenta, um político manobra os bastidores, chega um forasteiro para treinar o renovado clube. Como isto mete bola, apesar de também meter bastões, a violência começa a subir em catadupa. É a vida no que de mais banal tem, e que o entusiasma mais do que a verdade que há em todos os dias. Em suma, é divertido. QUERO LER!








  A estrela da manhã Qualquer hora da vida é boa para ler Knausgård, desde que se prepare o palato. Depois da série autobiográfica A Minha Luta, que raio podia vir daquelas mãos? Veio este livro, que tantas características já conhecidas traz: a prosa palavrosa, o mergulho num pensamento que foge por ali fora, personagens que se sentam com os leitores à mesa. Abrir o livro passa, então, por, em pleno agosto, sentarmo-nos com Arne e Tove, que estão com os filhos na casa de verão. Bastam duas ou três páginas e já estamos ali com eles: o detalhe é tanto que não há como julgar que aquilo é inventado, que há distância entre quem lê e é descrito. E lê-lo passa também por ouvir a voz de Egil, que mora ali perto. Ou mesmo em entrar no avião com Kathrine, uma pastora religiosa preocupada com o próprio casamento. E por aí fora. O conjunto de personagens é formidável. Knausgård, já se sabe, também é. QUERO LER!

  Cartas a Sandra Provavelmente, os adolescentes já o souberam, mas entretanto esqueceram-se: Vergílio Ferreira é do caraças. Muitas horas, ali pelos 15 anos, passámos os dois no meu quarto: ele em formato papel, eu em formato alegria de quem o descobre como quem cai pela primeira vez. O livro, que ficou inacabado devido à morte do autor (e logo no momento em que Vergílio Ferreira queria esgotar a personagem), é das mais belas páginas do género epistolar que já me passaram pelas mãos – e eu até uma carta do Pai Natal já recebi. Ainda por cima, o romance dialoga com outros do autor, abrindo com uma apresentação de Alexandra, filha de Paulo e Sandra, de Para Sempre. Com um lirismo que sabe a x-acto, fica, por parte da voz ativa, o desejo de comunicação quando já não é possível ter resposta. Lê-lo implica querer ouvir, e querer assumir a lentidão como força bruta em vez da ação rápida do quotidiano. QUERO LER! História essencial do mundo Wells não é só invasões de extraterrestres à Terra, prontos para nos limparem o sebo a todos, embora isso seja, claro, a maravilha que se sabe. Mas o homem, que até máquinas do tempo inventou, é muito mais do que isso. Aqui, aliás, também inventa uma, mas em sentido menos metafórico. Em vez do voo pleno da hipótese testada num romance, levada até às últimas consequências, temos um olhar sobre a vida como existiu. Neste livro, Wells volta-se para trás, oferecendo ao leitor uma síntese do que se passou com o mundo em geral desde a Antiguidade até ao século XX. Foi publicado em 1922, por isso não se conte com os feitos de Ronaldo – aliás, esses nem cabem num livro. Mas conte-se, isso sim, com um olhar abrangente que, por ter tanta coisa dentro, parecerá pôr cola nas mãos dos leitores que lhe peguem. QUERO LER!

Cartas a Sandra

by Vergílio Ferreira

Property Description
ISBN: 9789725648971
Publisher: Quetzal Editores
Release Date: September of 2010
Language: Portuguese
Dimensions: 151 x 232 x 5 mm
Cover: Softcover
Format: Book
Collection: Obras de Vergílio Ferreira
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789725648971

A sequela que precisávamos

Inês

Esta pequena narrativa completamentar a um dos melhores livros portugueses, é o fim que precisávamos à paixão de Sandra e de Paulo.

ABOUT THE AUTHOR

Vergílio Ferreira

Vergílio Ferreira nasceu em 1916, em Melo (Gouveia), e morreu em 1996 em Lisboa. Estudou no Seminário do Fundão, licenciou-se em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra e foi professor do ensino secundário. É um dos maiores romancistas e ensaístas portugueses do século XX. É o autor de romances tão celebrados como Manhã Submersa (1954) e Aparição (1959), com preocupações de natureza metafísica e existencial. A sua prosa, que entronca na tradição queirosiana, é uma das mais inovadoras da literatura portuguesa. Temas como a morte, o mistério, o amor, o sentido do universo, o vazio de valores ou a natureza da arte são recorrentes na sua produção literária, tanto de ficção como de ensaio. Das suas últimas obras destacam-se Para Sempre (1983), Até ao Fim (1997) e Na Tua Face (1993). Recebeu o Prémio Camões em 1992.

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