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Beckett

by Alberto Pereira
Publisher: The Poets and Dragons Society, May of 2026 ‧
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Beckett é um romance de confrontação. Não com o mundo exterior, mas com as estruturas invisíveis que o sustentam: o corpo, a fé, a ideia de culpa, a necessidade de sentido. A partir de uma figura central - um homem habituado a observar, classificar e compreender - o livro constrói uma cartografia moral onde a lucidez se revela instável e a certeza, um território em permanente colapso.

Entre a universidade, o hospital, a prisão e o espaço íntimo da consciência, o romance atravessa instituições, crenças e discursos com uma escrita rigorosa, por vezes ensaística, por vezes profundamente poética, sempre atenta à matéria humana quando esta deixa de ser abstrata e se torna carne, ruptura, dor, dese­jo e limite. Nada é ornamental: cada episódio, cada voz, cada desvio serve a construção de uma reflexão exigente sobre o humano quando já não pode refugiar-se em absolvições fáceis.

Com uma linguagem tensa e deliberadamente contida, Beckett recusa o conforto da moralização e a facilidade do julgamento. O que propõe é mais inquietante: pensar o erro não como acidente, mas como condição do humano; a fé não como resposta, mas como problema; o corpo não como veículo, mas como lugar onde tudo se inscreve.

Um romance sério, perturbador e necessário, que coloca o leitor diante de uma pergunta essencial: até onde pode ir a lucidez sem se tornar um risco?

Beckett

by Alberto Pereira

Property Description
ISBN: 9789899265639
Publisher: The Poets and Dragons Society
Release Date: May of 2026
Language: Portuguese
Dimensions: 114 x 197 x 14 mm
Cover: Softcover
Pages: 240
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789899265639

Uma visão dialética de Beckett, de Alberto Pereira

Pedro J.R. Costa

“Só há 2 maneiras de provocar o mundo: matando Deus ou sendo louco”, assim começa. Não sei bem que aconteceu com Alberto Pereira, nem a sua intenção com neste balaústre da literatura moderna. Nem sei bem que estilo de literatura aqui temos, mas que sei eu sobre esta matéria?! O autor referiu no evento do seu lançamento (estive lá) que é “inequivocamente” um romance… não sei! Tem um enredo, tem crime, tem sexo (muito e quase explicito) e drama, isso está lá tudo. Mas de uma forma estranhamente viciante que, mesmo no meio de um mundo de metáforas poéticas e quase indecifráveis, vês-te obrigado a virar a página. Numa primeira consideração, Beckett impõe-se como romance de gravidade interior, fundado na convicção de que a consciência humana, quando verdadeiramente chamada a responder por si, não pode refugiar-se nem na aparência da ordem nem na facilidade das certezas. A figura central da narrativa move-se num horizonte em que observar, discernir e nomear parecem ainda constituir instrumentos de domínio sobre o real; contudo, o que a obra vai revelando é precisamente a insuficiência dessa segurança inicial. O corpo, a culpa, a fé e a exigência de sentido surgem, assim, não como temas isolados, mas como planos de uma mesma interrogação, perante a qual a inteligência deixa de ser simples claridade para se tornar também prova e encargo. Mas se esta primeira linha de leitura parece conceder à razão um lugar de nobreza, o romance depressa introduz a sua necessária contestação. Os espaços que atravessa — a universidade, o hospital, a prisão e a região mais reservada da consciência — não confirmam uma ordem estável: antes mostram que toda a estrutura humana, por mais sólida que se apresente, transporta em si mesma fissura, limite e sombra. Deste modo, a obra desfaz qualquer confiança ingénua na lucidez, sugerindo que ver mais claramente nem sempre significa possuir mais domínio. Deixando antever que a verdadeira sabedoria pode antes significar mergulhar profundamente até que uma dimensão mais assustadora da verdade se revelará. O romance não escolhe entre a luz do entendimento e a obscuridade do enigma; prefere, com maior elevação, colocá-las em confronto até que ambas se revelem incompletas quando isoladas. Daqui nasce uma síntese exigente: a de uma lucidez humilde, capaz de reconhecer o limite sem abdicar da procura, e de uma escrita que transforma a inquietação em forma de conhecimento. Alberto Pereira oferece, assim, não uma narrativa de apaziguamento, mas uma obra de depuração interior, que solicita ao leitor demora, disciplina interpretativa e disponibilidade para o que não se resolve de imediato. Por isso mesmo, este é um romance de singular nobreza crítica, cuja força reside em converter a dúvida não em fraqueza, mas em princípio de aprofundamento do humano.

Extremamente Original

M Vieira

Uma história que evidencia a grande criatividade do autor, e também uma bela maneira de construir e desconstruir o enredo e as personagens, algo como um objeto de muitas faces que vai ganhando novas dimensões e formas ao passo que caminhamos ao seu redor

Romance intenso e hipnótico

Ricardo Soeiro

"Beckett", de Alberto Pereira, é um romance sobre um professor universitário de antropologia que partilha o nome do dramaturgo irlandês. Mas não é isso. "Beckett" é um romance sobre um homem de sessenta anos, excêntrico e metódico nos gestos, que se move entre o ensino, a memória e a deterioração mental progressiva. Mas não é isso. Ou, sobretudo, não é apenas isso. É mais, é muito mais. Oscilando entre o realismo cru e o absurdo beckettiano, com passagens de lirismo denso e uma estrutura fragmentada em capítulos breves, o livro explora a loucura como forma de resistência, a arte como heresia e o amor como cicatriz que não fecha. Mas também aqui ficaríamos muito aquém daquilo que este romance tem para nos transmitir e para nos desassossegar. Há livros (um infindável rol de livros) que contam histórias; este livro, contando uma história (ou antes, contando muitas histórias) prefere auscultar a febre do mundo.

ABOUT THE AUTHOR

Alberto Pereira

Alberto Pereira, escritor português. Nasceu em Lisboa. Licenciado em Enfermagem. Pós-graduado na área Forense. Diplomado em Hipnose Clínica.
Membro do PEN Clube Português.
Publicou os livros: O áspero hálito do amanhã (2008); Amanhecem nas rugas precipícios (2011); Poemas com Alzheimer (2013); O Deus que matava poemas (2015); Biografia das primeiras coisas (2016); Viagem à demência dos pássaros (2017); Bairro de Lata (2017); Como num naufrágio interior morremos (2019) e Neve interior (2021).
Participou em coletâneas de contos e poesia. Alguns dos seus poemas foram traduzidos para espanhol, francês e inglês. Foi distinguido com vários prémios dos quais se destacam: 1º Prémio no Concurso Literário Conto por Conto (2011); 1º Prémio no Concurso de Poesia Agostinho Gomes (2013); 1º Prémio no Concurso Literário Manuel António Pina – Museu Nacional da Imprensa (2013) e Menção Honrosa (2014, 2015, 2017, 2018, 2020); Menção Honrosa no Prémio Internacional de Poesia Glória de Sant'Anna (2018 e 2020), respetivamente com os livros, Viagem à demência dos pássaros e Como num naufrágio interior morremos; Menção Honrosa no Prémio Internacional de Poesia Natália Correia (2021) com o livro Ecocardiodrama |Inédito|. Finalista do 21º Concurso de Contos Paulo Leminski – Paraná, Brasil (2010) e do Prémio Internacional de Poesia António Salvado (2021) com a obra Mulheres legendadas de Alzheimer |Inédito|.

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