Anna Karénina
SYNOPSIS
Casada com um importante ministro, o destino de Anna Karénina – uma das mais amadas e inesquecíveis heroínas da literatura – muda quando se apaixona por um elegante oficial do exército. Desafiando todas as convenções da sociedade russa do século XIX, Anna deixa o marido e o filho para poder viver com o conde Vrônski a paixão que os une. Porém, a reação negativa dos seus pares, as saudades da criança que deixou para trás e os ciúmes que lhe assombram os dias acabam por consumi-la, levando-a a escolher para si o mais trágico dos finais.
Por entre paixões, votos traídos, rejeições, dramas conjugais, explosões românticas, traições e ideais que se desfazem, um sem-número de personagens enriquece este espelho de uma sociedade que Tolstói soube representar com grande mestria, escrevendo um romance que hoje faz parte do cânone da literatura universal.
Com Anna Karénina, a Porto Editora dá início à coleção que recupera as traduções literárias feitas por José Saramago, entre os anos cinquenta e os anos oitenta do século passado, ainda antes do seu verdadeiro reconhecimento enquanto escritor.
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O poder da primeira frase
A primeira frase — ou o primeiro parágrafo — de um livro carrega um peso decisivo. Os escritores sabem que pode ser a diferença entre conquistar um leitor ou ver o seu livro posto de lado. Essas primeiras palavras definem o tom, expõem o tema e podem apresentar a personagem principal. Há aberturas de livros tão marcantes que se tornaram parte da memória coletiva de várias gerações. Será que as conhece?
A Cegueira do Rio, de Mia Couto
«Apoiado no sipaio Nataniel Jalasi, o sargento português Bruno Estrela arrastou-se pela margem lodosa do rio Rovuma. Custava-lhe caminhar. Trazia um continente agarrado aos pés. Para os europeus, o Rovuma era uma fronteira separando a «África Oriental Portuguesa» da «África Oriental Alemã». Para os africanos, o rio era uma mulher que engravidava com as grandes chuvas. A verdade era esta: ambas as margens eram habitadas por gente que, todas as noites, rezava aos mesmos deuses. O rio escutava as preces e voltava a ser nuvem.»
Num único parágrafo, Mia Couto não só traça o cenário da história, como nos coloca no despontar da ação que desencadeará uma narrativa tocante baseada num acontecimento real do passado colonial português. As causas ficam já aqui descritas: a ocupação do território africano por países europeus; as diferentes interpretações da vida e da Natureza, intimamente ligadas à ideia ora de domínio, ora de comunhão – complexidade de um lado, simplicidade do outro. E o confronto de tudo isto.
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Memorial do Convento, de José Saramago
«D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa e até hoje ainda não emprenhou.»
Saramago conta que, para escrever O Memorial do Convento, viveu, durante muitos meses, no fim do século XVII e no século XVIII» e precisou «de ler e quase de falar como então se falava», além de «decifrar documentos da época». Aliandao esse estudo prévio ao brilhantismo da sua escrita, logo na primeira frase do livro, o escritor consegue transportar-nos não só para a realidade daquele passado distante, como também para a intimidade de dois dos protagonistas da história que vai contar, criando no leitor uma expectativa, e um fervilhante interesse, sobre o que irá acontecer.
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Anna Karénina, de Lev Tolstói
«As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são-no cada uma à sua maneira.»
Na época do lançamento deste famoso romance de Tolstói, uma jovem geração de liberais russos atacava os valores familiares tradicionais. Anna Karénina foi a resposta de Tolstói a esse ataque, criando desde logo, na frase de abertura, uma moldura para toda a história. Poderemos pensar que há algo de contraditório na frase, já que nenhuma família é feliz em Anna Karénina. Mas a dicotomia da afirmação é tentadora: queremos ser felizes ou, apenas, iguais a todos os outros?
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O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway
«Era um velho que pescava sozinho num esquife na Corrente do Golfo e saíra havia já por oitenta e quatro dias sem apanhar um peixe».
Hemingway apresenta-nos o protagonista, Santiago, e a sua situação difícil, ao mesmo tempo que antecipa o conflito central da história. Neste início simples, conseguimos vislumbrar a solidão do pescador e a sua má sorte, mas também a sua perserverança. Uma combinação de simplicidade e profundidade que é marca de Hemingway.
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A metamorfose, de Franz Kafka
«Quando uma manhã Gregor Samsa acordou de sonhos inquietos, viu-se na sua cama transformado num monstruoso inseto. Estava deitado de costas, rijas como uma couraça, e, cada vez que levantava um pouco a cabeça, via a barriga castanha, abaulada e dividida por escoras em forma de anéis, no cimo da qual a coberta, prestes a resvalar por completo, mal se aguentava. As suas muitas patas, lastimavelmente delgadas em comparação com o resto do corpo, tremulavam, desamparadas, diante dos olhos.»
Esta é, sem dúvida, uma das aberturas mais marcantes da literatura. Quase que conseguimos sentir-nos na pele – ou na carapaça – de Gregor Samsa, tão meticulosa e gráfica é a descrição que Franz Kafka dá aos leitores da situação insólita que o protagonista vive. É difícil imaginar uma experiência mais horripilante do que esta: de repente, está-se preso no corpo de um inseto. Não adiante beliscar-se, até porque deixou de ter mãos; sem perceber como, é-se um inseto!... E agora?
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A primeira frase é o aperto de mão do livro. E há apertos que simplesmente não se esquecem.
Nestes livros e filmes as mulheres estão à frente da história
Quantas vezes ouvimos dizer que o livro é melhor do que o filme? Não nos opomos à generalização. Há, porém, casos em que é difícil afirmá-lo com toda a certeza. As adaptações destes livros ao cinema não produziram produtos culturais menos ricos. E, curiosamente, é a voz delas que marca o tom.
Anna Karénina, de Lev Tolstói
E um dos grandes romances da literatura russa, publicado entre 1875 e 1877 e narra a trágica história de Anna, uma aristocrata que abandona o casamento e o filho para viver uma tórrida e proibida paixão com o conde Vronsky. Mas a ilusão termina rapidamente, pois a sociedade russa do século XIX não perdoa a transgressão. A nossa protagonista mergulha num ciclo de culpa, ciúme e desespero que não levarão a bom porto. Paralelamente, o romance apresenta a trajetória de Konstantin Liévin, que procura sentido na vida através do trabalho, da fé e do amor. Neste que é um dos romances incontornáveis de Tolstói, o autor constrói um retrato profundo da moral, da hipocrisia social e dos dilemas humanos.
No cinema, Anna foi vivida em 2012, de forma magistral, por Keira Knightley, num filme de Joe Wright que propõe uma visão muito teatral do romance de Tolstói.
QUERO LER!»
Veja aqui o trailer de Anna Karénina
Lolita, de Vladimir Nabokov
Em Lolita, embora seja pela voz de Humbert que conhecemos os factos, é o silêncio da adolescente que fala mais alto, que nos impressiona. Não é uma história de amor, é uma história de uma obsessão criminosa de um homem adulto por uma adolescente. Não há nada de belo na forma como Humbert cobiça Lolita, mas é-nos difícil desligar das palavras do professor, por serem omnipresentes, por ser dele a fala no livro de Nabokov. A menos que nos centremos no silêncio de Dolores Haze, nas suas estratégias de sobrevivência à agressão a que é sujeita constantemente durante aqueles anos. Quando chora noites a fio, após perceber que a sua mãe morreu, é impossível não nos apercebermos de que a história contada é só sobre a violência e sobre mais nada.
Stanley Kubrick foi quem primeiro adaptou o livro ao cinema, mas a versão de Adrian Lyne, com Jeremy Irons e Dominique Swain, não lhe fica nada atrás:
QUERO LER!»
Veja aqui o trailer de Lolita
As Horas, de Michael Cunningham
A história atravessa três gerações de mulheres, ao longo do séc. XX, entrando em dimensões distintas das suas vivências, mas abordando, contudo, problemáticas comuns. De uma Virginia Woolf a braços com a sua depressão e com a tensão crescente, passamos para Laura Brown, uma esposa dedicada, grávida do segundo filho, que se quer libertar de uma prisão muito singular. Por fim, Clarissa, que vive na Nova Iorque na viragem do milénio, e que, embora muito mais livre do que as suas antecessoras, vive na procura por uma ordem, saudosista da sua juventude. Esta personagem, inspirada em Mrs. Dalloway, abarca as grandes problemáticas não apenas da obra de Woolf, mas é de uma humanidade tal que nos toca em algum ponto, independentemente do nosso contexto ou género.
No cinema, Stephen Darly produziu uma obra de arte de dimensão inquestionável, para a qual Nicole Kidman, Meryl Streep, Julianne Moore contribuíram muito, com atuações sublimes:
QUERO LER!»
Veja aqui o As Horas
Still Alice, de Lisa Genova
Um dos maiores desempenhos de uma atriz no cinema teve origem num livro que passou despercebido, até que fosse adaptado ao cinema. Mas a verdade é que vale a pena ler, pois apresenta a narrativa que conhecemos do grande ecrã com uma profundidade ainda maior. Nela, uma conceituada professora universitária recebe um diagnóstico raro e devastador. Já se apercebera de alguns sinais, curtas falhas de memória, estados confusos, mas ao saber que tem uma forma precoce de Alzheimer, Alice descrê da possibilidade de vir a desenvolver a forma mais brusca da doença. De um estado de negação, a personagem tem ainda tempo, antes de um total alheamento de si própria, de revelar uma força imensurável, uma determinação sem par. Daqueles que lemos, e vemos, de olhos rasos de lágrimas.
Julianne Moore venceu finalmente o Óscar nesta adaptação de Richard Glatzer e Wash Westmoreland:
QUERO LER!»
Veja aqui o Still Alice.
DETAILS
| Property | Description |
|---|---|
| ISBN: | 978-972-0-03691-9 |
| Publisher: | Porto Editora |
| Release Date: | November of 2023 |
| Language: | Portuguese |
| Dimensions: | 152 x 235 x 46 mm |
| Cover: | Softcover |
| Pages: | 936 |
| Format: | Book |
| Collection: | Escrever é Traduzir |
| Categories: |
Books in Portuguese
>
Fiction
>
Romance
|
| EAN: | 978972003691910 |
| Recommended Minimum Age: | Not applicable |
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