EXCERPTS
"(…) ao nível da moral, da «moral aceitável» (a expressão é de Nemésio), o que é que cabe em arte, o que é que dela deve ser excluído? Só entra nela a «porção luminosa», e não a «porção lamacenta do homem»? Não nos iludamos: não há outros limites para a criação artística senão os que a própria arte impõe. Caso contrário, teríamos de aceitar para os poetas — e para os criadores em geral — aquela situação em que se viram colocados, entre nós, os velhos cronistas medievais e alguns historiadores do Renascimento, os quais, para continuarem a usufruir dos favores e benesses dos senhores a quem serviam e cujos feitos lhes cumpria relatar, tinham de calar — ad majorem Dei gloriam e dos próprios, interessados na imortalização e no legado, como herança, de um nome (supostamente) impoluto —, tinham de calar, dizíamos, a verdade dos factos, ocultando, não «as partes vergonhosas do poema», mas as da história, da história (minúscula) entendida como ornamento, da história como estimável lição de proveito e exemplo. Porque era (e é?) desonra ser-se humano; aviltante, revelar (expor) a verdadeira face."
DETAILS
| Property | Description |
|---|---|
| ISBN: | 9789895522002 |
| Publisher: | Quasi Edições |
| Release Date: | November of 2006 |
| Language: | Portuguese |
| Dimensions: | 0 x 0 x 8 mm |
| Cover: | Softcover |
| Pages: | 104 |
| Format: | Book |
| Categories: |
Books in Portuguese
>
Fiction
>
Linguistics and Philology
|
| EAN: | 9789895522002 |